Henriquecer9999995

O índice de inflação oficial no Brasil hoje é o IPCA (índice de preços ao consumidor amplo), calculado pelo IBGE, reflete a variação de uma determinada cesta de consumo de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos, de 9 regiões metropolitanas do Brasil.

Não vou entrar em detalhes, mas há vários outros índices como o INPC, o IPC, IGP-M, IGP-DI, INCC, IPA e por aí vai… cada um tem um período de apuração, localizações, público-alvo e cesta de consumo específicos. Nenhum deles necessariamente refletirá de forma fidedigna a inflação que você vive.

Você mesmo já pode ter dito, ou ao menos já ouviu alguém próximo comentar “Não sei de onde vem esta inflação que eles divulgam. Os preços subiram muito mais do que isso.”. Pode ser um pouco de teoria da conspiração em alguns casos. Mas na maior parte das vezes, não é. Realmente, cada um de nós possui uma cesta de consumo única, só nossa. Se eu moro no Rio, os preços tem um comportamento específico, se é em Botafogo, é diferente da Barra… se eu tenho 18 anos tenho uma cesta de consumo diferente de quem tem 65. Se for solteiro ou casado, se tenho filhos… moro em apartamento próprio ou alugado, se bebo, sou fumante, estudo uma língua estrangeira… tudo interfere no nosso índice de preços pessoal.

Como daria muito trabalho para nós mesmos apurarmos mensalmente nosso próprio índice de inflação, usar o IPCA, que é o índice oficial, pode ser uma boa aproximação – já sabendo das limitações.

Como tirar vantagem da inflação

Ninguém torce para que haja inflação alta. Ela é uma aberração que deve ser combatida, como uma doença contagiosa que infecta a todos. Não há vencedores. Mas, de tempo em tempo, um desequilíbrio econômico pode vir a trazê-la de volta. E como encará-la melhor forma possível?

– Você pode buscar uma cesta de consumo em que o impacto da inflação é menor. Se o preço de determinado bem ou serviço aumenta bastante sem contrapartida justa em qualidade, procure substituí-lo por outro com melhor custo-benefício. É sempre bom recompensar o empresário que luta para oferecer um melhor custo-benefício a seus clientes.

– Se você é assalariado, provavelmente recebe um dissídio anual com base na inflação. Se você consome tudo o que ganha ou poupa muito pouco, provavelmente você sairá perdendo essa briga com a inflação. Mas se você gasta significativamente menos do que ganha, o impacto absoluto sobre sua receita será maior do que o impacto sobre os seus gastos. Ex.: Se você ganha R$5 mil por mês e gasta R$2,5 mil, os 5% de inflação agirão sobre os R$2,5 mil enquanto o seu reajuste salarial (assumirmos aqui que seja também de 5%) irá recompor os R$ 5 mil. Você ganha um reajuste de R$250 por mês para arcar com um prejuízo de R$125. Bingo!

– Para combater a inflação, um dos principais instrumentos do Governo é a taxa de juros. Para quem gasta mais do que ganha, juros altos são um pesadelo. Mas se você tiver um orçamento equilibrado e espaço para investir, pode aproveitar a melhor remuneração pelo seu dinheiro aplicado.

Nem tudo na economia sobe de preço, isso também é importante lembrar. Em 2000, malhava numa academia bem simples pela mensalidade de R$120. 14 anos depois, a SmartFit cobra R$59,90. Em 2003, eu pagava R$100 pelo plano de 150 minutos no meu celular. Hoje, pago R$80 incluindo 3G, SMS ilimitado, 100 minutos e diversas chamadas gratuitas dentro da operadora, telefone fixo etc… há outros exemplos, mas não quero me estender muito. Mas são exceções. Em geral, os preços dos bens/serviços subiram. Alguns serviços cobram mais porque também passaram a oferecer mais. Outros, não.

Nós não podemos mudar a direção do vento… mas podemos ajustar as velas. A inflação é um mal que está fora do nosso controle, mas há caminhos para vencê-la.

A todos um grande abraço!

Anúncios