Henriquecer9999999999992

No ultimo domingo repliquei aqui o texto do Felipe Miranda da Empiricus Research sobre O Fim do Brasil, uma visão nada otimista sobre o futuro da economia brasileira. No dia seguinte ao meu artigo, o Boletim Focus mostrou a 10ª redução consecutiva na expectativa de crescimento do PIB brasileiro.

O megainvestidor George Soros explica como momentos de pessimismo podem ser contagiantes. Na verdade, num resumo bem básico de sua Teoria da Reflexividade, ele mostra que os profetas do caos nem sempre são apenas visionários mas eles mesmos podem ser os próprios causadores do caos ao espalharem o pessimismo pelo mercado.

Numa discussão um pouco mais filosófica, ele argumenta que a realidade é uma percepção de que cada um de nós tem sobre os fatos. E que nosso pensamento afeta, através de ações, a realidade. Ou seja, uma via de mão dupla. Tanto a realidade afeta o que pensamos como o que pensamos influencia a realidade. Por isso o nome reflexiva.

Isso, embora seja tão natural, diverge do pensamento antigo que trata o mercado como um ente independente, como algo extrínseco, o que ele não é.

Exemplificando, um cara que escreve um texto pessimista ou faz uma análise pessimista na TV é capaz de causar a crise que ele próprio prevê. Se alguém influente e renomado consegue convencer o mercado de que estamos a beira do caos, os agente do mercado tentando se antecipar à derrocada, começam a entrar na ponta vendedora. Com tanta pressão de venda, o mercado tende a cair. Bingo. O profeta acertou! Mas talvez nada disso tivesse acontecido caso ele não tivesse previsto.

O mercado é dinâmico, e ele nada mais é do que a soma das percepções dos diversos agentes que atuam nele.

Por outro lado, o simples anúncio de que Warren Buffet está comprando determinada ação faz com que aquela ação suba. É por isso que ele é um visionário? Por outros motivos sim, mas não por esse. A ação sobe porque o mercado entende que se o Warren Buffet está comprando é porque deve ser boa. Mas essa alta repentina provavelmente não aconteceria caso não tivesse sido anunciada a sua compra.

Por favor, entendam que não estou dizendo que uma possível derrocada no mercado seria culpa do Felipe Miranda… longe disso! O que ele fez em seu texto foi uma clara compilação de fatos, embora com uma previsão caótica das consequências. O que quero dizer é que um texto como esses podem sim ter um efeito nos mercados espalhando o pessimismo.

A economia não é uma ciência exata. Logo, tudo pode acontecer. O que quero dizer aqui é que para bem ou para mal, um agente interfere diretamente no mercado. Quem participa do mercado sabe disso, sabe que um operador influente pode espalhar boatos sobre empresas, que uma notícia errada num jornal ou um comunicado dúbio pode afetar o preço das ações no mercado. O mercado é sensível e está atento… No fundo, somos todos pessoas – como eu e vc – com os mesmos receios… no fim do mês, todos temos nossas contas a pagar.

O inverso também é possível

Mas nem sempre o pessimismo dos profetas do caos se realiza. Muitas vezes a não realização de suas profecias pode levar o mercado ao outro extremo.

O pessimismo inicial, ao baixar as expectativas, pode servir de combustível para o otimismo com dados que poderiam ter sido encarados como “nada demais” mas que acabam se tornando bons graças à expectativa baixa.

Um bom exemplo fora do mundo financeiro é a Copa do Mundo no Brasil em 2014. A Copa foi considerada pela grande maioria como um enorme sucesso. Mas isso se deve, em parte, ao fato de a expectativa sobre a realização do evento estar tão baixa, resultado de todo o pessimismo do “Imagina na Copa” em que havia um receio geral de que as coisas dessem muito erradas.

Isso quer dizer que se a indústria brasileira retomar o crescimento, a inflação fechar abaixo de 6% e o PIB subir perto de 2% – dados beem discretos diga-se de passagem – o mercado poderá recebe-los bem, simplesmente porque a expectativa era que eles fossem pior. O ruim parece muito bom perto do péssimo.

Bom, na economia as coisas podem mudar radicalmente de uma forma realmente rápida. Infelizmente, crises de tempo em tempo são normais – as vezes são até mesmo o resultado do sucesso, uma espécie de ressaca que abate após anos de intensa euforia. Outras vezes, uma crise pode arrastar o país para longos anos de difícil recessão. As expectativas cumprem um papel fundamental em todo o processo…

Até a próxima!!

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