Henriquecer99999999999999999999995

Acordo cedo no final de semana para comprar pães na padaria. Eu tenho o dinheiro, mas me faltam pães. O padeiro tem o pão, mas o faz para receber dinheiro, de modo que esta troca de dinheiro por pão (e vice versa) acaba por beneficiar ambas as partes. Todos saem ganhando – cada parte acaba em uma condição melhor do que a que estava antes da troca. E é assim que deve ser em qualquer troca (entenda como compra, venda, aluguel etc).

Melhorar a condição de um sem piorar a condição de outro. Este é o básico do que é conhecido em economia como Ótimo de Pareto, uma situação na qual todas as trocas possíveis entre agentes já foi feita, de forma que qualquer troca adicional acaba por prejudicar ao menos uma das partes. É uma situação de equilíbrio e otimização de bem estar.

Pareto era francês, embora com pai italiano, e dava aulas na Suíça onde substituiu outro grande economista francês, Leon Walras. Ambos complementavam teorias de economistas ingleses como Adam Smith e William Jevons.

O conceito de livre mercado e utilitarismo se expandiu pelo mundo e se tornou popular nos EUA.

Regionalizo seu percurso para talvez evidenciar que o conceito passou bem longe daqui.

No Brasil, o conceito é estranho. Em geral, é claro. Aqui, o ótimo de Pareto é capenga. Uma troca em que 2 partes ganham é vista com desconfiança, descrédito: “só fez por que era bom pra ele também” argumenta-se, como se o fato de alguém buscar seu próprio bem desqualificasse uma troca. A gente valoriza uma cultura do sacrifício, do péssimo de Pareto.

Muitas vezes, para uma troca ser vista como boa pela sociedade, um lado tem que ficar pior do que antes dela.

Nos EUA são comuns os garage sales onde as famílias põem a venda a preços irrisórios o que não mais lhe servem para que possa ter maior proveito a quem comprar. Quem compra, o faz porque vê utilidade no que está levando. No resultado, quem vende ganha um dinheirinho, quem compra, faz um bom negócio.

“Você vai vender essas coisas velhas? Por que não doa a quem precisa?”. No Brasil é assim. É o péssimo de Pareto, onde para que uma troca seja vista como boa, uma das partes deve abrir mão dos ganhos. Extrapolando o conceito, as vezes nos perguntamos por que estamos atrasados em relação a outros países no mundo? Um bom motivo talvez seja que por lá as trocas beneficiam 2 partes. Aqui, só tem valor quando beneficiar metade.

No Brasil, valorizamos dar o peixe mais do que ensinar a pescar. No fim, acaba por faltar peixes. Afinal, se ninguém aprende a pescar, não há peixes.

Contamos histórias curiosas sobre como o filho de Warren Buffet trabalhava dirigindo trator em uma fazenda, mesmo quando o pai já era multimilionário ou como o filho de David e Victoria Beckham foi trabalhar em um café de Londres aos 15 anos. É extremamente curioso para um brasileiro ouvir isto. Pode até achar interessante na teoria, mas vai um brasileiro fazer isto a seu filho! Nossa cultura classifica isto como mesquinharia, egoísmo, pão durismo e por aí vai.

Em um antigo trabalho, o CFO da minha empresa, alemão, abria as portas de casa para a festa de fim de ano da diretoria. Quem nos servia? Seus filhos e amigos dos filhos que eram pagos para servir de forma séria e profissional a todos os funcionários. Faz parte da educação deles. Lá é normal e aqui?

Aqui, as pedaladas fiscais são justificadas. Serviram para pagar programas sociais como Minha Casa Minha Vida e o Bolsa Família, diz o governo. Resume bem a cultura brasileira.

A crise econômica criada pelas pedaladas gerou uma legião de desempregados. Tiramos o emprego para dar bolsa? Paramos de pescar para dar o peixe… Estranhamente, aqui no Brasil, isto parece fazer algum sentido.

A todos um grande abraço!

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