Essa é um historinha bacana. Verídica. Aconteceu na Holanda do século XVII e é mto conhecida no meio de finanças. Aliás, a Holanda tem histórias financeiras incríveis.

Bom, tudo indica que as tulipas foram levadas da Turquia à Holanda e logo caíram no gosto dos endinheirados da região. Os holandeses que, a esta altura, já eram mestres em fazer dinheiro, identificaram uma oportunidade ali.

A origem deste frenesí parece ter sido um vírus que contaminava uma tulipa deixando-a fraca e danificando seu pigmento. Mas curiosamente esta pigmentação diferente deixava a tulipa ainda mais bonita. Como a planta atingida por este vírus era rara (além de adorada), seu valor se tornou estrondoso. Logo, uma planta deste tipo equivaleria ao preço de um apartamento de R$200 mil hoje.

A valorização da tulipa infectada fez o preço das demais tulipas também subir. Ora, perto de uma tulipa de R$200 mil, R$20 mil parece uma pechincha, né?

Os floristas só faziam negócio na primavera, quando os bulbos floresciam. Mas conforme os preços foram aumentando, não faltava quem quisesse investir nos bulbos sem flores ainda no inverno. Na verdade, as tulipas passaram a ser vendidas antes mesmo das flores surgirem.

Os principais compradores desses bulbos sem flores eram os especuladores que, de forma bem esperta, pagavam um preço bem inferior para revender aos interessados os bulbos já com flores poucos meses depois. Convenhamos, um negoção! E o negócio se alastrou… a um ponto em que um holandês qualquer que acordasse sem dinheiro, poderia pegar um empréstimo de manhã, comprar uma tulipa ao meio-dia, vender mais caro a tarde, pagar o empréstimo e ir dormir com lucro.

A liquidez do negócio era absurda (ainda mais se considerarmos as restrições tecnológicas da época). Sempre tinha alguem querendo comprar uma tulipa pelo preço que fosse.

Em 1636, o preço da tulipa infectava subiu 300%. As tulipas “mais baratas” (não infectadas) chegaram a se valorizar mais de 1.000%!

É claro que esse mercado já não tinha mais nada a ver com a demanda de flores como artigos de luxo. As pessoas compravam as tulipas com a certeza de que elas se valorizariam – sempre e para sempre.

Mas uma hora, começou a faltar compradores… para piorar, foram descobertas fraudes: floristas que vendiam contratos de tulipas que nem existiam. Eles também não sabiam que as tulipas pigmentadas eram infectadas por vírus (na verdade, nem sabiam o que era vírus) e que se elas não fossem infectadas, nascia apenas mais uma tulipa normal. O mercado minguou.

Há quem tivesse vendido casa e carruagem para investir nesse negócio… e subitamente, uma tulipa já não valia mais nada. Eram os subprimes da época. O Governo holandês teve que intervir, perdoando dívidas de familias falidas. A economia afundou, e demoraria anos para que voltasse ao normal.

Tudo passa, em seu devido tempo. Certamente a crise deixou feridas inesquecíveis nas vidas de muitas famílias holandesas. Mas talvez não tão inesquecíveis assim para o resto da humanidade… volta e meia parece nos abater uma amnésia… e de repente surgem bit-ideias, com bit-justificativas… até talvez descobrirmos tudo não passa de mais um vírus…

A todos um grande abraço!

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