Henriquecer9999999999999991

Esse tema foi sugestão de um amigo que passou por este dilema. Ele disse “por que vc não escreve sobre isso?”… admito que na hora não levei tão a sério. Poucos dias depois, me deparei com a mesma questão. Minha namorada queria trocar o nosso carro e eu, viajar pelo sudeste asiático. Como a grana é limitada, a questão voltou. Afinal, o que vale mais a pena: trocar (ou comprar) um carro ou fazer uma viagem?

A esta altura, cada leitor já deve ter sua resposta pessoal na cabeça. Uns devem ter pensado “viagem, claro” porque amam viajar. Outros tem este amor maior pelo carro. Depende da personalidade de cada um. Eu particularmente pertenço ao primeiro grupo. Meu amigo, ao segundo (e por isso acabou optando pela troca de carro).

Enfim, esta preferência varia de pessoa para pessoa e acho que cada um dos leitores já tem ao menos uma ideia sobre suas preferências.

O que este artigo aqui vai fazer então é uma análise financeira das 2 opções. A questão é: a troca ou a compra de um novo carro equivale a que viagem que eu poderia fazer caso desistisse de trocar ou comprar o carro?

Se trata de uma análise puramente financeira, já que a grana é curta, para ajudar na decisão. E, é claro que, com posse dessas informações, a decisão final será por onde seu coração bater mais forte.

O custo de trocar de carro

HB20

O primeiro argumento de quem opta pela compra do carro costuma ser “a viagem dura apenas 15 dias, mas o carro fica”. Isso é verdade e será considerado na nossa conta.

O carro é um ativo que posteriormente pode ser revendido e parte do dinheiro recuperada. Uma viagem feita não pode ser revendida no futuro. Então, o que devemos analisar é a perda financeira da compra do carro e não o valor total gasto, porque uma parte deste valor permanece com o carro.

Complicou? Um exemplo, se eu compro um carro por R$50 mil e no final do ano ele vale R$40 mil, minha perda foi de R$10 mil e é isso que vamos considerar, e não o total de R$50 mil gastos porque os outros R$40 mil podem ser recuperados no futuro com a venda do carro.

Agora, esta perda do exemplo de R$10 mil não serão mais recuperados, tanto quanto não é uma viagem, então, esse argumento de que o carro fica, que ele dura, pode até ser válido. Ele dura sim, mas dura valendo cada dia menos, e a depreciação do veículo é uma perda que também jamais será recuperada, exatamente como uma viagem.

É importante pontuar que a compra ou a troca de um carro incorre em custos altos. Quando você vende um carro, você dificilmente recebe por ele o que ele vale. Na maioria (absoluta) das vezes recebe bem menos. Por outro lado, quando vc compra um carro, você paga mais do que ele vale. Isto é bem claro, ora. É esta diferença entre as margens que remunera toda a cadeia automobilística, que inclui o vendedor e suas comissões, todos os gastos fixos da loja (aluguel, luz, funcionários de limpeza, etc) e, é claro, o lucro que eles precisam ter. Até o cafezinho que você toma e aquele tapete que vc acha que tá levando “de graça”, na verdade está tudo sendo pago pelo valor a mais que vc paga na compra e o valor a menos que vc recebe na venda de um carro. Ah, eu mencionei os impostos que vc paga na compra de um carro novo??

Segundo esta matéria da Exame, numa loja autorizada, você perde entre 20% e 40% do valor do seu carro na revenda. Essa perda pode ser minimizada caso você decida vender para uma Pessoa Física. Como disse, pode ser minimizada, mas não evitada. Esta perda vai ocorrer porque mesmo a pessoa física não aceitará, em geral, pagar o quanto seu carro vale realmente. Existe uma longa teoria sobre isso, mas para encurtar, sendo conservador, vamos considerar uma perda de 20% do valor, na faixa de baixo da matéria da exame.

No caso da compra, este blog ( aliado a esta matéria do Estadão ) mostram que, em geral, a gente paga 16,8% a mais num carro novo quando compramos ele na concessionária. Ou seja, só de sair da concessionária, ele perde esse montante em valor.

Outro custo que devemos considerar é o IPVA mais caro. No Rio, para carros flex, o IPVA corresponde a 3% do valor do carro. Ou seja, ao trocar por um carro mais caro, o IPVA será maior. Não apenas, mas o seguro do carro também será maior (em geral, pois nem sempre).

Em compensação, existe um custo que geralmente se torna mais baixo ou é até evitado ao trocar de carro: a manutenção do carro. Quanto mais antigo, maiores tendem a ser os custos com a manutenção do carro. Ao trocar por um carro novo, estes custos tendem a não ocorrer mais, ou ao menos não na mesma frequência. Vamos considerar isto no nosso cálculo (mesmo sabendo que isso pode variar bastante, já que tem carros usados que não apresentam nenhum defeito por anos enquanto há carros novos que logo apresentam defeitos ex. garantia).

Um último cálculo que adicionei se aplica apenas para quem compra um carro através de financiamento. Isto não se aplica a todos, mas um boa parte das pessoas se endivida na troca do carro. O BCB disponibiliza neste link um ranking de taxas de juros para financiamento automobilístico por instituição financeira. Usei no meu cálculo, a taxa de 1,49% ao mês, que é a do Banco Itaucard S.A, ligado a um banco grande, com a 10ª taxa mais baixa do mercado em dezembro de 2014. Considerei também, um financiamento em 24 meses e desconsiderei qualquer cálculo de custo de oportunidade para simplificar (e porque também há custo de oportunidade que incidem sobre os gastos de viagem).

Na tabela abaixo, simulo a perda incorrida ao longo de um ano, na troca de um Peugeot 307 de 2010 avaliado em R$28 mil por um Hynduai HB 20 zero avaliado em R$45 mil durante 1 ano.Custos troca de carroA perda total orçada neste exemplo é de aprox. 15 mil reais no 1º ano da troca. O maior gasto é no próprio negócio (a troca), onde há uma perda superior a R$13 mil, já que vc recebe menos do que seu carro vale e paga mais do que valerá o carro novo assim que ele sair da concessionária.

Se o carro for financiado, somando-se ao cálculo os juros do financiamento, a troca em um ano sai por quase R$18 mil reais.

O custo de uma viagem

Bangkok

O custo de uma viagem vai bem além de simplesmente comprar a passagem e ir. Diárias de hotéis, aluguel de carro, e o próprio custo da passagem são gastos mais fáceis de serem lembrados ao orçar os gastos de uma viagem. Outros, como taxas de aeroportos, seguro de viagem, e os translados do aeroporto muita gente esquece de orçar. Quanto mais previsibilidade de gastos, melhor. O ideal é computar tudo, inclusive a compra de um guia de viagens.

Um detalhe importante é a inclusão de um redutor de gastos correntes. Ele significa descontar dos gastos da viagem o dinheiro que você gastaria caso optasse por não viajar. Ora, se você está em Orlando gastando dinheiro com hotel, não estará no Rio de Janeiro gastando luz que seja. Uma viagem de 1 mês a R$5 mil pode sair “de graça” se o dinheiro que seria gasto caso você permanecesse onde mora fosse o mesmo. Faz sentido, não faz?

Por que é bom incluir isto no orçamento? Muitos dizem que não podem viajar porque é muito caro, mas não levam em consideração isto e acabam abrindo mão da oportunidade de conhecer o mundo.

Quem está mais acostumado a viajar pode cair numa outra armadilha, ainda mais perigosa, que é superestimar os gastos que teriam aqui. Aí o cara viaja, gasta mó grana e no final acha que está tudo bem porque se ele não tivesse viajando estaria gastando do mesmo jeito. O que em geral também não é verdade. Na maioria absoluta dos casos, em viagens você gasta mais do que não viajando. Só se deve considerar como despesas redutoras de gastos correntes aquelas despesas que serão de fato evitadas enquanto vc estiver viajando. Por exemplo, se você gasta normalmente R$ 300 ao mês de gasolina, em 2 semanas viajando, vc deixa de gastar R$150. Outras despesas típicas são “mesada”(o dinheiro do dia a dia), conta de luz, de gás, telefone (se usar mais que a franquia mensal), despesas de supermercado…

Dito isto, abaixo segue um Orçamento de 2 semanas de viagem para um casal pela Tailândia:

viagem pela tailândiaOu seja, por estas simulações, o custo de trocar um Peugeout 307 de 2010 por um Hynduai HB20 zero é equivalente ao custo de uma viagem de 2 semanas pela Tailândia. Agora escolha é sua, andar de carro novo ou viajar.

É claro que há oportunidades de fazer melhores negócios em ambos os casos. É possível diminuir o spread da agência de carros, vender seu carro para uma pessoa física, conseguir um bom desconto na concessionária etc. Mas também é possível economizar na viagem, principalmente no preço da passagem. Hoje existem diversos blogs que monitoram promoções de passagens aéreas e ofertas de hotel. Então por favor, não se prenda ao “Ahh Riko, vc disse que o HB20 novo ta R$53 mil mas o que eu quero custa R$38 mil” ou “encontrei uma passagem para a Tailândia por R$2.500”. O que vale aqui é a ideia, são as premissas… aplique-os a sua realidade…  Existem oportunidades boas de se aproveitar quando possível mas se não der para fazer os 2, escolha o que te agradar mais!

Eu já escolhi a minha, agora só falta convencer a namorada… espero que esse artigo me ajude. =P

A vida é curta, curta-a!

Abraços!!

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