Planejamento

Nunca fui um cara planejado.

Pelo contrário, sempre marquei diversos compromissos ao mesmo tempo, chegava atrasado em todos e deixava para confirmar em cima da hora.

Quem me conhece sabe… É perfil.

Livia, amiga de infância, era o completo oposto. Lhe incomodava não saber o que ela iria fazer, não saber a hora e o lugar exato onde ela estaria em tal data. Tudo tinha que estar totalmente claro.

De um destes testes de personalidades que o RH faz, descobri que usavam a letra “J” para o caso dela, e “P” para o meu.

Minha mãe é outra extremamente “J”. Se você marca algo com ela às 17h, às 16:30 ela vai estar fumando do lado de fora da sua casa, fazendo hora…

Quando ela e meu pai moravam em Portugal e ela ia sozinha passar uma temporada na minha casa no Rio, eu quase enlouquecia. A cada 5 minutos ela me perguntava as horas. Porque ela tem hora marcada para fumar, tomar banho, assistir TV, comer… tudo!

Tenho diversas histórias como esta, como a do meu amigo-xará Henrique que toda segunda-feira quando a gente se encontrava na academia, me perguntava qual era a boa do fim de semana, etc.

Eu não queria saber da boa do fim de semana numa segunda-feira, isto nem passava pela minha cabeça!

Sempre tive “planejamentofobia”. Preferia não saber, não marcar, deixar a vida me levar… sempre senti que uma vez que você marca algo, este algo deixa de ser uma diversão e passa a ser um compromisso!

Esse era eu…

Hoje, tenho um blog sobre Planejamento Financeiro pessoal, trabalho com Planejamento Financeiro empresarial e nos meus textos falo da importância de se planejar.

Mudei, evolui… transformei a desorganização que sempre foi minha vida em algo que hoje não sei se conseguiria viver sem: planejamento.

Uma vez que o conheci, vi o quão recompensador era.

É do perfil da pessoa sim, mas é possível trabalhar! E mudar…

Conheça suas fraquezas e mude!

Eu e Robson fomos trainees juntos numa grande empresa carioca. Ele é um sujeito excepcional, extremamente inteligente com quem aprendi muito.

De origem humilde, estudou no Pedro II e se formou em Direito na UERJ… um cara fora de série.

Há 8 anos, Robson era um cara tímido, com pouca familiaridade com os números e, embora possa parecer fora de contexto, tinha medo de altura, para dar alguns exemplos.

Em 2010, escolheu fazer seu job rotation (rotação em diversas áreas da empresa que trainees fazem) na minha área: financeira. Além disso, se matriculou num curso de teatro com o Fernando Caruso e em dezembro daquele ano, fizemos juntos rapel no morro da Urca.

Ele conhecia suas fragilidades. Tinha vontade de trabalhar elas. Traçou os objetivos e os realizou. Pronto.

Hoje ele é diretor daquela empresa, e, em paralelo, é sócio numa editora de livros infantis que era apenas uma start-up na época, mas que hoje é uma realidade. No fim do ano passado, O Globo fez inclusive uma matéria sobre ele.

Lição: se você não mudar, não evolui…

… vai passar a vida inteira sendo a mesma pessoa, sem nada aprender, sem nada mudar!

Mas a mudança é um exercício contínuo.

Primeiro você deve DECIDIR mudar. Esta é a parte mais importante: aceitar essa mudança. O futurólogo australiano Peter Ellyard diz que “nós não podemos criar um futuro que inicialmente não imaginamos”.

Mas nem sempre é óbvio, mesmo que sua característica te incomode. Algumas pessoas vão dizer “que você não é mais o mesmo(a)” em tom de crítica, hábitos irão mudar, enfim… faz parte do processo.

Depois, você precisa definir como irá mudar e encarar os desafios dessa mudança.

Não é o que a gente é por dentro que nos define, mas sim o que a gente faz! Nossas ações se tornam o que somos, no final.

Essa é minha história com o planejamento.

Um pouco como Bruce Wayne, traumatizado por cair num poço com morcegos, e que acabou tornando o morcego no símbolo do seu poder.

É totalmente possível. Quando a gente identifica uma característica nossa como fraqueza, a gente se esforça para muda-la. Neste caminho, ela pode acabar se tornando nossa força.

No fim, planejamento financeiro para 2018 feito.

Mas antes, veio meu planejamento de metas e objetivos gerais para 2018.

E antes dele, o meu planejamento de longo prazo… até o final da vida. Aos 80, ao olhar para trás, o que eu vou me orgulhar de ter feito? É assim que tem que ser. Afinal, 2018 é um ano que deve entrar no contexto dos objetivos da minha vida inteira. Não tem como ser planejado em separado.

Descobri que objetivos sem planejamento, não são objetivos.

São sonhos.

Abstratos, passivos.

À espera que um dia as coisas caiam do céu.

Deixa a vida me levar? Nem fooldend… Deixa eu levar a vida!

Vamos ver? Nem pensar! Vamos fazer!

Eu também não tinha o perfil.

Nunca tive, mas não sou Gabriela que “nasceu assim, que cresceu assim…” e por isso, tem que ser assim pelo resto dos seus dias.

Planejar é tomar as rédeas da SUA VIDA. É compromisso, é atitude!

Fracassar em planejar é planejar o fracasso.

Que Deus salve os “jotas”!

A todos um grande abraço!

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