Denilson of Real Betis in action

 

Denilson foi um jogador de futebol bem famoso (certamente você conhece) que apareceu no São Paulo em 1994. 4 anos depois, aos 20 anos de idade, foi vendido ao Real Betis da Espanha por 38 milhões de dólares – até então, a maior transação do futebol brasileiro na história.

Querendo saber mais sobre o jogador, um jornalista esportivo espanhol ligou para um amigo brasileiro, também jornalista, querendo informações sobre o “craque”.

– Você poderia me falar um pouco mais sobre este Denilson. Por que ele é tão valioso? perguntou o espanhol.

– Claro, Denilson é um jovem jogador com um potencial incrível, melhor que Ronaldo, talvez a maior revelação do futebol brasileiro desde Pelé. Respondeu o brasileiro.

– Que maravilha! Ele é artilheiro do campeonato, fez muitos gols?

– Na verdade, não. Ele não é centro avante, joga mais recuado, mais como meia.

– Entendi. Então é aquele camisa 10, um grande armador? insistiu o jornalista espanhol.

– Também não. Ele não é bem um jogador de dar assistências, na verdade ele ainda prende muito a bola… algo que ele precisa trabalhar. O Denílson joga mais pelos cantos do campo.

– Ah sim. Joga pelo lados. Então cruza bem a bola?

– O cruzamento também não é o forte dele.

– Ele marca bem?

– Não.

– Bate bem faltas, pênaltis, cabeceador?

– Também não é isso.

– Bem, então, honestamente, não entendo como este jogador pode ser considerado a melhor revelação do futebol brasileiro desde Pelé…

O fato é que, logo em seguida, Denilson foi muito mal no Real Betis, foi reserva na Seleção Brasileira daquele ano e seu time foi rebaixado no Campeonato de 99-00 para a segunda divisão espanhola. Denilson foi emprestado de clube em clube e jamais conseguiu entregar o que se esperava dele no início da carreira.

A questão é: por que se esperava dele isso tudo?

Existe uma armadilha psicológica em todos nós que nos leva a interpretar situações com base em pressupostos muito subjetivos e frágeis… que nos levam a tomar decisões erradas.

A isto, chamo de “efeito-Denilson”, o que parece mas não é. E você vai encontrar um ‘Denilson’ em várias situações na vida. No trabalho, tem sempre um colega que não produz nada demais mas que é considerado um bom profissional “sabe-se lá o porquê”, artistas, pinturas, superavaliadas etc … até mesmo no próprio futebol, quando mais novos, sempre tem um com pinta de bom jogador, cara e perfil físico, tem grandes chances de ser considerado melhor que um gordinho branquelo só que mais eficiente que ele.

As aparências enganam

Esta é a história que eu contava aos meus funcionários quando era gerente. Eu fazia feedbacks e acompanhamentos trimestrais com cada um deles. Dizia: levem suas avaliações baseadas em “fatos e dados”. Fatos e dados sempre. Sem achismo… “eu acho que”.. “porque eu tenho a impressão que”… É importante que a análise seja fundamentada: “eu acredito que você precisa melhorar nisto e nisto, a exemplo do trabalho que você fez, blá blá blá…”. É assim que os profissionais de RH, psicólogos corporativos etc, recomendam que se faça. E eles tem razão. A subjetividade atrapalha a tomada de decisões racionais.

E o mais importante: isto não serve apenas para o mundo profissional ou para o futebol. Isto serve para as diversas escolhas da vida. Pôr as características em questão num pedaço de papel é fundamental. Pode ser em excel também.

HC00.2

Foi o que fez Ross no seriado Friends. Ao ter que escolher entre Rachel e Julie, listou os prós e contras de cada uma delas… (talvez neste caso ele tenha exagerado um pouco rs).

Faço isso ao receber uma oferta de trabalho, decidir onde morar, a escolha entre investimentos e até sobre qual Universidade cursar. No fim, você saberá quais argumentos o levaram a tomar determinada decisão. Ajuda muito a organizar as ideias.

Neste processo, não ter todas as informações é normal, afinal ninguém é capaz de prever o futuro completamente. Mas com as poucas informações que se possui, sempre é possível tomar “a melhor decisão possível”.

Este processo de listar, de “por no papel” é fundamental. Caso contrário, as chances de errar brabo aumentam muito. É preciso controle nas suas decisões, nas suas finanças, seus exercícios físicos, na alimentação e tudo mais.

Porque você pode ter a impressão de que suas finanças estão sob controle sem que elas realmente estejam.

HC00.1

Em Batman Begins, Rachel (outra Rachel agora) ao encontrar Bruce Wayne, ensopado depois de ter mergulhado de roupa na piscina, com mais 2 meninas pouco discretas saindo de um restaurante.

– O trabalho está cada vez pior. diz Rachel ao Bruce.

– Rachel, você não pode mudar o mundo sozinha.

– E que escolha eu tenho, se você só quer saber de mergulhar em piscinas?

– Rachel, tudo isso… não sou eu. Dentro de mim, eu sou mais.

– Bruce, lá no fundo talvez ainda seja aquele ótimo garoto que era. Mas não é o que você é por dentro e sim o que faz que define você.

Então, este é o meu recado. Num mundo cheio de pessoas boas que não fazem o bem, profissionais bons que produzem muito pouco, homens inteligentes sem muito conhecimento, craques que não jogam nada e pessoas ricas sem dinheiro… de tudo isto: seja! Porque ser é melhor do que só parecer ser e reconheça quem é pelo o que faz. 

A todos, um grande abraço!

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