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Essa historia de direita e esquerda ja encheu o saco ha muito tempo com essa tentativa de colocar as pessoas em duas caixas, e as que resistem a se encaixar nelas acabam acusadas de “isentonas”.

As pessoas precisam desse sentimento de pertencer a um grupo… até outro dia nos xingavamos pelos nossos diferentes times de futebol. No passado (e em alguns casos no presente), nacionalismo e religião levavam pessoas às guerras.

John Cleese, do Monty Python, foi quem definiu melhor esse efeito:

“A gente tem ouvido muito sobre extremismo recentemente. O clima está duro, agressivo: muito desrespeito e pouca empatia.

O que nunca se ouve por aí é sobre as vantagens de ser extremista. E a maior delas é que o extremismo faz você se sentir bem. Ele te proporciona inimigos, afinal.

E com inimigos você pode fingir que toda a maldade do mundo está neles, enquanto toda a bondade reside, claro, em você.

Se você se juntar à esquerda radical, seus inimigos serão todas as formas organizadas de autoridade, especialmente a polícia, mais os juízes, os Estados Unidos, as multinacionais e os moderados.

Agora, se você preferir ser um extremista da direita, sem problemas, também vai ter uma lista adorável de inimigos: minorias, sindicatos, manifestantes, socialistas e, naturalmente, os moderados.

Uma vez armado de uma dessas listas de inimigos, você pode fazer qualquer perversidade e, ainda assim, ter certeza de que o seu comportamento é justificável.”

E num momento em que começamos a comemorar uma ditadura militar no Brasil, realizamos o nivel de extremismo a que chegamos. “Tudo vale a pena se a luta for contra o inimigo certo”.

A esquerda, vocês sabem, não é um centimetro melhor que isso. Afinal, a justificativa real do Golpe de 64 era evitar uma ditadura da esquerda. De fato é pelo que muitos lutavam.

So que entre o radicalismo dessa esquerda e direita, ha os isentões – os que não se encaixam nem em um e nem em outro. Aqueles que entre uma ditadura de esquerda e uma de direita, preferem lutar pela liberdade e democracia até o fim.

O Liberalismo não é de esquerda nem de direita. Liberalismo é liberal apenas – e em todos os sentidos.

A chamada direita moderna se apropriou do lado econömico do liberalismo. A esquerda moderna, do lado social.

No liberalismo total, a economia é livre, o individuo escolhe o que consumir, o Estado é minimo, as fronteiras não existem nem economica, e nem politico, nem religioso e nem populacional.

Desculpem a grosseria, mas no Liberalismo cada um esta pouco se f***** para sua decisão pessoal. Cada um tem seu direito de decisão respeitado, o direito de viver conforme lhe parece ser melhor contanto que não prejudique (muito e diretamente) terceiros.

No liberalismo, coisas como opção sexual, aborto, consumo de drogas, escolhas religiosas, etnias… são assuntos que cabem às familias. E são direitos de escolha que são preservados.

A diferença não é linda, como prega a dita esquerda, nem repugnante, como julga a direita. Eh um direito, um assunto que não cabe julgamento.

Nesse mundo, a liberdade de imprensa, respeitos às intituições e os demais valores democraticos são pétreos.

Então, meu camarada,

– se você chama um juiz de ladrão porque pôs quem você votou na cadeia, você não é liberal.

– se você vai na rede social ofender jornalista, chamando de esquerdista ou fascista pq não noticiaram da maneira que você acha que deveria, você não é liberal.

– se você acha que uma mãe não tem o direito de levar seu filho numa exposão num museu porque não concorda com a exposição, você não é liberal.

– se você acha que o fato de você não concordar com o aborto deve impedir uma mãe de discordar de você, você não é liberal.

E por ai vai…

Durante as ultimas eleições brasileiras, revistas internacionais consideradas liberais foram acusadas de esquerdistas (elas ja tinham sido acusadas de fascistas antes). Chegaram a dizer que em inglês, liberal significa de esquerda.

Bullshit! Eh que dentro das caixinhas fechadas de direita e esquerda que existem hoje no Brasil, a ideia de liberalismo não tem vez.

Na verdade, essa apropriação pela esquerda do liberalismo social progressista, é relativamente recente. Governos socialistas no passado perseguiam gays e outras minorias.

Da mesma forma é a adesão da direita ao liberalismo econömico. A economia no regime militar brasileiro era tudo, menos liberal. O mesmo com os regimes fascistas e nazistas.

Por falar nisso, o assunto que voltou foi a direita definir o Nazismo como um movimento de esquerda. Uma das justificativas é o nome “Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães”. Como tem socialista no nome, so pode ser de esquerda, certo?

Pela mesma logica, a Republica Democratica da Coreia (vulgo, Coreia do Norte) so pode ser uma democracia… e o cantor Belo, então!

Não vou entrar de novo nesse assunto, todo mundo quer empurrar o filho feio para o outro lado, mas a verdade é que independente de ser de direita ou de esquerda, o que une o Nazismo ao Socialismo Soviético é que ambos eram regimes totalitarios e anti-liberais. Seus inimigos comuns não o eram por serem capitalistas ou socialistas. Inglaterra, França e EUA são potências liberais: economicamente e socialmente falando. Ninguem comemora ditadura nem de direita, nem de esquerda. As minorias não são herois, nem vilões, mas seus direitos são garantidos, a liberdade de imprensa, o respeito às instituições democraticas (Congresso, Justiça, etc)…

E esse Governo reacionario atual é tão liberal quanto era o Governo petista… ambos mancos. Sinto informar.

O liberalismo tem que ter vez no Brasil e não é o liberalismo nem do PSOL e nem o da Faria Lima.

Eh o verdadeiro, completo e por inteiro.

E vou terminar com o quote do Gabriel Oliva C. Cunha, um economista de 29 anos,  aluno do PhD da Duke University, falecido esta semana por conta de um cancer descoberto ha poucas semanas:

“Para que o liberalismo se desenvolva, é salutar o seu desvencilhamento da mentalidade reacionaria que empobrece o debate de ideias e distorce o proprio liberalismo transformando-o numa caricatura anti-comunista. O liberalismo precisa ser, primordialmente, pró-liberdade, e não anti-alguma coisa.”

O Liberalismo é muito maior que isso.

Obrigado, Gabriel! Que Deus o receba!

Abraços do “isentão”, com orgulho,

Riko Assumpção

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