Medo do Escuro

Coisas do cotidiano

“Lindo, onde fica o Quirguistão?” me perguntou a minha esposa.

Lembro minha sensação de dever cumprido ao escutar esta pergunta, testemunhando esse interesse pelo mundo. Há quase 2 anos, antes de nos mudarmos para a França, ela estava assustada com a simples ideia de vir morar num país com tantos muçulmanos.

Natural, como carioca nascida e criada num condomínio na Barra, o único contato  com muçulmanos tinha sido através dos atentados terroristas que viu pela TV, nos EUA e na Europa. Assim como ela, muitos de nós.

Então, cria-se uma fantasia de que todo muçulmano seja radical ou que ao menos seja extremamente diferente culturalmente num ponto em que o convívio seja no mínimo superficial.

Viver num país com muitos imigrantes pode ser muito melhor do que se imagina. A cabeça abre, quebram-se estereótipos, destes que só existem para reduzir o mundo a pequenas impressões. Como se o  o mundo fosse o  It’s a small world da Disney.

Até que a gente aprende que o mundo é muito maior que isso. Na sala de aula do meu mestrado, estudando com alunos de mais de 20 nacionalidades diferentes, descobri ter mais em comum com um grego, um paquistanês e um chinês do que com conterrâneos. 

E o destino é tão incrível que o melhor amigo da nossa filha aqui é justamente muçulmano.

Trump, Le Pen e Brexit

2 grandes características unem os eleitores dos elementos populistas nos EUA, na França e no Reino Unido: 1) um inimigo comum. Nestes 3 casos, principalmente, o imigrante, acusado de roubar empregos e trazer insegurança aos países; e 2) o fato de que a maior parte destes eleitores vem exatamente de regiões pouco afetadas pela imigração. Londres, uma espécie de capital do mundo ocidental, lotada de imigrantes, foi a favor da permanência britânica na UE. Foi o interior inglês que escolheu pela saída do bloco. E é do interior que vem a maior parte dos votos de Le Pen. Em Paris, ela levou uma surra. Algo parecido com o que se passou nos EUA.

Visto pela televisão, o mundo parece bem diferente.

A importância do trabalhador nas empresas

Existem empresários e empresários.

Montar uma empresa pode até não ser fácil no Brasil mas faze-la sobreviver e se sustentar de forma lucrativa ao longo dos anos é uma tarefa ainda mais difícil!

Entre as características em comum de empresários de sucesso está a compreensão da importância do papel dos seus bons empregados. 

Pessoas com personalidades e pensamentos próprios… são elas que fazem uma empresa. São elas que irão ditar o rumo do empreendimento, e fatalmente, se ele irá ser bem ou mal sucedido.

Não é o empresário, ele próprio, que irá atender cada cliente, tratar de seus problemas cotidianos, manufaturar o produto, garantir que ele agrade o cliente… e ele sabe disso. Por isto a importância de ter uma equipe de funcionários motivados, bem dispostos, capazes de criar e entregar.

É claro que não é uma tarefa fácil. É preciso conhecer sobre pessoas e aprender a lidar com tipos diferentes de personalidade. O que agrada João não agrada José. Uns são mais orientados a nível salarial, outros valorizam mais a qualidade de vida… e por aí vai.  

A motivação dos funcionários e o seu contentamento com a empresa podem vir de muitos fatores diferentes mas é necessário que a empresa faça de tudo para fornecer o melhor ambiente de trabalho para todos os funcionários. Uma ciência muito longe de ser exata.

Quando escrevi aqui sobre o Almoço Grátis, no artigo publicado coincidentemente no fim de semana que se seguiu à Greve Geral no Brasil, me questionaram que se não houvesse leis do Governo para defender os trabalhadores, os empresários aproveitariam para sugar ainda mais estes trabalhadores que, sem opção, teriam que simplesmente aceitar.

Muitos cultivam esta ideia de que empresários e funcionários trabalhem sempre em lado opostos. Como se o que fosse bom para um, fosse naturalmente ruim para o outro. 

Apenas quem nunca sentou com um chefe numa sala de reunião pode imaginar algo deste tipo. Fantasia-se a forma como as decisões são tomadas, sempre em detrimento da sociedade e dos funcionários.

Em relação ao papel do Estado na relação empregado-empregador, o ponto mais simples da compreensão é: se o Governo exige apenas que seja pago o salário mínimo aos trabalhadores, por que os empresários aceitariam pagar mais do que o exigido por lei na maior parte dos casos? Por que muitos oferecem vale refeição, vale alimentação, vale transporte em casos que não são obrigatórios? E a participação nos lucros, os bônus? Qual o sentido em oferecer festas de fim de ano, cestas de natal?

O que define o salário de um funcionário? Certamente não é o Estado. Esquece isso. O empregado tem um valor enorme. O empresário entende isso. 

O ponto em comum

Quando não possuímos informações suficientes sobre determinadas situações, o espaço vazio é naturalmente preenchido com fantasias.

Na maior parte das vezes, o desconhecido tende a dar medo. Imagina-se o pior. Seja para o americano do interior que morre de medo de um mexicano lhe roubar o emprego, o britânico assustado com os refugiados na Europa ou uma brasileira que acredita que todos os árabes são terroristas radicais. Da mesma maneira com que alguns intelectuais da extrema esquerda brasileira podem passar horas falando sobre quão dura é a relação de trabalho que ele talvez nunca tenha vivido. Diz defender uma classe cuja realidade, ele pouco entende.

Dizem que o Brasil é um país em que o pobre é de direita e os ricos são de esquerda.

Talvez haja alguma explicação para isto.

Até a próxima!

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