Henriquecer9999996

“Se eu ganhar R$1 milhão na Mega Sena, e aplicar na poupança, posso parar de trabalhar e viver com R$6.000 ao mês.”

Certo? Sim. Mas tem aí um grave problema que a pessoa esqueceu de levar em consideração. Esses R$6.000 vão perdendo valor ao longo do tempo graças ao efeito corrosivo da inflação. Dali a 5 anos, os mesmos R$6 mil já vão valer bem menos.

O mais correto seria considerar o rendimento real da aplicação e não o nominal – assim você analisa o ganho líquido da inflação e com o quanto você conseguiria viver, descontando a perda inflacionária.

Como encontrar o rendimento real

Há uma espécie de “licença poética” financeira que permite que você encontre um rendimento real aproximado simplesmente diminuindo a taxa de inflação da taxa nominal de retorno. Um exemplo: se um CDB rende 10% ao ano, e a inflação esperada é de 5% ao ano, podemos dizer que, grosso modo, temos um juros real de 5% a.a. (10%-5%). Este cálculo, apesar de não ser o correto, é bem aproximado para valores pequenos e arredondados.

Mas é importante saber que para um calculo mais preciso, a conta não é essa. Henrique Carvalho, meu xará, da HC Investimentos deu uma vez um exemplo legal que ilustra uma situação em que esta “continha de padaria” dá um resultado bem grotesco. Abaixo reproduzo seu exemplo:

Voltemos ao ano 1992. Ibovespa neste ano teve um rendimento nominal de 1.016%. Que maravilha não?! Não… pois ainda não sabemos se nosso poder de compra se manteve constante (…)  A inflação neste ano (1992) foi de impressionantes 1.119%. Logo, subtraindo 1.016% por 1.119% temos -103%. Como vocês podem observar, o rendimento real pela metodologia incorreta foi menor do que -100%, que é o ponto limite para perdas, em que o investidor teria perdido tudo.

Portanto, temos um problema com este tipo de cálculo…

A fórmula correta para se calcular juros reais é:

(1 + tx juros) / (1 + inflação) – 1

Desta forma, no exemplo do CDB de 10% a.a., teríamos (1 + 0,10) / ( 1 + 0,05) – 1 = 4,76%… não exatamente 5%, mas arredondando, chegaríamos lá. Incorreto mas funcional.

No exemplo do HC, a Bolsa em 92 teria o retorno real de (1 + 10,16) / ( 1 + 11,19) – 1 = -8,45%… ou seja, beem diferente dos -103% da “continha de padaria”.

Entender a importância dos juros reais é fundamental para o investidor. A inflação corrói o valor da moeda.

Comecei este post com o exemplo da Poupança. Hoje, a Poupança não é um bom refúgio para defender seu investimento da inflação. Muitas vezes, a inflação supera o rendimento nominal da Poupança, ou seja, rendimento real negativo… é melhor do que debaixo do colchão, claro. Mas tem investimentos como NTN-Bs, Imóveis etc… que são mais eficientes nisso.

Abraços!

Anúncios