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Reza a lenda que há muito tempo atrás, um rei pedira ao seu cartógrafo que fizesse um mapa com todas as características do seu reino. O mapa deveria ser perfeito e respeitar cada detalhe de cada esquina. O cartógrafo então, mostrou um grande mapa mas que pela restrição da escala ainda era muito simplificado na visão do rei. A cada vez que o cartógrafo voltava, o rei o mandava voltar e incluir algum novo item com maior precisão possível. No fim, o mapa ficou tão perfeito e reproduzia de maneira tão idêntica a realidade que seu tamanho era tão grande que cobria o Reino inteiro. Este mapa perdeu sua função. Ele não servia para nada.

 

Ao estudar economia você se acostuma com situações como “imagina que não há Governo”, “supondo que não haja resto do mundo”, “digamos que não houvesse mercado financeiro” e coisas do tipo…

A verdade é que o mundo é tão cheio de complexidades, de detalhes pequenos e distrações que muitas vezes é preciso “desligá-los” para que a gente possa entender o essencial.

Vejo muita gente por aí que não faz a menor ideia de o que é uma organização econômica social. Gente que pensa que trabalhar não é vida, que o consumo é uma bobagem, que os salário são baixos, os empresários são maus, o dinheiro é uma maldição entre outras coisas que fazem menos sentido ainda.

Então, para tentar simplificar a sociedade em que vivemos, imagine que um grupo de pessoas – suponhamos cansadas do capitalismo global e querendo uma vida mais simples – fugisse a uma ilha deserta para montar uma sociedade alternativa.

No inicio todos fariam de tudo um pouco… só até os desafios da sobrevivência surgirem e perceberem que uns tinham mais gosto e aptidão por algumas tarefas do que outros. João pescava 10 peixes enquanto Pedro apenas 5 no mesmo período de tempo. Mas quando o assunto era construir uma cabana, a de Pedro era muito mais resistente.

Com as dificuldades, os dias de fome e os de desabrigo, perceberam que o mais inteligente seria que cada um focasse no que era melhor e/ou no que gostasse mais de fazer. Com isso, formaram-se as profissões.

Conforme os dias iam passando, ao fazer o mesmo trabalho todos os dias, os agora trabalhadores iam se especializando. João não pegava mais apenas 10 peixes no tempo de antes. Com a experiência adquirida, ele aprendeu a entender o movimento dos peixes conforme as marés, a entender a melhor maneira de cerca-los dependendo dos cardumes, desenvolveu redes mais eficazes… a repetição o levou a melhora. Ou como dizemos, a prática leva à perfeição. Agora, João era capaz de pegar a quantidade de peixes suficiente para alimentar toda a ilha.

E cada um ia trocando com o outro o que produzia e fosse de interesse para cada um. Perceberam com isso, que uma casa não se constrói ao mesmo tempo em que se pesca. Então, ao terminar uma casa e trocá-la por peixes, Pedro não recebeu um montante de uma só vez… mas um papel de João prometendo-lhe uma quantidade de peixes futuros capaz de alimentar Pedro pelo longo tempo enquanto ele trabalhava construindo uma nova casa.

Com o tempo, Pedro querendo comer batatas ao invés de peixes, trocou o papel da promessa de João por peixes com um cara que tinha batatas mas queria peixes.

Os papéis começaram a rodar e contavam com a confiança de que cada um honraria o que estava prometido. Esta confiança dava aos papéis, valor. E eles facilitariam as trocas… como todos aceitavam, era mais fácil organizar desta forma. Se eu não quisesse comer peixe hoje, trocaria amanhã ou o usaria com batatas, roupas ou seja lá o que necessitasse. Assim foi criado o dinheiro.

Aos poucos – ao enfrentar as dificuldades naturais da vida – a sociedade alternativa foi evoluindo e se transformando em algo muito parecido a tudo o que ela tinha deixado para trás. Mas desta vez estava tudo bem… como ela tinha vivenciado todos os desafios da sobrevivência, seus membros passaram a entender o porquê daquilo tudo.

O homem teme o que ele não conhece. Nascer em um mundo com tanta complexidade pode ser assustador. Quando criança, ao olhar em volta, a impressão pode ser de que está tudo em ordem. Ao crescer e entender seus defeitos e fraquezas, muitos questionam, sofrem, se desiludem… Mas o mundo não está pronto. Ele está muito mais para “Desculpe-nos o transtorno. Estamos trabalhando para melhor servi-lo no futuro”.

Há muito que é difícil entender. Com o que a gente não entende, jamais iremos concordar. Mas lembre-se sempre que o mundo em que vivemos hoje é resultado da superação de todas as dificuldades que as gerações passadas passaram. E… embora para o nostálgico, o melhor cafezinho seja sempre o de antigamente… para quem é capaz de entender, com todas as dificuldades do mundo atual (a maior parte por sinal sempre existiu) estamos caminhando para a frente.

A todos um grande abraço!

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