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O investidor em ações tem duas grandes opções para decidir como atuar.

  1. Estratégia ativa: ele busca comprar as ações com performance futura promissora, que se  destaquem no mercado. Desta forma, a intenção é superar a performance do mercado.
  2. Estratégia passiva: o investidor entende que a dificuldade de buscar resultados melhores que o do mercado aumenta muito o risco de seus investimentos. Portanto, decide replicar exatamente a performance do mercado. Esta estratégia é normalmente recomendada para investidores Pessoa Física que possuem outra profissão principal, e que desejam se tornar investidores.

“Tá bom, já decidi que minha estratégia será passiva. Por que continuar lendo este artigo?”

OK. Digamos que sua estratégia seja mesmo passiva, e que você deseja apenas replicar os resultados do mercado. Como se sentir seguro com este tipo de estratégia sem ter a mínima ideia de como o próprio mercado toma suas decisões?

Independente da estratégia a ser adotada, é importante entender como os agentes do mercado tomam suas decisões: quais são suas bases, “quem” é o mercado, o que ele pensa, como age? 

Os Passivos seguem, os Ativos criam


É a estratégia ativa que guia o mercado. São os investidores ativos que, num sentido mais amplo, representam o mercado. São suas decisões que fazem os preços se moverem para cima ou para baixo.

Como os investidores ativos tomam decisões


Existem duas grandes estratégias de investimento ativo: a) Análise Fundamentalista, e b) Análise Técnica (ou Gráfica).

Análise Fundamentalista


Warren Buffet- Price is what pay value is what you get

É a forma mais tradicional de investir e considerada de mais confiança entre os analistas de mercado. Ela consiste em estudar e entender profundamente o negócio da empresa, usando análise micro e macroeconômicas.

O investidor fundamentalista não se limita a enxergar a ação apenas como um mero papel. Ele pode se ver mais como um dono da empresa. E para isso, ele se fará algumas perguntas para entender os fundamentos mais básicos da empresa.

Qual é o modelo de negócios desta empresa? Qual seu diferencial? Esse negócio é rentável? Há espaço para melhorar? Como? É um bom mercado para investir? Vai crescer? Como ele se encaixa com as projeções para a economia nos próximos anos? Quais são os riscos deste mercado? Quem são os executivos que administram esta empresa? Como eles pensam? Quem são os acionistas majoritários?

Para encontrar as respostas para estas perguntas, é preciso uma análise minuciosa no negócio. Para isto, começa-se analisando a estratégia e os números da empresa.

Toda empresa com ações negociadas em bolsa em qualquer lugar do mundo, e no Brasil não é diferente, é obrigada a publicar periodicamente na CVM um conjunto de documentos explicando seu negócio. Estes documentos são públicos e disponíveis para qualquer pessoa, investidor ou não.

Alguns documentos importantes para entender o negócio são:

  1. Formulário de Referência: documento anual, o mais detalhado, que explica os riscos de se investir na empresa, quais são os problemas jurídicos que podem incorrem, cotações da ação, currículo dos executivos, e muito, muito mais.
  2. Earnings Release/Release de Resultados: também conhecido como Press Release, é trimestral e bem fácil de ler. Dá as explicações sobre os resultados da empresa e a estratégia para o futuro.
  3. Apresentação de Resultados: muitas empresas fazem também uma apresentação, ainda mais amigável que o Earnings Release. Com gráficos e imagens, tende a ser ainda mais estratégico.
  4. DFP e ITR: estes 2 documentos já são mais técnicos. São obrigatórios, e como são detalhados e padronizados (todas as empresas tem que fazer igual) são muito chatos, mas importantes para quem quer entender os menores detalhes. A DFP (Demonstrações Financeiras Padronizadas) é um documento anual e mais completo. O ITR (Informações Trimestrais) é uma versão mais simplificada da DFP e é apresentado de forma trimestral. 

 Todos esses documentos de todas as empresas listadas na bolsa estão disponíveis na Internet, tanto no site da CVM quanto no site de Relações com Investidores da empresa.

Relações com Investidores (RI)

Toda empresa listada também é obrigada a manter uma Diretoria de Relações com Investidores (DRI). No site de RI, o investidor encontra todos os documentos que citei acima.

Além disso, o investidor pode mandar um e-mail com dúvidas de investimento para o RI ou mesmo telefonar e tirar dúvidas por telefone.

Investidores maiores geralmente conseguem reuniões presenciais com os executivos. Mas ao menos uma vez ao ano, toda empresa tem que fazer uma reunião pública – geralmente na APIMEC. Qualquer um pode ir e assistir. Lá eles devem mostrar o porquê de comprar ações desta empresa.

Projeção do futuro

Uma vez que as dúvidas estejam sanadas, o investidor fundamentalista senta e calcula qual o valor justo desta empresa. Em outras palavras ele vai calcular o valor intrínseco da ação, e compará-lo com o seu preço no mercado.

Para isso, ele projeta o comportamento desta empresa para o futuro. Utiliza o que chamamos de Fluxo de Caixa Descontado e a Análise de Múltiplos baseado no que descobriu em sua pesquisa. 

Caso o preço justo que ele calcular da ação seja maior que a cotação atual, ele decidirá investir.

 Prós e Contras

A grande vantagem da abordagem fundamentalista é o conhecimento do negócio que se está fazendo. Bastaria só dizer que esta é a estratégia utilizada por Warren Buffet. 

A desvantagem é que requer grande conhecimento não só de Finanças mas de negócios e estar atento a todo o momento às mudanças de cenários.

 

Análise Técnica ou Gráfica


Trader

Apesar de mais recente, a Análise Técnica ou Gráfica é aquela que vem rapidamente à cabeça de um indivíduo comum quando se fala em bolsa de valores.

O investidor é chamado de grafista, mas é mais conhecido como Trader. É o que busca de forma incessante comprar ações em baixa e vende-las na alta.  

É um conjunto de técnicas e estudos baseados em movimentos históricos das ações. O trader não se envolve muito com o negócio em si, o que mais lhe interessa são os comportamentos do preço da ação e seu volume de negócios. Uma mera combinação entre apenas estes dois dados pode indicar a compra ou a venda. 

Basicamente, a análise técnica sugere haver um padrão de comportamento nos preços das ações que se repete. Desta maneira, seria possível prever o que aconteceria com o preço de uma ação no futuro apenas observando seu comportamento, sem jamais precisar pegar num único balanço da empresa ou mesmo saber o que ela faz como negócio.

Os traders em geral são investidores de porte médio ou médio-alto. Isto porque a compra e venda recorrente de ações incorre em custos de corretagens que para o pequeno investidor queimariam grande parte de seus possíveis ganhos.

Críticos deste tipo de abordagem, inclusive, dizem que no longo prazo, estes custos de compra e venda recorrentes tornam a estratégia grafista financeiramente desvantajosa. Eu, particularmente não acredito que seja o caso. A análise gráfica funciona e pode ser muito lucrativa. Além disso, os traders possuem um papel importantíssimo no mercado: ao comprarem e venderem com recorrência, são eles que dão liquidez para os demais investidores. São eles que fazem o papel girar e são, de certa forma, remunerados por isto. 

A grande vantagem da Análise Técnica é sua simplicidade em relação à Fundamentalista. Enquanto o investidor passivo busca replicar o mercado, o trader busca antecipa-lo. O trader pula a etapa de fazer toda a pesquisa. Quando ele vê os sinais no preço e no volume de que o mercado começará a comprar aquela ação, ele busca se antecipar a este movimento (chamado de tendência). O mesmo ocorre na venda. 

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Análise Fundamentalista ou Técnica: qual é a melhor?


É claro que a Análise Fundamentalista é muito melhor, isto não há dúvidas. Mas como é difícil de aplicar e nem todo investidor tem tempo disponível, estrutura ou conhecimento para pô-la em prática, a Análise Técnica pode ser uma boa. 

Acho que ambas são recomendáveis para quem ama trabalhar com Finanças e/ou com o Mercado. Mas são duras e requerem esforço. Se o seu objetivo mesmo for se aposentar e relaxar na piscina de sua casa sem se preocupar com ações caindo ou subindo… eu recomendo mais uma vez a Estratégia Passiva.

Alguns outros artigos que podem te interessar:

Para quem quer aprender a investir na Bolsa:

  1. O básico para entender o mercado de ações
  2. O que você precisa saber para começar a investir na bolsa agora
  3. Investindo em Fundo de Ações

Para quem quer saber mais sobre a Estratégia Passiva:

  1. Conheça o ETF: a melhor estratégia para o investidor pessoa física
  2. Como montar uma carteira de investimentos balanceada?
  3. Ciclo de vida como estratégia de investimento

Para todos um grande abraço!

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