HC0.9

“Eu não nasci para ter chefe, acordar cedo todos os dias, ficar trancado num escritório desde as 8h, sem hora para sair.”

Eu também não nasci para ter chefe. Eu aprendi a ter chefe… e vou dizer que valeu a pena. Aprendi a ser subjugado, a ter disciplina, reconhecer meus próprios erros e entender onde posso melhorar e a lidar com coisas que não aprovo, que não concordo e que nem mesmo acredito estarem certas. Aprendi a lidar com frustrações… diversas… a ser pouco reconhecido… para enfim ser reconhecido.

Eu mesmo já fui chefe, deixei de ser… e na boa, não é fácil ser chefe. É mais fácil criticar de longe. Porque quando se é chefe, todos nossos erros, cada defeito,  vacilo e fragilidade tomam uma proporção muito maior. E exatamente por isso é importante TER chefe: para saber o que fazer e também o que não fazer.

Humildade. Esse é o nome que melhor define. Eu não nasci para ter chefe, mas também não nasci falando, andando ou escrevendo. Tem coisas na vida que se desenvolve – mas apenas para quem está a fim de se desenvolver (embora as vezes a vida não nos dê muitas escolhas).

Mas falar sobre o quanto é importante aprender a ter um chefe não rende muitas visualizações, curtidas ou compartilhamentos. As pessoas preferem as histórias mágicas das revistas de como alguém teve uma grande ideia e subitamente ficou rico. Ilusão. É preciso esforço, desprendimento, coragem.

Um empreendedor que nunca teve um chefe dificilmente saberá como ser um [talvez por isto a maior parte das empresas brasileiras fecham em menos de dois anos]. Digo mais. Não será apenas lendo livros que saberá a diferença real entre um chefe e um líder. É preciso vivenciar. Inteligência emocional é o que falta a uma geração de hiper-diplomados que falam mais de 3 idiomas, moraram no exterior e possuem diversas pós graduações antes dos 25 mas que não sabem lidar com situações às quais são contrariados.

O que se dirá de um empreendedor? Que ele não possui chefe e faz o que quiser? Errado. Acredite nisto mas só até abrir seu próprio negócio. Como empreendedor, você não tem um chefe, mas vários. Cada cliente será seu chefe e com cada vontade que te deixará pasmo. E tente ignorar seus desejos e você entrará na estatística da falência antes dos 2 anos de empresa.

Também tem a história dos que largaram tudo para fazer o que sempre sonharam. Mas apesar do foco na parte “largar tudo”, a verdade embutida é que para largar algo, é preciso construir algo que se possa largar. Ora, se trabalhou durante 20 anos num banco de investimento e quiser largar tudo depois, ótimo. Agora, meu amigo, se acabou de sair da faculdade com o diploma debaixo do braço só querendo “fazer o que gosta”, o conselho é meu ok? A melhor forma de fazer o que ama é amar o que faz porque… na boa… por melhor que seja a atividade, a partir do dia em que se torna seu ganha-pão, perde boa parte do charme – assim como aquela música favorita que você colocou como seu toque de despertador e em menos de uma semana passou a odiá-la.

Agora, é claro que todo esforço despendido é sempre proporcional às suas ambições. Se vender pulseirinhas na praia é sua decisão, não há nada de errado,  contanto que se viva de acordo.

Lá fora é popular o ditado “no pain, no gain”… aqui no Brasil, não temos isto tão claro… Enfim, aos que não querem ter chefe, conquiste! Porque é plantando que se colhe. Isto é bem mais seguro do que acreditar que você nasceu com algum tipo de divindade que te impede de ralar num mundo em que muita gente que decide levar uma vida honesta acorda quase de madrugada para pegar um (ou mais) ônibus lotado só para ter o direito… de ter um chefe.

A todos um grande abraço e, como diria o Raiam dos Santos, rise and grind!

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