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Desemprego é uma variável chave em Economia e uma das maiores preocupações relacionadas às Finanças Pessoais – um pesadelo para os trabalhadores e motivo de muito esforço por parte de Governos.

No Brasil, desde 2015, o IBGE passou a publicar mensalmente a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio, conhecida apenas como PNAD Contínua.

A mudança é muito recente. Antes da PNAD contínua, o IBGE realizava a Pesquisa Mensal de Emprego (PME).  A maior diferença entre as duas pesquisas é a amplitude. A PME entrevistava pessoas em 44 mil domicílios apenas nas seis regiões metropolitanas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre). Já a Pnad tem uma amostra de mais de 200 mil domicílios em mais de 3.500 municípios. É verdadeiramente nacional.

Desempregados (ou desocupados)

São classificadas como desempregadas as pessoas com mais de 14 anos, sem trabalho, e que tomaram alguma providência efetiva para conseguir um emprego nos 30 dias anteriores à entrevista e que estavam disponíveis para assumi-lo imediatamente.

Ou seja, o cara que fica o dia todo deitado no sofá da sala assistindo TV esperando um emprego cair do céu, por motivos óbvios não é considerado desempregado. Claro, se você não está procurando emprego e nem disponível para trabalhar, não é desempregado.

Desempregado é o indivíduo que quer trabalhar, está buscando emprego mas não consegue encontrar.

Vale só ressaltar, porque algumas pessoas ainda confundem, o Índice de Desemprego não diferencia se você tem um trabalho formal ou informal ou se é empresário ou funcionário público. O vendedor de balinhas no sinal está empregado, ok?

Por que existe desemprego?

Esta é uma boa pergunta. Se cada indivíduo é capaz de produzir algo economicamente viável, o desemprego é um enorme desperdício para as famílias de desempregados assim como para a sociedade.

O desemprego é gerado quando a produção do trabalhador não é capaz de gerar renda suficiente para pagar seu próprio salário (e demais custos associados). É quase intuitivo imaginar que qualquer empresário estará disponível para contratar qualquer trabalhador que lhe seja lucrativo.

Quando a produtividade de um trabalhador é abaixo de seu custo, ele gerará perdas às empresas sendo racional perder o emprego.

De certa maneira, esta situação tende a um equilíbrio no prazo mais longo. Quando o desemprego aumenta, a oferta de mão-de-obra cresce e os empregados aceitarão trabalhar por salários menores. Seus salários ao se fixarem numa zona mais baixa, os tornam lucrativos.

Em outras palavras, um dos maiores motivos do desemprego é a baixa produtividade do trabalhador.

No longo-prazo, o mercado de trabalho tenderia ao pleno emprego. Mas como o Governo impõe muitas restrições ao mercado de trabalho – como salário mínimo e altos encargos – alguns trabalhadores simplesmente não conseguem produzir o suficiente para cobrir seu próprio custo mínimo (imposto pelo Governo). Isto para o caso do emprego formal, é claro.

Tipos de desemprego

O desemprego pode ter causas diferentes. Grosso modo, as 3 grandes tipos de desemprego são os abaixo:

Desemprego estrutural: resulta de mudanças estruturais na economia como alcance do limite de consumo, substituição da força de trabalho por máquinas ou robôs (avanço tecnológico).

Desemprego conjuntural: quando o motivo do desemprego é transitório como por exemplo, causado por uma redução brusca da atividade econômica. Ou até no caso mais recente, a queda do preço do barril do petróleo enviou diversos funcionários ao desemprego.

Desemprego natural: é uma espécie de taxa mínima de desemprego que ocorre quando se há o pleno emprego. Um bom exemplo é o desemprego friccional, que ocorre quando um indivíduo deliberadamente se desemprega de um trabalho para procurar outro.

Desemprego no Brasil

A taxa de desemprego no Brasil hoje (2º semestre 2016) é a 7ª maior do mundo, segundo o Globo.com.

desemprego

Um dos grandes motivos, como disse antes, é a baixa produtividade do trabalhador brasileiro (desemprego estrutural). Deve-se em grande parte à má qualidade e falta de objetividade da educação e poucos anos de estudo.

Um motivo óbvio é a queda recente (e dramática) do PIB causada pelo descontrole das contas do Governo nos anos mais recentes (desemprego conjuntural).

Um outro, bem menos óbvio mas também importante é que mais pessoas nas famílias hoje estão procurando emprego. Tipo um filho ou uma esposa que passam a procurar emprego porque: i) o pai perdeu o emprego e agora além do próprio pai, 2 outros membros da família tb estão procurando; ii) o pai não foi demitido mas está com mais medo de ser já que colegas do trabalho foram; iii)  aumento da inflação diminuiu o poder de compra da família e é preciso complementar; iv) queda da renda da família caso eles não sejam assalariados, etc.

Desemprego no futuro

No artigo Eu S.A. eu mostrei como o mercado está mudando hoje. A economia formal em que havia uma divisão clara entre empregados e empregadores está sendo substituída por uma economia que chamo de C-to-C (Customer-to-Customer) onde todos somos consumidores e empresários ao mesmo tempo. Ou seja, a troca entre bens e serviços ocorre entre indivíduos e não mais entre empresas e indivíduos.

Empresas como Uber, Airbnb, Blablacar, OLX, empresas de marketing multinível etc – ao não estabelecerem uma relação formal empregado-empregador – estão alterando o mercado de trabalho. Se muito do que oferecem, pode até não ter sido inventado agora ou totalmente original, o que ocorre hoje é um crescimento rápido e exponencial e uma migração em massa para este tipo de economia.

O que quero dizer é que talvez no futuro, uma grande parte da economia já não dependa da relação tradicional de trabalho e uma parte maior da população pode ser considerada ocupada por dirigir um Uber durante os finais de semana ou alugar um quarto de sua casa à turistas através do Airbnb. São atividades remuneradas afinal.

Enfim,

como disse no início entender os movimentos do desemprego e suas implicações é fundamental para compreender melhor o mundo em que vivemos. O desemprego decide eleições, define aumento de taxas de juros, relações cambiais e alterações nas leis.

Mas acima de tudo, o desemprego é real. Ele não é um abstração qualquer. E é tão justo e possível que você venha a ser demitido no futuro quanto é justo e possível que você decida pedir demissão por qualquer motivo. É preciso estar preparado, ter uma reserva de segurança para passar o período de turbulência e se possível um plano B para caso aconteça.

Porque no fim, não adianta culpar chefe, culpar o Temer ou a Dilma, culpar a sorte… ou seja lá o que for. A última coisa que a gente pode acreditar é que alguém mais no mundo possa ter mais controle sobre a nossa vida do que a gente mesmo.

Até.

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