Henriquecer9999999999999999999992

Meio que de repente parece que ficou tudo barato por aqui. Lá se foi o tempo em que um apartamento no Leblon custava mais que um palácio na França. Hoje não. Viajar para o Nordeste pode ainda parecer caro para quem ainda não sentou para fazer as contas, mas sai muito mais barato do que viajar para fora.

Em 2013, a população do Rio foi às ruas protestar contra um aumento de 20 centavos no transporte público, mas vejam só.. 2 anos depois, apesar do aumento ter sido ainda maior, hoje, uma passagem de ônibus custa meros $0,88 na cidade – o equivalente a apenas um terço dos $2.50 praticados em NYC (ou dos $2.25 em Toronto, $2 em Paris, dos quase $4 em Londres, e por aí vai…). Um ingresso para o cinema no Rio custa menos da metade do preço em LA ou NYC. Até uma promoção do Mc Donalds está hoje custando pouco mais de $5, uma pechincha se comparado à média da Europa ou mesmo dos EUA.

O metro quadrado da “capital da bolha brasileira” – o Rio – está valendo menos do que o de Miami, cidade americana conhecida pelos preços baixos, mas que sempre serviu de parâmetro de comparação para os brasileiros. Parece um sonho ao lembrar que há meros 2 anos reclamávamos que tudo aqui era muito mais caro que lá fora.

E então nos tocamos que a inflação acumulada nos últimos 12 meses beira os 10% e que não só os nossos preços em dólares que ficaram mais baratos: nossa renda também. O bom salário de R$6 mil mensais equivale a apenas um salário mínimo na França ou na Inglaterra. Ficamos baratos no Brasil, todos nós.

Mas como costumo dizer, o câmbio do vizinho é sempre mais verde. Se o real ganha força frente às outras moedas, reclamamos que os preços aqui estão altos (mesmo se a inflação interna permanecer sob controle). Se o real se desvaloriza, reclamamos que um advogado aqui recebe menos que um housekeeping nos EUA.

Há ainda quem use o argumento “mas eles ganham em dólares” para justificar que não vale a pena converter agora que o Real vale pouco. Argumento que por um lado não tem muito sentido. 1 iene japonês equivale a R$0,04 e ainda assim é considerada uma das moedas mais valorizadas no mundo. A relação de troca entre as moedas, embora com ressalvas, é o melhor parâmetro que existe para igualar os valores de cada moeda (além da PPC). Hoje, um dólar vale R$3,86. É isso e ponto. Esta ideia de 1 para 1 não passa de uma confusão mental. Ou então, o Paraguai seria o melhor país do mundo para se trabalhar já que todos por lá ganham milhões de guaranis por mês.

Mas de fato a relação entre o que se ganha e o que se gasta permanece melhor na Europa e nos EUA. E isto independe do câmbio que estejamos aplicando. E sempre foi assim… este inclusive é um dos motivos pelo qual eles são considerados países desenvolvidos e o Brasil um país em desenvolvimento. As vezes não nos damos conta deste “pequeno” detalhe… uma armadilha fácil de entender num país que já foi muito bem definido como “Belíndia”, onde os moradores da parte “belga” as vezes se assustam quando se dão conta de que existe uma enorme “Índia” bem ao seu lado. E se em algum momento você se questionou por que comparei os preços daqui com capitais europeias e americanas, e não mexicanas, argentinas ou sul africanas. Este é o motivo.

Fato é que num mundo globalizado, com maior fluidez de comunicação, com maior fluxo de viagens a turismo e a negócios, faz cada vez mais sentido comparar preços e salários. Há cada vez mais oportunidades para migrar, estudar e arrumar emprego em outros países. Somos cada vez menos brasileiros, portugueses, australianos, americanos… e cada vez mais cidadãos do mundo. E neste contexto global, esta região geográfica conhecida como Brasil está voltando a se lembrar como era ser pobre. Estamos pobres. De novo.

Até a próxima!

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