Trabalhador improdutivo

Segundo dados da OCDE, entre as maiores economias do mundo, os trabalhadores norte-americanos, alemães e franceses são os mais produtivos. Ou seja, são os capazes de produzir mais riqueza por cada hora trabalhada.

Só para se ter uma ideia, um trabalhador brasileiro produz em uma hora de trabalho, em média, um quarto do que um norte-americano, um alemão ou um francês.

Isto significa que para fazer o mesmo que eles fazem em uma hora, nós precisamos de quatro.

Há definitivamente muita coisa que precisamos aprender.

Muita!

Produtividade americana: competição inspiradora

PE US

Quando adolescente, estudei na Flórida, nos Estados Unidos. No currículo, havia aulas de tecnologia e matemática avançada. A escola era pública.

Tínhamos aulas de esporte três vezes por semana. A estrutura era literalmente coisa de primeiro mundo: quadras de vôlei e basquete, campo de futebol com pista de atletismo, ginásio coberto, vestiários totalmente equipados e por aí vai.

O esporte é forte nos Estados Unidos e ele ensina muita coisa. Além da disciplina e do estímulo ao trabalho em equipe, um dos maiores aprendizados é sobre a importância da competição.

Por lá, desde cedo você aprende a ver a competição como algo natural, onde cada um tentando superar o outro dará o seu melhor e terminará por superar a si próprio.

E como a competição é algo natural, desde cedo você se acostuma a ver seu adversário apenas como adversário e não como um inimigo.

É possível aprender a reconhecer o sucesso alheio não com desprezo ou pela lamentação da sua derrota, mas como uma fonte de inspiração.

Ter em quem se espelhar pode ser o combustível necessário para se superar.

É possível se alegrar com a vitória de outra pessoa.

Assim, ainda se aprende desde cedo que algumas derrotas na vida virão, inevitavelmente.

Mas quanto mais você se esforçar, mais numerosas serão as vitórias.

Produtividade francesa: o foco

Produtividade na França

Faz dois anos que me mudei para a França.

Diz a lenda que francês gosta de férias e feriado e que não trabalha depois do horário.

E esse estereótipo está… certo.

Ao menos, em parte.

É mentira que não trabalham depois do horário. São muitos que o fazem, mas isto não é tão bem visto assim.

No Brasil, trabalhar até altas horas em geral costuma ser reconhecido como um esforço a ser recompensado.

Aqui, só se você realmente produzir muito mais que os outros… porque senão, pode ser visto como um sinal de incompetência.

Eles curtem bem as férias sim. Não é que uma ligação do trabalho no meio das férias não exista.

Existe. E muito.

Mas férias são para viajar e aproveitar ao máximo.

Só que é com a mesma seriedade em que encaram as férias e as folgas, que encaram o trabalho.

Assim que colocam o pé na empresa, começam logo a produzir e não param. Não tem whats app, nem Globo.com.

Atender uma ligação pessoal no meio do trabalho? Esquece!

É foco total.

Até a hora do break.

E o break é break mesmo. Seja o do café ou o do cigarro.

Tudo é levado a sério.

Uma amiga que trabalha na Suíça compartilha a mesma visão sobre os suíços.

Mas será que é uma particularidade deles ou nossa?

Apesar da fama (merecida) de bons vivants, a verdade é que os caras são mesmo eficientes.

A produtividade de um francês é, em média, 30% superior à de um britânico e quase 50% acima da de um japonês.

Minha filha de 14 anos teve que encontrar um estágio como parte obrigatória do seu estudo na França, no que seria o equivalente ao 9º ano no Brasil.

Faz parte da orientação profissional aqui.

Assim, as crianças começam a entender a importância do trabalho desde cedo.

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Eu trabalho na área financeira de um hotel cinco estrelas que pertence a um dos maiores grupos hoteleiros do mundo.

Ao meu lado, o controller de custos em seus trinta e poucos anos, que trabalhou por dois anos como garçom na Inglaterra, mais um ano em Arcachon, cidade litorânea no Sudoeste da França e mais um ano em Bordeaux, a capital mundial do vinho tinto, e onde eu moro atualmente.

As duas estagiárias de finanças têm menos de 20 anos. Estão fazendo o curso de Administração de Empresas em faculdades privadas caríssimas, entre as melhores do mundo, segundo o ranking do Financial Times.

Ambas começaram a trabalhar cedo, uma carregando caixas numa rede de supermercados e a outra chegava a trabalhar 14 horas por dia numa loja de impressão.

Trabalhar desde cedo faz parte da formação, mesmo que o trabalho não seja necessariamente ligado à profissão que deseja-se seguir no futuro.

Aliás, trabalhar por aqui é o seguinte: uma vez que você pisa na empresa, você já é considerado completamente apto a exercer sua função a pleno vapor.

Eles vão te apresentar uma pessoa aqui e ali, te dizer por alto as atividades e o funcionamento das coisas.

O resto é contigo.

Não tem muito aquilo de pegar pelo braço e mostrar tudo como é praxe no Brasil e a gente chama de « passar o bastão ».

Tem até uma expressão muito usada por eles aqui que é o se débrouiller. No português formal, a melhor tradução seria: te vira, negão!

Mas como é em francês, é chique.

O chefe também não vai ficar atrás de você pedindo para fazer mil coisas para ele. Ele te dá o espaço que você precisa para fazer o que precisa ser feito.

Tem gente que entende isso como frieza, eu vejo mais pelo lado da maturidade.

A verdade é que o brasileiro comum se acha o ser mais malandro e esperto do planeta, capaz de dar nó em pingo d’água.

Só que aos olhos do mundo, nós somos um povo ingênuo e inofensivo.

Todo mundo adora brasileiro por isso. Não há um só lugar que eu tenha ido e não tenha sido recebido com um sorriso largo ao dizer minha nacionalidade.

Isso, por um lado, já é ponto para a gente. 

Mas a visão de mundo do brasileiro é a de que a gente é criado num fervo e pronto para qualquer coisa.

Não é bem por aí.

É verdade que o Brasil não é para amadores, mas a vida, amigos, em nenhum lugar é.

É por essas coisas que quem participa de grupos de brasileiros fora do país volta e meia recebe o conselho de gente que já mora fora dizendo: olha, não é fácil assim, cuidado para não alimentar um sonho que não existe.

Muita gente encara isso como desencorajamento, mas na verdade é só pé no chão mesmo.

Tem quem idealize uma coisa que não existe em nenhum lugar.

Voltando ao assunto do trabalho por aqui, assinou o contrato, bateu o ponto, é contigo. E isso é para qualquer tipo de emprego, desde o faxineiro a um CEO.

Inclusive, socialmente a diferença entre os 2 cargos é bem menor do que no Brasil.

Ah, ganha-se mais por aqui, especialmente em empregos mais manuais. Sim, mas produz-se mais também.

É uma visão diferente de mundo. A maior parte passa pela educação, mas boa parte é cultural também.

Aqui não existe aquele vitimismo todo que existe no Brasil. 

E eu vejo tudo isso por uma ótica em que busco aplicar a tudo na vida: o foco deve estar sempre na solução, e não no problema.

Tem um problema?

De que adianta ficar vivenciando aquilo, pensando, se lamentando o tempo todo, dissertando… se queixando?

O foco é: como resolvê-lo?

Esquece de onde ele veio, quem causou, de quem foi a culpa la la la la.

Resolve e pronto.

Não tem mais jeito? Então, está resolvido.

É melhor gastar energia com coisas produtivas.

Depois que estiver resolvido, olhar para as raízes do problema será importante para evitá-lo no futuro. Mas só depois.

É uma questão de prioridade.

Existe muita coisa a ser resolvida no Brasil e um bom começo seria priorizar as maneiras de “como” resolvê-las.

Não quero passar a ideia de que tudo seja perfeito nestes lugares. Não acho.

Pelo contrário, há muito potencial no Brasil.

Só que há lições que podemos aprender. Já aprendemos muitas. Em muitos aspectos, reinventamos coisas incríveis com a nossa criatividade.

Aliás, longe de mim querer passar uma visão estereotipada do mundo. Trata-se apenas de compartilhar experiências diferentes.

E por mais que cada pessoa seja diferente da outra seja no Brasil, nos EUA, na França ou em qualquer lugar no mundo, é inegável que existam aspectos culturais singulares em cada povo. Há algo de comum no todo. Seja nas escolas, no trabalho, na cultura, na vida social. Tudo se faz refletir no resultado final.

Em relação à escola em que estudei nos EUA, por exemplo, a crítica de alguns era de que o ensino por lá era mais fácil do que o de escolas privadas no Brasil.

Mas qual o intuito de criar dificuldades teóricas tão longe da realidade que os alunos não consigam identificar uma aplicação prática na vida real?

Muitos acabam até por se desmotivar…

Educação Financeira no Brasil

Educacao Financeira no Brasil

Ainda não há nas escolas brasileiras o devido foco em Educação Financeira.

A maior parte da população começa a tratar o dinheiro na vida adulta sem qualquer orientação prévia de como se planejar para uma vida financeira saudável.

No fim, se enrola.

Imagina, absolutamente todas estas crianças que hoje estão numa escola, um dia vão precisar lidar com dinheiro na vida.

E eles estão aprendendo literatura, espanhol, como calcular pi… nada contra. Mas vão sair completamente despreparados para lidar com as finanças na vida adulta.

Educação Financeira deveria ser matéria básica em todas as escolas do mundo.

É preciso também um mínimo de conhecimento em economia para que qualquer um seja capaz de refletir sobre o seu lugar nesse mundo, de entender como ele funciona.

O conhecimento é o único caminho possível para a construção de uma vida financeira saudável.

Com tudo, o Brasil é uma democracia. Quer queira, quer não, a responsabilidade é nossa. Todos admitem que grande parcela dos problemas do país vem de nós mesmos, brasileiros.

Mas aparentemente brasileiro é só “o outro”. Ninguém vê em si próprio os problemas do país.

Quer uma dica? Olhe para si.

Como está sua vida financeira?

Pergunto isso porque como é possivel construir um país equilibrado sem que sejamos capazes de equilibrar nossas próprias vidas?

—- No primeiro capitulo do livro “E se você não morrer amanhã?” falo que escrevi a introdução do livro três vezes até chegar à versão final. Este artigo é uma dessas versões intermediarias —

Se gostou do texto, continue lendo o livro:

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Versão impressa: https://clubedeautores.com.br/book/254521–E_se_voce_nao_morrer_amanha
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A todos, um grande abraço!

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