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O “Ciclo de Vida” é uma estratégia de investimento na qual a distribuição de ativos na carteira do investidor é ajustada proporcionalmente à sua idade, sendo automaticamente ajustada ao longo do tempo. Este ajuste vai de uma posição de maior risco para uma de menor risco à medida que o investidor envelhece e se aproxima da aposentadoria. 

Essa estratégia é amplamente difundida nos Estados Unidos e tem ganho cada vez mais adeptos no Brasil nos últimos 10 anos. É também conhecida como “estratégia baseada na idade”.

Renda Fixa x Renda Variável


O Ciclo de vida define uma carteira dividida entre 2 grandes classes de ativos: ativos de renda fixa e ativos de renda variável.

Renda fixa são investimentos que possuem regras de remuneração bem definidas. Essas regras estipulam o prazo e a forma como a remuneração será calculada e paga ao investidor. Exemplos de renda fixa são: Caderneta de Poupança, CDBs, LCI, LCA, Fundos DI, Fundos de Renda Fixa além de todos os Títulos do Tesouro como Tesouro Selic, Tesouro Pré e Tesouro IPCA. 

Ativos de renda variável por sua vez, são aqueles cujo retorno não é determinado no momento da aplicação, podendo variar positivamente ou negativamente de acordo com o mercado. Alguns dos mais comuns são: ações, fundos de renda variável e Fundos de Investimento Imobiliário.

Renda Variável: o melhor no longo prazo


A grande diferença entre as 2 classes de ativos se refere ao risco. Os ativos de renda variável são mais arriscados enquanto os investimentos de renda fixa são considerados de baixo risco.

O retorno potencial de um ativo está intimamente ligado ao seu risco. Quanto maior seu risco, em geral, maior seu retorno esperado. Aqui, entenda risco aqui como a flutuação no valor do ativo.

Acontece que, no longo prazo, este risco tende a diminuir, se diluindo pelo tempo. Quanto maior o caminho, mais dissipado será este risco. Portanto, investimentos em renda variável são ideais para o longo prazo. 

De forma a alavancar o retorno esperado de uma carteira, é necessário incorrer um risco maior. Por isso, é preciso incluir ativos de renda variável.

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Afinal, o que é longo prazo?


 

Esta deve ser a pergunta que você deve estar se fazendo. Embora não haja uma definição exata e para os contadores chamarem de “longo prazo” o prazo superior a um ano, em Finanças considera-se um prazo superior a 10 anos. Isto porque a teria geral é de que os ciclos econômicos duram em média 7 anos, sendo o longo prazo obrigatoriamente superior a um ciclo completo. 

Investir é todo o caminho, não apenas o destino


É importante, no entanto, considerar que nem só de “longo-prazo” pode se dar uma estratégia de investimento. O imprevisto pode sempre bater a porta e a chance disto acontecer cresce ao passar do tempo.

Por isto, deve haver um equilíbrio entre renda fixa e variável por todo o caminho, mas especialmente conforme o tempo vai passando e os benefícios da renda variável vão se reduzindo.

Então, sua carteira deve ser composta por uma combinação entre ativos de risco (renda variável) e ativos de risco baixo (renda fixa). Quanto mais jovem o investidor for, maior é o prazo potencial de seus investimentos, sendo recomendável um percentual maior em ativos risco, consequentemente com retorno potencial maior. 

Regra dos 100


Esta regra amplamente conhecida prega que para definir como distribuir seus investimentos entre as duas classes de ativos, bastaria olhar para a sua idade. Ela definiria o percentual que deve ser alocado em Renda Fixa, o restante sendo aplicado em Renda Variável. Como exemplo, um investidor de 30 anos, deveria investir 30% do seu investimento em renda fixa e 70% em Renda Variável assim como o investidor de 50 anos deveria colocar metade em cada classe. A grande vantagem da regra é sua simplicidade. 

Investimento por Objetivos


Não é surpresa para o leitor habitual do Henriquecer que aqui defendo a definição primária do investimento pelo seu objetivo.

Os objetivos mais comuns são: a) Despesas que serão incorridas no curto prazo: em até um ano como por exemplo fazer uma viagem; b) Planos para o médio prazo: planos geralmente maiores, superiores a um ano como fazer uma festa de casamento ou trocar de carro; e os demais, que chamo de investimentos para o longo prazo, que são c) Reserva de segurança: uma reserva num montante equivalente a de 3 a 12 meses de gastos médios mensais que sirva como um colchão para imprevistos, d) Aposentadoria: para complementar a renda que o INSS te pagará de forma a manter o mesmo padrão de vida depois de pendurar as chuteiras , e, por fim, e) Patrimônio: que é o investimento mais agressivo, aquele que visa aumentar de fato o seu padrão de vida. E é exatamente a este último que eu recomendaria aplicar a estratégia do “Ciclo de Vida” do investimento.

Ajuste pelo objetivo: o intervalo 25-80


A regra dos 100 não serve ao Henriquecer por 2 grandes motivos.

1) Pela regra, os investimentos em renda variável só zeram aos 100 anos de idade. A esta altura, as chances do investidor estar morto já há um tempo são bem altas. Como a renda variável é mais indicada para prazos superior a 10 anos, só faz sentido manter este tipo de ativos até 10 anos antes da sua expectativa de vida (ou melhor, de morte).

2) A definição de investimentos por objetivo já prevê a criação de reservas para gastos de curto prazo assim como reserva de segurança e etc. Desta forma, não há necessidade alguma do jovem investidor aos 25 anos de idade carregar 25% do seu portfólio total em Patrimônio em ativos de renda fixa. Seria demasiadamente conservador.

Então, considerando que a vida profissional e financeira começa a se firmar em geral a partir dos 25 anos, e que 90 anos de idade seja uma expectativa de vida razoável, eu distribuiria os investimentos em renda variável entre os 25 anos (100% renda variável) zerando completamente aos 80 anos, onde, honestamente, as chances de haver um longo prazo (+ de 10 anos de vida) se reduzem bastante. Assim, o percentual em renda fixa que aos 25 anos seria 0%, aumentaria gradualmente em aproximadamente 2% a cada ano até completar 100% aos 80 anos de idade.

Ciclo de Vida

Perfil do investidor


A regra não é fixa. Cada investidor pode ajusta-la a sua aversão ou seu apetite ao risco. A grande ideia por trás desta estratégia é a redução do percentual de ativos de risco em sua carteira conforme a expectativa de sobrevida do investidor vai se reduzindo.

Carteira de investimentos balanceada


A Estratégia Ciclo de Vida é uma estratégia de investimento balanceado cujo o percentual de distribuição entre ativos é móvel. É simples de aplicar e possui em termos gerais os mesmos benefícios que uma carteira de investimento balanceada simples.

Se quiser saber mais sobre uma carteira balanceada de investimentos, clique no link abaixo: https://henriquecer.com/2017/03/19/como-montar-uma-carteira-de-investimentos-balanceada/

Conclusão


Os defensores da estratégia de ciclo de vida citam a conveniência para os investidores de colocar suas atividades de investimento em piloto automático através do uso de uma regra simples. Por outro lado, seus críticos dizem que sua abordagem “one size fits all” é suspeita.

No fim do artigo, deixo uma tabela com os percentuais entre Renda Fixa e Renda Variável por idade pelo intervalo 25-80.

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A todos, um grande abraço e bons investimentos!

Regra 25-80

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