Australia

A decisão de partir do Brasil para viver uma vida num país estrangeiro pode ser definitiva ou temporária. As motivações podem ser diversas: desilusão com o país, fuga da violência, a busca de maior qualidade de vida, razões profissionais ou acadêmicas ou até mesmo a realização de um sonho.

Independente da motivação, para que a experiência dê certo é preciso ter um bom planejamento.

Uma boa parte das experiências frustradas nesta aventura está ligada à escassez de recursos. Convenhamos, é um recomeço de vida, em geral, longe da família, dos amigos e do seu habitat natural. Estar em dificuldade financeira no Brasil já é muito difícil e pode ser um bom motivo para querer sair. Mas pode ser tbm o maior motivo para querer voltar antes da hora. 

É algo que quem tem o objetivo de sair do país deve se preparar, mas não evitar de ir apenas por conta das dificuldades. É apenas necessário conhece-las para enfrenta-las.

Descubra o tamanho deste desafio.

A primeira coisa a se fazer é construir um Orçamento. Quanto vai custar esse investimento?

Você deve começar orçando todos os seus custos one-times, ou seja, os que acontecerão apenas uma vez (ou até mais, mas não de forma recorrente), como a) passagens aéreas, b) custos de vistos e demais burocracias, c) compras de móveis para a casa nova, d) seguro saúde/viagem, e) o custo de curso de língua/faculdade, f) compra de roupas adequadas para o novo clima, g) o custo de viagens que deseja fazer no período etc.

Nem todos estes gastos se aplicam a todo mundo, é claro. Reflita sobre qual será o seu caso e em quais custos você vai incorrer.

E lembre-se que qualquer mudança de domicílio incorre em despesas.

Depois, comece a orçar o seus custos médios mensais considerando tudo o que você queira fazer. Não esqueça os gastos com lazer, alimentação etc. Tudo deve estar descrito lá.

Mas como eu consigo estimar todos estes valores?

Uma excelente fonte de informação é o site numbeo.com com dados sobre custo de vida na maior parte das cidades grandes do mundo. 

Outra boa fonte são as pessoas que vivem no lugar para onde você planeja ir. No Facebook, em geral há grupos de “brasileiros em…”, as pessoas se ajudam. Tire suas dúvidas por lá. Tire o máximo de dúvidas que puder, mas *atenção* cuidado também para não levar tão a risca assim: a verdade é que muita gente não tem um bom controle das suas finanças, mesmo que acredite ter e pode lhe passar informações erradas, sem querer.

Apenas a título ilustrativo, abaixo um exemplo de um planejamento financeiro para um casal em que um deles planeje fazer um mestrado de 1 ano em Sydney na Austrália durante 1 ano (e trabalhar part-time) e o outro trabalhar full-time. Ambos trabalhando por 9 meses.

Planejamento Financeiro Australia

Considerando o valor total do investimento, de R$ 100 mil, o casal pode definir como prazo de 2 anos para se preparar por exemplo. Durante estes 2 anos, juntos os dois podem economizar R$ 3 mil  por mês e contar com aprox. R$ 30 mil no final destes 2 anos, relacionado às rescisões trabalhistas (férias e 13º etc) e/ou venda de carro ou demais pertences.

Além dos recursos para o ano em que passarão lá, o casal deve lembrar que devem manter uma reserva para a volta ao Brasil até que se restabeleçam financeiramente.

E mesmo que a intenção seja sair definitivamente, nunca é recomendado fechar as portas, principalmente no seu país de origem. 

Onde aplicar a poupança para o projeto?

Recomendo aplicar sempre em um fundo cambial para se proteger de variações cambiais. Estas variações podem inviabilizar seu projeto caso a proteção não ocorra.

É verdade que se o destino não for os EUA ou a Zona do Euro, a proteção não será perfeita. A maior parte dos fundos cambiais no Brasil é em dólar. Existem alguns em euro e talvez seja até possível encontrar em libras (acho difícil).

Se Europa ou EUA for a opção, indico aplicar a maior parte dos recursos num Fundo Cambial na moeda do país em que você deseja ir: dólar ou euro.

Qualquer grande banco oferece ao menos um fundo cambial em dólar, basta falar com seu gerente. Já os fundos em euros são um pouco mais raros. Sei que o Banco do Brasil oferece um fundo em euros bem interessante. Vale também comparar quanto cada fundo cobra em taxa de administração.

Caso sua opção não seja nem dólar nem euro, como no exemplo a Austrália, fica um pouco mais complexo, mas não impossível.

Você pode optar por um fundo multi moedas ou uma combinação entre fundo cambiais (euro e dólar) e compra da moeda final diretamente via Cartão Pré-pago (como o VTM por exemplo) e papel moeda.

Comprar diretamente o dólar australiano por meio do cartão pré-pago e/ou papel moeda parece uma opção mais prática e segura, mas provavelmente não a mais barata.

Eu recomendaria o investimento num fundo cambial em dólar (e se possível também uma pequena parte em euro). A sua proteção neste caso não será a variação do dólar australiano mas sim contra as oscilações do Real em relação às outras moedas, que é por sinal, uma relação bem volátil. 

Por isso, se o casal que vai para a Austrália me perguntasse o que fazer, eu responderia que o melhor seria um mix entre VTM, Papel moeda e fundos cambiais. 

Mas por que não comprar tudo diretamente em papel moeda?

A primeira vista, pode parecer a opção mais prática e até mais barata. A questão é: guardar um grande montante de papel moeda em casa e depois ainda transportar este montante é extremamente arriscado. Há chances de você ser furtado, roubado, perder, o dinheiro até mofar, acredite! Além disso, em geral, pelas leis brasileiras, deve-se sair do país portando um valor máximo de R$ 10 mil em moeda estrangeira.

E apesar de parecer mais barato, não é. A opção mais em conta para se transferir dinheiro para o exterior é via o site Transferwise. É rápido, simples e seguro com o único contra-tempo de limitações mensais (hoje o limite é de R$ 10 mil por mês tb).

Então, para quem vai para EUA e Europa, a vantagem de investir num fundo cambial é esta: seu investimento está protegido das variações cambiais, seguro (guardado no banco) e mais barato (apesar da taxa de administração do fundo aliada à taxa de transferência via Transferwise, esta opção ainda compensa se comparada à compra direta de papel-moeda).

Então não compro nada em papel moeda e deixo tudo no fundo?

Claro que não. É importante levar um montante em Papel Moeda também para: 1) até o momento de abrir sua conta bancária no exterior e 2) para as despesas iniciais.

Agora é só começar…

Bem, a discussão é longa mas espero que este artigo tenha dado alguma luz para os que desejam se mudar do país mas não sabem nem por onde começar. Qualquer dúvida, sugestão ou completo, por favor, não deixe de comentar.  

À todos um grande abraço!

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