Putin

Economia Real

2014 reafirmou as boas expectativas em torno da recuperação dos EUA. Na Europa, nem tanto (pelo menos os europeus faturaram a Copa).

Em relação a Ásia, sabemos que um sopro de preocupação em relação a China é capaz de preocupar todo o mundo, e, em 2014, o sopro veio. Agora é fato concreto: a China vai crescer menos. A notícia boa é que parece se confirmar o “soft landing”, ou seja, uma desaceleração suave, não traumática.

Já no Japão, o ano foi de enterro das esperanças em relação ao “Abenomics”, o projeto de estímulos econômicos iniciado em 2013. O Japão, a 3º maior potência econômica mundial permanece a margem dos acontecimentos econômicos… o Godzilla continua dormindo.

No Brasil, demorou mas chegou. Desde 2011, quando Dilma assumiu a presidência, o país não cresce e a inflação está acima do centro da meta. Desta vez parece que a esperança acabou de vez. No ano de eleição, a Bolsa disparou apenas quando Marina Silva (e depois em menor grau, o próprio Aécio) dava sinais de que poderia vencer as eleições. Não se confirmou e voltamos a vida normal de expectativas de crescimento baixo e inflação alta. Sem entrar em mérito político, desempenho pífio do Brasil na parte econômica. Resultado de anos de políticas equivocadas. A boa notícia continua sendo o desemprego baixo que ainda se mantém, um dos poucos mas importantes méritos deste governo na área econômica.

Embora o Brasil tenha feito de tudo para ser o mico do ano, a Rússia roubou a cena. Aparentemente tudo deu errado por lá. O Rublo despencou, as taxas de juros dispararam, as sanções econômicas relacionadas à Ucrânia, a queda do preço do petróleo… A economia russa foi vítima de uma má atuação nas relações internacionais do país.

Inflação

Um país que viveu períodos de mais de 1.000% de inflação no ano não pode definir uma inflação de em torno de 6,5% como caos total. Por outro lado, exatamente por esta mesma história inflacionária, este país não deveria brincar com isso. E vem brincando. O IPCA final ainda não saiu mas corre o risco de fechar acima do teto da meta, em um ano de crescimento zero. Ou seja, estagflação.

O IPCA só não vai ser maior porque existe um delay para reajuste do preço da energia e ela só foi reajustada no final do ano, impactando pouco o IPCA do ano. Em 2015, o impacto será cheio. Vamos torcer para que chova, e ao menos alivie 2016!

Já o IGP-M fechou a 3,69%, a menor taxa em 5 anos, graças a queda de preço de commodities em geral.

Câmbio

Loucura total! Se eu disser que o dólar saiu de R$2,34 em Dezembro de 2013 para R$2,67 em Dezembro de 2014, uma alta de 14% no ano, alguém pode achar até natural… mas a história do dólar em 2014 vai muito além da diferença de cotações entre um ano e outro.

Pensando assim, a alta de 14% não me parece tão bizarra. O que foi bizarro foi a forma como ela ocorreu. Não houve nada de linear!

Em Janeiro, o dólar subiu bem, fechando a 2,43, uma alta de quase 4%.

Mas a partir de então, ele começou a cair, com a atuação constante do BACEN e o Fed mostrando não ter muita pressa para subir os juros básicos nos EUA. Caiu em fevereiro, em março, abril, maio, junho… dava sinais de que ficaria ali entre os R$2,20 e R$2,30… de repente, voltou a subir.

As pesquisas eleitorais ditavam o tom da cotação. Dilma ia bem, subia. Se fosse mal, caia. Só no mês de setembro subiu 9%.

Mas quem achou que seria apenas um efeito especulativo eleitoral se enganou. Não foi apenas o Real que se desvalorizou. O dólar ficou mais forte. As notícias positivas em relação a economia dos EUA fizeram aumentar as apostas de que o aumento dos juros nos EUA, enfim vai sair. Houve migração internacional para o dólar, o porto seguro internacional.

Ao analisarmos a relação do real com o Euro, vemos mais claramente isto. O real fechou estável em relação a moeda única europeia.

Dólar no ano: +14% (na mesma linha de alta de 2013)

Euro no ano: +1% (estável)

 Títulos do Tesouro

Enfim, Tombini surpreendeu. Nas gestões anteriores, o recurso da surpresa era mais comum. Já a gestão atual sempre se mostrou adepta da previsibilidade. Até que no final do ano resolveu aumentar a Selic em 0,5 p.p., para 11,75% a.a., acima das expectativas do mercado.

Para quem investe me títulos públicos, o ano foi bem mais calmo do que 2013, em que os preços desabaram. Foi melhor para os portadores de LFTs, que se deram bem com a alta da Selic, mas não chegou a ser muito ruim para ninguém.

Bolsa

Mais um show de horrores. A Bolsa fechou 2014 no mesmo patamar sofrível de 2013, na casa dos 50 mil pontos. Já era esperada uma performance ruim da Bolsa devida a desvalorização do real frente ao dólar, mas o que aconteceu com algumas empresas foi muito além disso. A Oi se envolveu numa tremenda confusão com a PT telecom, e caiu quase 80% no ano. Valendo centavos, teve que agrupar suas ações no fim do ano de forma a permanecer no Ibovespa, pelas novas regras. As construtoras e siderúrgicas não ficaram atrás. A Vale derreteu junto com a cotação do minério de ferro.

O “efeito Eike” parece ter se alastrado para outras empresas, incluindo a Petrobrás. Já tem gente chamando inclusive de PETRX. A dupla “Vale-Petro”, blue chips, xodós do mercado em outros tempos, perderam espaço para os bancos.

Aliás, a gestão da Petrobrás parece ter feito de tudo para arruinar a empresa, e eu não estou falando de Petrolão nenhum não. Me refiro à utilização da empresa para subsidiar o preço da gasolina no Brasil em época de alta do preço do combustível. Agora, o problema é outro.

Petróleo

O Petróleo, que se acostumou a ficar acima da faixa dos $100 o barril, caiu para $55 no final do ano. Para quem ainda não está por dentro do assunto, isto é reflexo do aumento de produção da Arábia Saudita que pretende inviabilizar a exploração do xisto pelos EUA. Com a cotação baixa, já não se tornaria viável o investimento.

A maior parte dos especialistas que vi comentarem o assunto dizem que este efeito é temporário e que no longo prazo, o petróleo volta ao patamar “normal”. Mas é claro que é uma incógnita. Eu particularmente tenho meu pé atrás. Afinal, seria incoerente e ineficaz essa queda temporária, pelo ponto de vista árabe.

Para nós, o problema é que, a cotação como está pode inviabilizar a maior parte da exploração do petróleo do pré sal, que é bem custosa.

O que foi feito em relação ao petróleo no Brasil é de dar dó. O olho cresceu, alteraram as regras, reabriram discussões, todos os estados e municípios do país queriam um pedaço da riqueza mesmo que não tivessem sequer uma gota de petróleo em seus territórios… perdeu-se um tempo precioso. Neste ínterim, os EUA desenvolveram a tecnologia do xisto e aumentaram a produção global… agora esta questão dos árabes. Pode ser que “toda essa riqueza” se torne pó… ou pior. Pela nova regra, a Petrobras é obrigada a investir um montante em cada poço. Se não for viável, se não tiver dinheiro… enfim, terá que investir mesmo assim. Um desafio enorme para a empresa.

Imóveis e FII

 O m² médio anunciado, pelos dados do FIPE/ZAP Ampliado 12 meses (nov/14), fechou a 7,4% no ano, apenas um pouco acima da inflação. Houve forte desaceleração em relação a 2013 (alta de 13%), mas o tal estouro da bolha pós Copa do Mundo que os profetas do apocalipse anunciavam, não ocorreu.

O IFIX (índice dos fundos imobiliários) ficou estável acompanhando as expectativas e o comportamento suave da Selic.

Outros Investimentos

 A poupança foi bem menos atrativa em 2014 que nos anos anteriores: apenas recompôs as perdas com a inflação, sem ganho real significativo.

CDBs, LCAs, LCIs, LCs se descolaram de vez da caderneta e apresentaram rendimento médio muito superior. Como base de comparação, o CDI deve fechar 2014 próximo a 11% (em 2013 fechou a 8%).

Se deu bem quem investiu em: 1) Dólar, 2) CDBs, LCAs, LCIs e LCs, 3) LFTs

Se deu mal: 1) Bolsa (em especial algumas ações específicas citadas acima).

Mais um ano se vai, mais aprendizado que fica.

A todos um grande abraço!

Leia também: O que esperar para 2015 

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