040818

série 100 ideias para mudar o Brasil não poderia começar de outra forma se não pela identificação dos maiores problemas do país.

Há um consenso que eu acho perigoso hoje em dia em torno da corrupção.

Realmente ela é um problema endêmico, grave, precisa de ruptura imediata.

No artigo Isto nunca daria certo no Brasil que estourou há pouco mais de 2 anos, eu falo da corrupção generalizada no Brasil e não apenas da dos políticos. 

Quem ainda não leu esse artigo, recomendo que leia. Foram dezenas de milhares de acessos ao blog nas primeiras horas depois de publicado. 

Agora, há uma ideia errada de que a corrupção seja o ÚNICO problema do Brasil. De que o país é um país naturalmente rico e que se não fosse a corrupção…

Bullshit!

Não é! Existem muitos outros problemas que precisam ser identificados para que possam ser corrigidos. Aqui vou falar de alguns, que ao meu ver, são prioritários.

  1. Baixa produtividade do trabalhador brasileiro

Um trabalhador brasileiro leva quatro horas para fazer o que um americano, alemão ou francês faz em apenas uma. Grosso modo, se eles fazem uma casa em três meses, nós precisamos de 12 meses. É claro que o dia tendo 24 horas em qualquer lugar do planeta, a gente nunca será tão ou mais rico que ninguém se não formos capazes de produzir riqueza.

Isto não é nenhuma abstração não, é concreto até demais.

Precisamos ser mais eficientes. Ponto.

Essa ineficiência passa por baixa qualidade da educação, falta de foco e objetividade, cultura anti-capitalista, burocracia confusa e excessiva, baixo investimentos em tecnologia e por aí vai…

2. Estado idealista, mas irreal

A Constituição de 88 prometeu aos brasileiros o paraíso. Todos teriam acesso a educação, saúde, proteção social, aposentadoria, o que você possa imaginar! É lindo de ler. Falta ser realista. Falta dizer que o Estado não passa de uma espécie de clubinho sustentado por todos nós. É o Estado que depende de nós, dos impostos que nós pagamos com parte da riqueza que produzimos. Não somos nós que dependemos do Estado. Isso não existe. E esse excesso de Estado é uma equação que só fecha para inglês ver. Na prática, tudo funciona meio que mais ou menos…

3. Não há um projeto de país para o longo prazo

Bem, tá aí uma história que a gente deve passar a limpo antes das próximas eleições. Vamos lá. Numa democracia, o político precisa do voto para manter seu emprego. Então, o que ele faz é na véspera das campanhas eleitorais gastar o que pode e o que não pode com construção de praças, escola, aumento aos servidores… tudo atrás do voto. Sempre foi assim. Dá para arcar? Não, não dá, mas empurra com a barriga… “olha, é fim de mandato depois de mim entra outro e o problema será dele”.

O que acontece depois?

O sucessor se fo… e o povo volta o seu amor ao seu campeão-gastador-populista, que em geral volta ao poder nos braços do povo.

Parece familiar para você?

Então, isso sempre funcionou assim. Não precisa ser um gênio para entender esse mecanismo. Só que ele perpetua a pobreza do país e impossibilita o crescimento sustentável no longo prazo. O país cresce rápido nos anos da gastança, mas volta à estagnação (na melhor das hipóteses ou recessão, na pior) nos anos em que “a conta deve ser paga”.

Não há um compromisso com o futuro do país. Só com a imagem do Governo, do partido, do próprio populista, enfim…

Isto sempre atrapalhou o Brasil.

E os eleitores sempre caíram nessa (e continuam caindo porque o discurso é fácil e cola, vai).

No ano 2000, o Governo FHC conseguiu sancionar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Na prática, a lei amarra os braços dos políticos nessas situações. É um conjunto de regras que limita o seu poder respeitando a sustentabilidade das contas públicas. Foi um avanço imenso em termos econômicos!

O político que desrespeitasse essas regras poderia perder até o seu mandato, como aconteceu com presidente Dilma Roussef em 2016.

Essa lei é uma lei que pensa o país no longo prazo. Só que ela é um exceção. Em geral, as decisões não são pensadas nessa maneira. Temos um problema fiscal grave, a previdência precisa ser reformada. Sobre o assunto, diz a lenda que ainda num Governo Militar o presidente teria sido informado da gravidade da previdência. Ao que teria respondido “Vai estourar no meu mandato? Se não, deixa que outro resolve.”

É preciso pensar no país acima do seu próprio mandato.

A lei do congelamento de gastos por 20 anos de Temer vai nessa direção. Ela não é popular, muito pelo contrário ela é pelo Brasil do futuro.

Goste você ou não do cara…

4. Ninguém entende o Brasil

São mil regras e duas mil exceções. A gente mal conhece os nomes dos impostos que a gente paga. É uma confusão geral. Sinceramente, isso atrapalha a produtividade, a participação popular e nossos deveres e direitos como cidadão. O resultado é o caos. Não há democracia plena se o cidadão não tem consciência do funcionamento do Estado. É preciso SIMPLIFICAÇÃO na medida do possível. As vezes a simplificação pode até ser meio injusta em alguns casos. Sim, mas o desconhecimento das regras de funcionamento do Estado é injusta em todos os casos.

5. O Brasil não é um país liberal nem pró criação de riqueza

Economia é troca. E a troca beneficia todos os agentes envolvidos nela. Um padeiro fica feliz ao vender seu pão, o consumidor ao comprá-lo. Bingo. Economia é isso, ganhos múltiplos. Quanto mais frequentes as trocas, maiores os ganhos. Os EUA e a Europa são economias muito mais liberais que a nossa. Há tanto um incentivo ao empreendedorismo interno quanto a abertura comercial. No Brasil, negócios são mal vistos, os entraves enormes, a burocracia absurda, e empreendedorismo, infelizmente, não se ensina nas escolas brasileiras. A sala de aula que está cheia é a do cursinho preparatório para concurso público.

No ranking de liberdade econômica somos o 153º dentre 180 pesquisados. Somos o 28º país mais hostil a geração de riqueza do mundo.

6. Falta meritocracia

Meu amigo, posso garantir que o seu status econômico está muito fortemente ligado ao status econômico da família em que você nasceu. No Brasil é assim. Muita gente pobre até muda de vida, mas a base de muito perrengue, muita luta. Não somos um país meritocrático. Longe disso. Somos conservadores.

O Brasil é o 10º país mais desigual do mundo! Não é possível que só no Brasil (e nos outros 9 países piores do que o nosso) as pessoas sejam merecedoras de forma tão desigual!

A questão racial é outra coisa, mas parte da mesma discussão.

A Tais Araújo ano passado falou sobre a questão da cor do filho dela fazer as pessoas trocarem de calçada. Nego caiu de pau…

A Tais Araújo fala besteira pra kct, mas dessa vez ela tava certa.

Amigo, o Brasil é um país preconceituoso para caralho! O cara acha que não porque ele tem amigos em qualquer cor e origem… para tomar cerveja no boteco, não somos preconceituosos mesmo não, para abraçar o camarada no Maraca no gol do Flamengo etc… isso é uma coisa.

Agora se você tá na rua 1h da manhã voltando pra casa e me disser que é indiferente entre se deparar com um grupinho de 5 negros de camisa rasgada e 5 loirinhos de olhos azuis nas mesmas condições vou te dizer que é mentira.

Mas eu te entendo pq eu faria o mesmo.

Sabe pq? Porque a maioria dos assaltantes no Brasil são pobres. A maioria dos negros no Brasil são pobres. Você não desgosta de ninguém por causa da cor de pele. Você apenas identifica o perigo baseado num cálculo racional. Você pode até evitá-lo devido às pressões sociais raciais pensando “não, não vou pensar isso só porque são negros”, mas naturalmente isso existe.

Brother, na boa, quem acompanha o blog, já leu meus livros, sabe: eu sou um cara ZERO coitadista, vitimista… DETESTO ISSO. É um mal para qq indivíduo, qq país. Mas não dá para fingir que nada disso existe, porra!

É bem simples, zero conceitual e totalmente factual: a cor da pele interfere nas classes sociais brasileiras. E muito! Tem como resolver? Ou queremos deixar como estar? “Faz parte da vida, a vida é assim, vai ser sempre assim” etc?

Bom, eu não sou conservador, sou pro meritocracia! Vejo a pobreza como algo bem natural da vida. So não pode ser um Karma. Deve ser a recompensa de quem tem menos força de vontade, aptidão ou até uma escolha de vida. Não é pecado ser pobre. Pecado é ser pobre siplesmente pela cor da sua pele ou pela família em que você nasceu. 

Enfim, existem diversos outros problemas no país. Aqui mostrei os 6 que vejo claramente como os que devem ser combatidos.

O problema da educação é um problema raiz que impacta a meritocracia, a produtividade entre outros… a partir da semana que vem, vou postar algumas ideias minhas para o Brasil sugerindo soluções para resolver alguns desses problemas… o tom vai ser descontraído, as ideias apresentadas de formas bem gerais e tangíveis.

Já escrevi muito por hoje….

A todos um grande abraço!

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Até a próxima!

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