Henriquecer99999994

Você já pode ter ouvido falar que há uma ação na justiça buscando alterar a regra do reajuste do FGTS dos trabalhadores brasileiros. Se isso ocorrer, não mudará apenas daqui pra frente como poderá mudar também retroativamente reajustando o saldo de todos os trabalhadores brasileiros.

A regra atual define o reajuste do FGTS em juros de 3% a.a. adicionado da TR (a tal taxa referencial que eu já disse ser meio maluca), que supostamente deveria servir como uma correção monetária.

Acontece que de 1999 para cá, a TR não tem sido um bom índice de reposição do poder de compra e o nosso saldo no FGTS geralmente rende abaixo da inflação.

Um juiz de São Paulo, segundo matéria do G1 publicada em 25/2/14, aceitou o pedido de correção do saldo de um contribuinte com o INPC substituindo a TR desde 99.

Se isso for estendido a todos os contribuintes, o que mudaria em relação ao FGTS?

Ainda não escrevi nenhum artigo falando sobre as vantagens de investir em imóveis, mas pretendo ainda escrever. Dentre elas, aqui no Brasil, está a grande vantagem de poder usar o FGTS.

Como o retorno do saldo do FGTS a 3% a.a. mais TR – que nos últimos anos tem variado de 0,2 a 1% ao ano – é muito baixo se comparado aos outros investimentos disponíveis no Brasil, poder usar o FGTS, em praticamente qualquer hipótese, é vantagem.

Se alguém tem a oportunidade de fazer um acordo com o patrão para mandá-lo embora para sacar o saldo do FGTS, recomendo sempre porque é vantagem… 3% a.a. de juros é metade do que rende a Caderneta de Poupança, que ainda por cima tem liquidez.

Mas se o índice de reajuste for alterado para o INPC, a coisa muda um pouco de figura. O fundo passa a render 3% a.a. líquido de impostos e inflação. Apenas como base de comparação, a Poupança nos últimos anos tem praticamente só empatado com a inflação.

É claro que tem ainda a questão da liquidez, mas manter o saldo no FGTS se torna muito mais interessante e comprar imóvel para usar o fundo de garantia perde bastante atratividade.

Apenas a nível de comparação, para quantificar o que digo, com a oferta de crédito imobiliário bombando como está hoje, há muitos financiamentos em que a taxa de juros é de 7% a 8% a.a. Neste sentido, se for este o caso do seu imóvel, você acha que valeria tanto a pena assim sacar seu fundo que rende hoje em torno de 9% a.a. para pagar uma dívida que cobra 7% a.a.?

Mesmo a SELIC a 10,5% a.a. como está no final de fevereiro, pode ficar abaixo do rendimento do FGTS se descontarmos os impostos e as taxas.

Bom, como não sou do meio, realmente não sei o que a justiça decidirá sobre o caso. Economicamente, essa decisão gera alguns riscos, como a criação de mais pressão inflacionária por exemplo. Além disso, estas mudanças de regras enfraquecem as Instituições já que, como costumam dizer por aí, “no Brasil não só o futuro, mas até o passado é incerto”.

Mas se este for o justo, que façamos a justiça… e se houver tempestade, ajustemos as velas.

Abraços!

PS.: Hoje continuaria com mais um post sobre a inflação – mas agora vai sair no domingo.

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