Henriquecer8b

Em 2002, o Tesouro Nacional implementou o programa Tesouro Direto, a fim de popularizar o investimento em seus títulos de dívidas.

Desde então, está disponível para qualquer pessoa física este investimento fácil, seguro e rentável. É, sem dúvida, na minha opinião, uma das jóias raras do investimento. Acessível a todos!

Abaixo, fiz um tutorial para quem ainda não conhece ou quem deseja conhecer um pouco mais.

O primeiro passo é se cadastrar numa corretora de valores. Há várias que não cobram a taxa de administração nenhuma. Elas fazem isso porque, em troca, querem que o cliente adquira outros produtos com eles, como ações. É uma boa oportunidade! Clique aqui para ver a lista de corretoras habilitadas e as taxas que cobram

O segundo passo é escolher que tipo de título você deve comprar. Existem 3 tipos básicos de títulos: os pós-fixados, os pré-fixados e os indexados (misturam um pouco de ambos). Cada um se encaixa melhor dependendo do seu objetivo.

2.A -Títulos Pós-Fixados

A LFT é o único título pós atualmente sendo negociado no Tesouro Direto. É o título com a menor volatilidade (risco) porque segue a SELIC. Melhor para investimentos com prazos mais curtos. É um excelente destino para alocar parte da sua Reserva de Segurança e ganhar um pouco a mais que a Poupança (ou até bem a mais).

2.B -Títulos Pré-Fixados

Existem 2 títulos pré sendo negociados hoje no Tesouro: a LTN e a NTN-F. A diferença entre os 2 é que se você comprar uma NTN-F,  a cada seis meses os juros caem direto na sua Conta da Corretora, enquanto a LTN paga tudo (o valor investido + juros) apenas no vencimento. Admito que não são os meus títulos favoritos porque tem uma volatilidade superior a dos demais. Acontece que, se a SELIC subir, o preço desses títulos cai pois a taxa de juros é fixa e por isso acaba ficando abaixo do mercado. O inverso também é verdadeiro e pode oferecer bons ganhos caso a SELIC caia. Para evitar esse risco, o melhor é carregá-los até o vencimento. Dessa maneira não há como você perder já que receberá o valor investido e mais os juros combinados.

2.C -Títulos Indexados

Hoje o Tesouro oferece apenas títulos indexados ao IPCA, o índice oficial de inflação do país: a NTN-B. Existem 2 tipos de títulos: a NTN-B regular que paga semestralmente uma taxa de juros pré e corrige o valor do título para a inflação, e a NTN-B (Principal) que tem as mesmas características da regular, mas ao invés de pagar juros semestrais, pagará tudo (valor investido corrigido pelo IPCA + juros) no vencimento. São os meus títulos favoritos para investimentos de longo prazo voltados para Aposentadoria porque garantem um rendimento real – acima da inflação – e tem vencimentos longos (até 2050). Os juros que costumam pagar também são altos (hoje estão acima de 5% a.a.). Mas atenção! Como os títulos tem taxas pré não são seguros para o curto prazo. Tem alta volatilidade e você pode ganhar ou perder bem se a intenção for o curto prazo.

O terceiro passo é escolher o vencimento dos títulos. Neste aspecto, vai depender dos seus objetivos. Cabe alertar que no caso de títulos indexados e pré fixados, quanto mais distante o prazo de vencimento, maior o risco. Claro, novamente, em qualquer um dos casos, o risco só existe se você precisar vender o título antes do vencimento. Se levar ao vencimento, receberá exatamente o que foi acordado.

Outras coisas que são importantes saber:

Risco de crédito: você está emprestando dinheiro para o Governo. Se ele não tiver dinheiro para te pagar, sambou. Mas apesar de todo investimento ter algum risco, o do Tesouro Direto talvez seja o menor no Brasil (lembre-se de quem investiu em Poupança no Governo Collor…).

Liquidez: os títulos tem liquidez semanal, já que o Tesouro os recompra as quartas-feiras. Isso pode ser bom ou ruim, o que discutirei melhor num próximo post.

Imposto de Renda: Os ganhos do Tesouro Direto são tributados da seguinte maneira, dependendo do tempo que você permanecer com o título:

até 6 meses: 22,5%

de 6 meses a 1 ano: 20%

de 1 ano a 2 anos: 17,5%

mais que 2 anos: 15%.

O lado bom é que o imposto é recolhido na fonte e portanto, você não precisa ter o trabalho de se enrolar com a Receita Federal.

Outra coisa que vale lembrar é que ele incide apenas sobre os seus ganhos e não sobre o valor que você investiu. Então, não há chances de você perder dinheiro por conta do Imposto de Renda (por outros motivos até pode). Sei que é um pouco óbvio mas também sei que tem gente que pode não saber.

Em resumo, o fato de ter imposto não atrapalha em nada seu investimento, ok? Não vale usar essa desculpa… apesar de claramente ser um investimento muito mais vantajoso para prazos superiores a dez anos.

Outras taxas: Você precisa saber que ainda há 2 taxas: a taxa cobrada pela BM&FBovespa, de 0,3% a.a. – nada que apague a boa remuneração dos títulos – e a que citei anteriormente da Corretora, essa é livre e cada uma pode cobrar o que quiser (e umas não cobram nada, como citado acima).

Acho o Tesouro Direto uma ferramenta necessária para qualquer investidor brasileiro. É uma forma prática e segura de aumentar seus rendimentos. Particularmente, faço uso desses produtos quando o objetivo do meu investimento é de um prazo superior a 2 anos (como disse), como parte da Reserva de Segurança em LFTs, parte da minha aposentadoria em NTN-B e da formação de um patrimônio com a NTN-F.

Diria até que as LFTs (pós-fixadas) e as NTN-Bs (indexadas) são os meus títulos favoritos e acho que encaixam bem nas carteiras da maior parte dos investidores.

Bom o assunto é extenso… mas vale começar…

Qualquer dúvida ou sugestão sobre o assunto, ficarei muito feliz em receber. Podem mandar por aqui ou se preferirem pelo email blog.henriquecer@gmail.com.

Recomendo para quem quiser investir no Tesouro dar um pulo no site deles www.tesourodireto.gov.br. É bem legal, ilustrativo, com simulações.

No mais, bons investimentos!

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