Class Of University Students Using Laptops In Lecture

Apesar de sempre mostrar aqui como investir melhor o seu dinheiro, acredito que na maior parte das vezes, o melhor investimento é em educação.

E ainda que hoje em dia seja possível ter acesso a uma gama enorme de conhecimento sem custo muito alto através de blogs como este, aulas no youtube e de universidades de ponta online com conteúdo gratuito, ter um diploma ainda significa muito e é requisito básico para crescer em muitas profissões.

Como o investimento é alto, o FIES pode ser uma alternativa. A questão é: vale a pena? Para não fazer nenhum suspense, vou mostrar que o FIES é sim uma excelente opção!

O que é o FIES?

É um programa de financiamento da graduação em cursos superiores privados. Ou seja, é um empréstimo e não uma bolsa propriamente dita.

Desde o 2º semestre de 2015 o programa funciona da seguinte maneira:

Fase de utilização: Durante o período de duração do curso, o estudante pagará, a cada três meses, o valor máximo de R$ 150, referente ao pagamento de juros incidentes sobre o financiamento.

Fase de carência: Após a conclusão do curso, o estudante terá 18 meses de carência para recompor seu orçamento. Nesse período, o estudante continua pagando apenas o valor máximo de R$150, a cada três meses.

Fase de amortização: Após estes 18 meses, começa o pagamento do principal + juros. O saldo devedor será parcelado em até 3  vezes o período financiado da duração regular do curso.

Exemplo:

Um estudante que financiou todo o curso com duração de 4 anos:

  • Durante o curso: Pagamento trimestral de até R$ 150,00.
  • Carência: Nos 18 meses após a conclusão do curso, o estudante pagará, a cada três meses, o valor máximo de R$ 150,00.
  • Amortização: Ao final da carência, o saldo devedor do estudante será dividido em até 12 anos [3 x 4 anos (período financiado do curso)].

A partir do segundo semestre de 2015, a taxa de juros passou a ser de 6,5% ao ano.

Afinal, vale a pena?

Em 2010, ano em que o novo FIES surgiu, eu trabalhava na área de Relações com Investidores de uma das maiores instituições de ensino privado no Brasil.

A expectativa do mercado como um todo era de que as matrículas em Ensino Superior no Brasil iriam bombar com o novo programa. Era, ao nosso ver, um programa de ganhos múltiplos: i) bom para o aluno que poderia agora cursar uma faculdade pagando uma taxa de juros baixíssima; ii) bom para as universidades que, com mais alunos matriculados, cresceriam receitas e diluiriam custos fixos podendo oferecer no futuro programas até mais baratos, e iii) por fim, era bom para o Governo já que o custo do subsídio do programa ainda era menor do que o de abrir novas vagas em Universidades Públicas ou conceder bolsas.

Mas o novo FIES, mesmo excelente e com uma publicidade enorme no mundo acadêmico, demorou para decolar.

Eu e mais uns 15 outros funcionários fomos selecionados para visitar as secretarias de alguns campi pelo Brasil no período de matrículas para entender por que as pessoas não usavam um produto que era tão bom para elas.

Atendi muitos alunos, conversava com eles tentando entender suas percepções sobre o programa. Descobri que muitos funcionários – apesar de bem treinados quanto às regras do programa – não entendiam o quão favorável economicamente ele era.

Aprendi que cão mordido por cobra tem medo de linguiça

Num país como o Brasil em que as taxas de juros em geral são altíssimas, você usar a palavra “empréstimo” já assusta. Ninguém quer se endividar! A maior parte das pessoas nem consegue avaliar o custo real de um empréstimo.

Então aparece um financiamento com taxa de juros baixíssima e o cara te olha desconfiado. Quando a esmola é demais, o santo desconfia. Ainda mais quando você diz que é um programa do Governo, o cara pensa “é mais alguma maneira do Governo te roubar” ou da instituição de ensino de tirar mais dinheiro de você.

Mas usando números, fica mais fácil entender o quão diferente é o FIES dos demais empréstimos. A tabela abaixo compara os juros do FIES com algumas outras taxas de mercado.

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Os juros do FIES são menores do que os que você poderia receber aplicando em títulos públicos do Governo, como a LFT (chamada também de Tesouro Selic) que lhe pagam juros brutos anuais de aproximadamente 14% ao ano.

Isso significa que mesmo tendo o dinheiro para pagar sua mensalidade a vista, é preferível usar o FIES e investir o dinheiro que você estaria pagando na mensalidade no Tesouro Selic. Com o dinheiro que você investiu você vai sacando para pagar o financiamento do FIES.

Como o seu investimento estará investido em uma taxa de juros maior do que a que está sendo cobrada pelo financiamento, no final, mesmo após ter pago todo o empréstimo, você ainda estará com dinheiro!

Numa conta aproximada, um curso de 4 anos, com mensalidade de R$ 500 ao mês, ao investir numa LFT e depois pagar o empréstimo do FIES com as economias, no final do período ainda te sobrariam R$ 31.000! Estes R$ 31 mil no valor de hoje, equivaleriam a ~ R$ 14.000 descontados pela inflação projetada pro período. Ainda assim, bastante grana!

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Investimento em LFT em financiamento do FIES: ao investir o valor da mensalidade, no futuro os juros do rendimento serão suficientes para pagar a parcela mensal do FIES.

Até fazer isto usando a caderneta de poupança ao invés da LFT daria um resultado positivo. O resultado seria bem menor, claro: R$2.700 ou ~R$1.250 no valor de hoje. Mas ainda um montante respeitável.

Entender finanças tem isso de bom, te facilita a tomar as decisões disponíveis mais inteligentes.

Mesmo assim…

… cabe dizer que algumas pessoas que conseguiam entender os benefícios do programa, ainda voltavam com o argumento “entendo exatamente o que está me dizendo. Só que eu sei que se eu não pagar a vista minha faculdade, ao invés de investir o dinheiro, vou gastá-lo. Então, pra mim não rola.”

Aí meus amigos, o buraco é mais embaixo. A culpa não é do FIES, concorda?

Bem, pra finalizar, queria dizer que apesar de ter demorado para decolar, o FIES no final bombou. Aliás, bombou tanto que o governo teve que fazer algumas alterações para mantê-lo sustentável – especialmente num momento de crise.

Com tudo isso, o FIES continua valendo muito a pena, sendo uma decisão financeira inteligente. Claro que sai mais barato uma Universidade Pública gratuita ou o PROUNI, mas caso isso não se aplique a você, o melhor é mesmo aderir ao FIES. Deixar de estudar é que não dá!

Para maiores informações sobre o programa: http://sisfiesportal.mec.gov.br/ ou pergunte na secretaria de uma universidade privada.

A todos, um grande abraço!

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Não adie mais, tempo é dinheiro!

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