Valuation

 

Um cínico é um homem que sabe o preço de tudo, mas o valor de nada.

(Oscar Wilde)

O preço dos ativos no mercado é dado pela relação entre oferta e demanda, isso não é surpresa para ninguém. Quanto mais gente querendo comprar, maior a pressão pela alta no preço. Quanto mais gente querendo vender, maior pressão de baixa.

Mas a intenção de comprar e vender depende também da relação preço x valor de um ativo.

Se a sensação é a de que ele está cotado a um preço que não reflete seu valor, negociações ocorrem até que o preço passe a refletir uma média do que o mercado entende ser um valor justo deste ativo. 

Um exemplo certamente facilitará a compreensão.

Digamos que as ações da Petrobras estejam cotadas a R$ 10, refletindo assim o que o mercado como um todo considera ser seu valor justo.

Mas se for anunciada uma nova notícia sobre a empresa, a novidade é incluída nos modelos que analistas e investidores usam para calcular o valor justo da ação. Então, digamos que ela seja revalorizada a R$ 8. Então, como o valor-justo da ação é abaixo da cotação corrente, aos investidores será vantajoso vender suas ações que valem R$ 8 por R$ 10. Como muitos fazem isto, o preço naturalmente cairá se ajustando em torno dos R$ 8 que, no exemplo, seria o novo valor-justo calculado pelo mercado.

É claro que cada investidor e analista calcula um valor-justo diferente. Isso é o que possibilita as negociações na bolsa de valores. Os que acham que a cotação está abaixo do valor-justo, compram, enquanto os que acreditam que o preço está mais alto que o valor-justo, vendem.

O resultado final é que a cotação no mercado reflete uma espécie de média entre os diferentes valores-justos calculados por cada agente do mercado. Isso significa que as cotações no mercado representam o valor justo do ativo, valorado pelo mercado em geral.

Então, não importa o que você comprar, pagará em geral um preço em que o mercado considera ser justo. Isto serve para qualquer ativo com liquidez.

Em teoria. Porque na prática, muitos agentes agem guiados por impulsos ou simplesmente especulam buscando antecipar o movimento do mercado sem necessariamente jamais calcular um valor-justo para o ativo. Estes agentes podem acabar distorcendo o preço de um ativo, levando ele a uma cotação bem diferente de seu valor-justo.

Mas qual seria o valor justo de um ativo?

O valor-justo de um ativo é calculado a partir de o quanto de dinheiro este ativo é capaz de gerar. Simples e intuitivo, não é?

Se o Ativo A rende R$ 100 e o ativo B rende R$ 50, numa conta simplista apenas para exemplificar, é de se imaginar que o ativo B valha a metade do que vale o ativo A, certo?

Agora imagina que o Ativo B pague R$ 50 hoje enquanto o Ativo A pague R$ 10 por ano ao longo de 10 anos. O ativo A ainda valeria mais que o Ativo B?

E se este for o caso, ainda valeria o dobro? A dúvida surge porque caso a opção seja pelo Ativo B, é sempre possível investir estes R$ 50 em um ativo livre de risco (imagine aqui por exemplo, um título do Tesouro Direto) e estes R$ 50 geraram renda neste período de 10 anos em que o Ativo A levará para pagar todo o valor de R$ 100.

Então, o fluxo de pagamento adiciona mais complexidade à valoração do ativo.

Além disso, imagine que o Ativo A também seja mais arriscado que o Ativo B… e portanto, é com base nestas variáveis que ocorre a valorização de um ativo.

Portanto, de forma simplificada, o valor-justo de um ativo é calculado com base, principalmente nos 3 fatores abaixo: 

  • Fluxo de Caixa Esperado (quanto maior, melhor)
  • Prazo médio de recebimento do caixa (quanto mais curto, melhor)
  • Risco (quanto menor, melhor)

Espero que com isto, tenha conseguido dar ao investidor uma visão de como ocorre a valorização de ativos no mercado financeiro. É uma base sobre o valuation, que iremos discutir melhor em artigos futuros.

À todos, um grande abraço!

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