Henriquecer99999999992


A primeira vez que precisei ter um contato mais intenso com dinheiro foi aos 19 anos quando meus pais se mudaram e passaram a me ajudar até que eu terminasse a faculdade.

Antes de ir embora, lembro que minha mãe pegou uma agenda e escreveu o que seria o meu orçamento dali em diante. Tinha aluguel, condomínio, mercado, luz etc. Todas as despesas mensais regulares. Era com aquilo que eu iria me virar (na verdade, logo no segundo mês se tornou bem menos que aquilo, um desafio).

Naquele orçamento, não tinha espaço para chopp, nem comprar roupas ou tirar xerox na faculdade, era tudo bem contadinho e, claro, eu não tinha 13º e nem adicional de férias…

Aprendi muito com tudo o que se sucedeu a partir dali… O desafio de viver com essa restrição orçamentária se uniu aos conhecimentos da faculdade de economia que eu cursava na época.

Antes daquilo ali, o meu tratamento com o dinheiro foi praticamente a base da mesada que ganhava, R$20 por semana que viraram R$50 alguns anos depois. Dessa grana semanal, eu tirava sempre R$10 por semana para guardar para quando precisasse.

Um dos meus melhores amigos sempre me sacaneava que com esses R$10 porque mesmo naquela época não dava para fazer muita coisa com R$40 ou R$50 ao mês.

Eu sabia que não era muito dinheiro e que poderia fazer pouco com ele, mas tinha na cabeça de que o mais importante era o hábito que eu estava criando e que poderia ser algo importante para mim no futuro. Sempre tive na cabeça de que quem não sabe viver com pouco não saberia viver com muito. Era A hora de aprender…

Eu complementava o que ganhava sempre que tinha uma oportunidade como dar aulinhas de inglês para minhas sobrinhas ou aulas particulares de física ou matemática na escola.

Voltando para minha vida aos 19, quando fui morar sozinho… o desespero começou assim que eu passei a fazer as contas e elas não fechavam. A solução foi simples: parar de fazer contas.

Não tinha grana para fazer nada de diferente como dar um presente ou fazer uma viagem. Toda economia que eu, criativamente, fazia  ia embora nos reajustes de preços… e eu não tinha nenhuma perspectiva de ver as coisas melhorarem pro meu lado até porque meus pais também estavam passando por dificuldade financeira…

E trabalhar? Bem, eu fazia 2 faculdades e não tinha tempo para trabalhar… quando passei para a faculdade de economia, tinha feito uma promessa para minha mãe que eu não largaria a de Relações Internacionais que eu cursava na época.

Ela era meio traumatizada com essas coisas por conta da minha irmã, que durante um tempo da vida ficou pulando de curso em curso sem terminar nenhum.

Mesmo assim eu arrumei uma forma de trabalhar sem romper com a minha promessa. A primeira tentativa, sem muito sucesso, foi com marketing em rede (ou multinível).

A segunda foi com o programa de intercâmbio de trabalho nos EUA durante as férias. Esse deu bem certo! Tive 3 empregos trabalhei muito tempo sem day off e consegui juntar uma grana considerável (o câmbio na época também ajudou muito).

Essa grana me deu sobrevida… deu pra pagar as dívidas e juntar um pouco para usar no financiamento do déficit futuro… mas tinha um prazo para acabar.

Enfim… de repente, minha história mudou. Quando vi que não tinha muito o que fazer, resolvi mudar.

O primeiro passo foi mudar de casa. Procurei a alternativa mais barata para morar no bairro e ainda chorei o preço. A casa não tinha mobília mas me vali um pouco de criatividade. Se não tinha dinheiro pra comprar uma cama, tinha ao menos para comprar uma daquelas bolas japonesas no camelô, que insinuavam que o fato do colchão ficar no chão era proposital…

Terminei a faculdade de RI e comecei a estagiar. Aos finais de semana, trabalhava de freelancer para ganhar uma graninha extra.

Consegui economizar de outras formas também, que não cabe entrar em detalhes para não me alongar ainda mais.

O fato é que as coisas começaram a se arrumar… e quando há possibilidade da grana fechar é que a gente passa a ter gosto em controlar o dinheiro.

A minha primeira Planilha Financeira

Quando aprendi a usar melhor o excel, junto com o que aprendi na faculdade e, principalmente, no meu estágio na Controladoria, passei a fazer um orçamento pessoal trimestral no excel.

A primeira versão era bem básica. Era uma coluna para o orçamento e outra para o realizado. Tinham as minhas despesas mensais e um espaço para investimentos. Como meu estágio era numa empresa de Seguros e Previdência, eu já tinha passado por uma bateria de lavagem cerebral sobre a importância de se construir uma reserva para a aposentadoria.

Então, seguindo a mesma lógica dos R$10 por semana da minha mesada na adolescência, criei um espaço para investimentos mesmo que o valor para tal fosse simbólico. O importante era começar!

Uma das principais particularidades daquele meu primeiro planejamento – e que carrego até hoje – era o valor fixo para o lazer. Eu passei a chamar esse dinheiro de “mesada”.

Funcionava exatamente como os R$50 por semana que eu ganhava dos meus pais, com a diferença de que o valor era maior e que eu já não precisava mais guardar aqueles R$10/semana porque a planilha já mostrava meu orçamento destacado para investimentos.

Logo eu me deparei com uma dificuldade: o que fazer com gastos não mensais? Assim como aquele orçamento de agenda que minha mãe tinha feito uns anos antes, eu também não estava considerando despesas como roupas, remédios, presentes, viagens, IPVA, despesas com a manutenção da casa, do carro… essas coisas. Eu queria estudar também, fazer alguns cursos pagos, comprar livros…

Mas eu não podia colocar isso na planilha porque eu não sabia exatamente em que mês eu iria comprar roupas novas. Não tinha como saber. O IPVA eu sabia, mas como eu não ganhava 13º(naquela época estagiário não ganhava), isso significaria que meu orçamento em janeiro seria negativo?

Então, pensei numa solução até um pouco óbvia: eu guardaria mensalmente uma quantia para ser usada esporadicamente para estes fins. Chamei essas contas novas de “Provisões para o Curto Prazo”.

Dessa maneira, se o meu IPVA fosse de R$600 ao ano, eu juntaria a cada mês R$50 para isso. Se eu imaginasse gastar R$100 com roupas a cada trimestre, eu juntaria uns R$35/mês e por aí vai. Eu daria esse dinheiro como já gasto e separaria ele. Como tempo é dinheiro, eu guardava esse montante provisionado numa conta poupança e o valor do meu saldo provisionado ainda gerava juros. Muito juros? Claro que não. Mas sempre carreguei a lógica dos R$10/semana. Qualquer ganho é melhor do que ganho nenhum.

E seria fácil saber o quanto eu poderia gastar com o que. Se meu saldo na conta de provisões para viagens fosse de R$400, era isso que eu tinha para gastar e ponto.

Inicialmente, foram 4 contas de provisão que eu criei e que me atendiam bem à época: a) educação para os cursos e os livros, b) viagens para despesas de viagem, c) roupas e equip. para despesas com vestuário e também para qualquer coisa que eu precisasse comprar como um celular novo, etc, d) manutenção de carro e casa para contas de ipva, seguro, troca de óleo, pneus, revisões do carro etc e iptu, serviços eventuais de bombeiro, eletricista, ou seja, despesas da casa – que a gente sabe que precisa mais cedo ou mais tarde.

Outra coisa, as contas de provisões também recebiam um saldo extra caso sobrasse dinheiro. Se eu economizasse (ou tivesse uma receita extra de) R$100 no mês, eu distribuía esses R$100 entre as 4 contas. As provisões passaram a ser uma espécie de conta de fechamento.

A minha planilha financeira passou a ter 3 grandes grupos: Despesas Correntes MensaisProvisões para o Curto Prazo e Investimentos para o Longo Prazo. Assim eu acertava minhas contas equilibrando o presente, o futuro próximo e o futuro distante.

Sobrava pouco para cada conta, mas eu tinha uma ideia apurada da minha situação. Ao contrário de muita gente que quando entra uma grana extra e se sente rico, eu tinha em mente qual seria o meu passivo futuro.

Ao mesmo tempo, eu gastava com a consciência limpa  o que tinha para gastar no presente porque eu num estaria tirando o dinheiro de nenhum outro fim.

A parte do meus investimentos ia integralmente para a bolsa de valores. Hoje tenho outra mentalidade. Mas na época, apesar de já ter estudado bastante sobre mercado financeiro, eu entendia que era preciso vivenciá-lo melhor para adquirir mais aprendizado e experiência. Acabou dando certo, mas mais pelo acaso eu acredito… porque esta, ao meu ver, não é maneira mais correta de se começar a investir (botando todo seu investimento na bolsa).

Fazem mais de 7 anos desde esta primeira planilha que montei. Muita coisa nova foi incorporada, muitas novas análises, novas contas de provisão e investimento… melhorou bastante, mas a estrutura básica continua seguindo a mesma lógica.

Bom, assim começou um pouco da minha história financeira…

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Henriquecer99999999991

Este print não é exatamente da primeira planilha. Infelizmente, não encontrei a primeira versão que fiz, mas essa é de um tempo depois e certamente se assemelha bastante com a que foi montada na primeira vez.

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