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Contratos de Sign and Go para financiamento de automóveis de luxo

“A Cacá não é pobre. Na casa dela eles tem televisão, geladeira, ventilador e até liquidificador”. Era início dos anos 90 e Cacá era a mulher que trabalhava lá em casa (uma pessoa sensacional diga-se de passagem).

Quem tem boa memória vai lembrar de um tempo em que tudo isso era quase artigo de luxo. Quem era pobre mesmo não tinha acesso à nada disso.

Um dia, para todos nós, aparelho celular era artigo de luxo, viajar para fora do país idem, assim como ter um carro, um laptop, smartphones, TVs de LCD etc. O tempo passa e o que antes era considerado um luxo inalcançável se torna básico ou ao menos muito mais acessível.

Ter um carro de luxo, por exemplo, está deixando de ser apenas para quem tem muito, muito dinheiro. A principal questão não é tanto se é possível, mas se vale ou não a pena tendo em vista a quantidade de opções de consumo e serviços disponíveis nos tempos atuais.

Para quem é realmente fã de carros e sempre sonhou em ter um carro de luxo, pode já ter ouvido falar nos contratos de “Sign and Go”, financiamentos flexíveis criados para tornar veículos de luxo acessíveis a uma gama maior de consumidores ao mesmo tempo visando a fidelização de clientes. Mas este tipo de financiamento vale a pena?

Como funciona

Em geral, o fluxo de pagamento é composto da seguinte maneira:

  1. Entrada entre 0% e 49% do valor do veículo
  2. O consumidor financia apenas a diferença entre a metade do valor do carro e o que deu de entrada num prazo de 24 meses
  3. Ao final dos 24 meses, o cliente paga o saldo devedor de 50% do valor de compra do veículo ou entrega o carro (e possivelmente recebe até um dinheiro de volta).

A grande vantagem é que o financiamento é de metade do valor do carro (descontada a entrada) e os 50% restantes serão pagos após 24 meses. No final, a concessionária ainda se compromete a recomprar seu carro por no mínimo 50% de seu valor de compra.

Para checar se vale ou não a pena, resolvi simular a modalidade no site da BMW e compará-la a outros tipos de financiamento como o CDC e o Leasing, além do pagamento a vista. O carro simulado foi o BMW 120i Sport Line Active Flex, no valor de R$ 109.950.

O que fiz na tabela abaixo foi trazer a valor presente os fluxos de pagamento de cada uma das modalidades descontadas a uma taxa de oportunidade (0,85% ao mês), que reflete o custo do dinheiro ao longo do tempo. Ou seja, a taxa pela qual eu seria remunerado caso resolvesse aplicar o dinheiro ao invés de gastá-lo.

Sign and Go

Ao analisar os diferentes fluxos de pagamento, podemos dizer que o “Sign and Go” de fato é a modalidade mais interessante de financiamento se comparada ao CDC ou ao Leasing. Ou seja, além de mais acessível, já que as parcelas são mais baixas, ainda é mais barata, com uma taxa de juros embutida relativamente menor!

Cabe observar que apesar disso, ainda é financeiramente mais vantajoso pagar a vista. Parece uma afirmação óbvia já que aqui no Brasil a gente parte do pressuposto de é sempre melhor pagar a vista do que financiar, o que nem sempre é verdade.

Outro ponto importante a se considerar é a suposta “vantagem” da recompra garantida após os 2 anos. Como muitos clientes não querem (ou sequer tem os recursos suficientes para) pagar a parcela final do “Sign and Go”, eles acabam entregando o carro no final do período (ou trocando de carro mais uma vez). Mas nem sempre a recompra vale a pena. Considerando que um carro tende a se desvalorizar em média entre 20% e 30% no período de 2 anos, a recompra só é vantajosa se o valor que a concessionária oferecer for maior do que o que você conseguiria ao vender o carro no mercado. Isto sim é bem óbvio mas digno de nota.

A recompra garantida é, então, apenas uma maneira da concessionária te tranquilizar em relação à parcela final, como quem diz “fica tranquilo, que este valor grande do final você não precisará pagar se não tiver o dinheiro. Basta entregar o carro após tê-lo aproveitado pelos 2 anos e pronto.”

Portanto, o “Sign and Go” é uma modalidade interessante para os amantes de carro e aos que gostam de trocá-lo a cada 2 anos. Nem tanto pelo custo mas principalmente por ser mais acessível. Mas como mostrei, pagar a vista continua sendo melhor, e ao ter disciplina e investir o dinheiro que pagaria numa parcela, não só economizará nos juros pagos como ainda receberá juros por isso.

Até a próxima!

Abraços,

PS: Leasing e CDC simulados no Bradesco. 0,85% é o custo de oportunidade dada a Selic de 14,25% a.a. descontada do IR.

Créditos ao Daniel Amaral!

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Não adie mais, tempo é dinheiro!

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