Hitler In Crowd

Sobre a discussão que começou há algum tempo nas redes sociais e ganhou força nos últimos dias: afinal, o nazismo era um movimento de esquerda ou de direita?

De forma simples e objetiva, vamos definir o que diferencia a direita da esquerda.

Antes de mais nada, é preciso distinguir com cuidado a visão político-social da visão econômica.

Visão Social

Em linhas gerais a direita é vista como a defensora do conservadorismo e do status quo. Eles se definem como defensores da moral e dos bons costumes e tradições, ou ainda, defensores da família e da religião. Para a direita existe um modelo padrão que representaria o sucesso e este seria o modelo a ser seguido.

Para a direita, o maior dever do Estado é a proteção de seus cidadãos contra ameaças externas (guerras) e internas (insegurança) e, por isto, o valor dado às forças armadas e às polícias. O grande inimigo é o causador de distúrbios, criadores de desordem e geradores de insegurança.

Já a esquerda tem uma visão progressista e de questionamento da ordem regente. Os mais radicais são os “contra tudo isso que está aí”. Se definem como defensores dos injustiçados pelo sistema, seja por serem pobres ou discriminados pela cor da pele, origem, gênero ou opção sexual.

Em geral, se dizem laicos e o maior dever do Estado, ao seu ver, é corrigir as injustiças que existem num país (ou até no mundo). O conceito de fracasso para a esquerda é exatamente o modelo padrao defendido pela direita e os inimigos são as elites, em geral, as famílias tradicionais que acumularam riqueza no passado e grandes empresários. Ou ainda tudo o que representa o status quo.

Visão Econômica

Já na visão econômica, a direita vê o Estado como um grande causador de distorções e que os cidadãos entre si se relacionam de uma maneira que seja naturalmente benéfica para todos. Defendem o liberalismo economico – desde o “laisser-faire” francês – e a palavra que mais defendem é a meritocracia. 

São discípulos de Adam Smith e Mises e de políticas conhecidas como Ortodoxas. Defendem um Estado mínimo que gaste pouco e taxe pouco, que cumpra bem as poucas funções que deve exercer. É uma visão mais relacionada à cultura anglo-saxã, que argumentam ter obtido o maior êxito na historia econômica recente, primeiro com a superpotência imperial inglesa e depois com os EUA.

Na visão da esquerda, o Estado deve ser o maior provedor do sistema e cabe a ele regular as relações entre os indivíduos, diferenciando o que é justo do que não é – e agindo diretamente em casos de distorções. O que mais combatem é a desigualdade social. São discípulos de Marx e – por que não? – de Keynes e de políticas Heterodoxas.

Defendem o Estado como um enorme player capaz de realizar o desenvolvimento econômico de forma alinhada e organizada com criação de empregos públicos ou através de empresas estatais. Defendem a taxação massiva sobretudo aos ricos para oferecer serviços sociais para a população e reduzir a desigualdade social. É uma visão mais relacionada à antiga URSS, à China e a Cuba, ou, de forma bem menos intensa, até alguns países nórdicos da Europa.

E o que era o Nazismo?

Ficou conhecido como a extrema-direita social com uma defesa exagerada do modelo-padrão alemão como o exemplo a ser seguido e forte rejeição ao que divergia.

Inegavelmente, em termos economicos, a Alemanha Nazista estava longe de ser um Estado capitalista-liberal. Muito pelo contrario, economicamente se alinhava mais à esquerda com forte presença estatal no desenvolvimento economico.

Era, afinal, um mix entre ambos ao mesmo tempo que repudiava ambos: o socialismo marxista e o capitalismo liberal. Tanto EUA, Inglaterra e França quanto a URSS foram seus grandes inimigos durante a 2ª Guerra Mundial.

Mas acima de tudo, mais do que um movimento de direita ou de esquerda, o Nazismo era um movimento populista com forte controle das massas, sustentado por um marketing inteligente e eficaz que colocava seu líder acima de qualquer regra moral. Visto literalmente como o salvador do povo alemao.

O adorado Hitler trouxe prosperidade a um povo sofrido e humilhado após perder a Grande Guerra e por isto era amado e seguido.

O Nazismo e o fascismo eram movimentos únicos e não alinhados: era uma terceira via.

Mas o mais importante…

Temos casos parecidos com este mix no Brasil.

Se no ponto de vista social, podemos considerar o Governo Militar e o do PT em posições opostas, no ponto de vista econômico, a política era extremamente semelhante. Seguiam a mesma ideologia.

Tanto os governos militares quanto os petistas defenderam um Estado forte, provedor e gastador. Em ambos os casos, o Estado era visto como o responsável por gerar o desenvolvimento econômico do país.

É claro que os nostálgicos defensores do Governo Militar são capazes de lembrar que durante o regime os professores eram reconhecidos, ganhavam bons salários e que as escolas tinham melhor infraestrutura…

Outros podem ainda lembrar, com razão, que nos Governos PT as classes mais pobres tiveram acesso a um nível de consumo jamais visto e que a desigualdade social se reduziu drasticamente.

Mas o que une ambos governos é que ao usarem a mesma ideologia econômica ultrapassada, o sucesso não passou de voo de galinha.

Não se pensou num país no longo prazo.

Não se construiu alicerces.

E as boas escolas do governo militar nos levaram a mais de 10 anos de crise econômica, que nos impossibilitou investir em educação. Perdemos oportunidades.

E vamos para 4 anos da crise causada pelo PT em que o desemprego e a queda na renda vão aumentar estruturalmente a desigualdade social no país. Perdemos oportunidades.

O Brasil é um país que dá um passo a frente e volta dois para trás.

Fool me once, shame on you. Fool me twice, shame on me.

E o que mais espanta é que, na crise mais recente, já conhecíamos onde a história nos levaria. Mas estava tudo indo bem, não é mesmo? 

E, quis o destino, acabaram, ambos, derrubados pelo petróleo. Um pela alta no preço. O outro, pela queda.

Mas não era o petróleo.

Era uma visão de mundo.

A todos, um grande abraço!

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