inadimplencia

Há alguns anos atrás, durante um papo descontraído num bar, uma amiga comentou que estava preocupada em estar endividada. Achei estranho pq essa minha amiga sempre foi bem disciplinada e mesmo que não tenha estudado Finanças, sempre foi uma referência em finanças pessoais para mim… sabe aquelas pessoas que lidam bem com o dinheiro de uma forma natural não importa o quanto ganhem?

Bem, a conversa foi desenrolando e entendi que o que a preocupava era a dívida do apartamento que ela tinha comprado financiado. Menos mal…

O apartamento que ela comprou provavelmente já mais que dobrou de valor de 5 anos para cá, foi um excelente negócio. Hoje, o que ela recebe de aluguel por ele cobre o valor das prestações mensais do financiamento… é como se o inquilino estivesse comprando o apê para ela.

Em diversas análises possíveis, ela fez um bom negócio. E ainda assim estava preocupada pela dívida que tinha construído.

Ela tem razão por um lado: ela está endividada. O lado positivo é que ela está construindo bem seu patrimônio. Um pouco de preocupação não causa mal a ninguém… mas apesar de endividada, ela está bem, no caminho certo.

Mas para entender melhor o que significa estar ou não endividado, é importante entender o conceito de dívida líquida.

O que é dívida líquida

A definição seria: o valor dos empréstimos menos o total de disponibilidades.

O valor dos empréstimos é sua dívida bruta e disponibilidades qualquer coisa que possa ser transformada rapidamente em dinheiro como investimentos com liquidez e… dinheiro mesmo.

Neste caso, se minha amiga acredita que conseguiria vender rapidamente o apê dela e tivesse disposta a fazê-lo, então ela poderia não se considerar endividada.

É claro que as regras contábeis seguem instruções mais rígidas quanto a isso. Mas o conceito de dívida líquida é enormemente aplicada às empresas.

Quando se diz que uma empresa está endividada, significa que tem mais dívidas que disponibilidades, o que é em até certo ponto natural e saudável se a empresa tiver boa capacidade de geração de caixa.

O mesmo se aplica a países. Em 2008, quando Lula disse que pela primeira vez na história do Brasil, o país não era mais devedor externo. Significa que ele pagou toda a dívida externa que o Brasil tinha? Não, e nem seria racional que fizesse.

Acontece que naquele momento, pela primeira vez na história o Brasil tinha um saldo de Reservas Internacionais maior que o saldo de dívida externa.

E isso se aplica também às famílias. Sempre recomendo o uso do FIES para os alunos de faculdades privadas. A taxa de juros é muito baixa e o prazo para pagamento é longo de tal forma que se o aluno aplicasse o valor que pagaria de mensalidade caso não usasse FIES, num investimento (até a poupança mesmo), ele receberia ao longo dos anos de juros muito mais do que seria cobrado dele pelo FIES.

O mesmo em compras parceladas em cartões de crédito, que sempre defendo aqui. Caso não haja qualquer desconto na compra a vista, pagar parcelado sem juros vale a pena – principalmente num país de juros altos como o Brasil.

As tabelas abaixo mostram a evolução da dívida líquida em 2 hipóteses. Na primeira tabela, a compra é feita a vista através de um cartão de débito ou dinheiro mesmo. Na segunda, foi feito um parcelamento de 10 vezes sem juros no cartão de crédito e o montante principal deixado numa caderneta de poupança rendendo juros mensais.

Atenção apenas que dívida líquida negativa é bom, é saldo, ou seja significa que a dívida bruta é menor que as disponibilidades.

28.02.15

Veja que no momento final do segundo caso, o consumidor termina de pagar o que comprou e ainda lhe sobram R$63. Por que? Como ele tinha o dinheiro para pagar a vista mas não tinha nenhum desconto que o incentivasse a fazê-lo, ele decidiu por pagar em 10x sem juros no cartão de crédito e deixar o montante principal rendendo na Poupança (poderia ser num CDB, Fundo DI ou até mesmo no Tesouro Selic, antiga LFT).

Apenas por fazer isso, ele foi recompensado com R$63 fora os pontos que acumulou por ter preferido usar o cartão de crédito ao invés do de débito.

R$63 apenas pela opção crédito numa compra! Imagina isso aplicado ao longo da vida, no dia a dia… o quanto que isso não significa… por isso mtas vezes eu repito o quanto é importante saber lidar com o dinheiro. Nem sempre é o quanto vc ganha ao mês, mas o que vc faz com o que vc ganha que define seu padrão de vida.

Ainda hoje, mesmo no mundo financeiro as vezes a gente se depara com pessoas que temem usar o cartão de crédito porque não querem se endividar. Confundem os conceitos de dívida líquida com dívida bruta.

Fazer dívidas pode ser saudável se você tiver dinheiro ou aplicações com liquidez suficiente para cobri-las. Não é a dívida bruta que é ruim de todo, mas a líquida é a que você deve evitar. Mas nem sempre também… como foi o caso da minha amiga. Ela está endividada sim, mas por um motivo para lá de justificável.

Espero ter ajudado!

A todos um grande abraço!

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