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Que isso!

Uma década em um mês. Eu passei 2 semanas no Rio em fevereiro – desligado das notícias do mundo… Quando voltei para a Europa, descobri a explosão de casos no norte da Italia: pouco mais de 200 casos. De lá para cá muita coisa mudou.

Caiu a ficha

O mercado financeiro entendeu o problema. Alguns investidores no início acharam que não seria nada. Uns acharam que as primeiras quedas na bolsa representavam uma oportunidade de comprar ativos baratos.

No fim de Fevereiro o Ibov fechou a 104 mil pontos – ja quase 15% abaixo do pico. Em 27/03, último pregão antes da publicação deste post, ele fechou a 73 mil – uma perda de quase 1/3 do valor anterior.

Economia

Agora que o pessoal entendeu que não se trata de “promoção” mas de uma crise econômica real, bateu o desespero!

“A economia não pode parar”

“O confinamento vai acabar gerando uma crise”

Amigos, a crise já esta aí, com ou sem confinamento. Vamos lá, tenho escrito isso aqui desde Janeiro:

  • Se a China cai, o Brasil sente (a China é o maior parceiro comercial do Brasil)
  • Se a Europa cai, o Brasil sente (a UE é o segundo maior parceiro comercial do Brasil)
  • Se os EUA caem, o Brasil sente (os EUA são o 3° maior parceiro comercial do Brasil)

Nós vivemos num mundo Globalizado. A Itália pode levar a UE para o buraco. A UE leva a China para o buraco, e ambos juntos podem levar os EUA… é uma grave crise Global. Mto além de qualquer decisão de se abrir ou não casa lotéricas.

Previsão para 2020

A Moody’s reviu sua projeção para o crescimento global este ano: queda de 2% no PIB dos EUA e de 2.2% no da Zona do Euro. Na China, a agência acredita num crescimento de 3%.

“A recessão ótima”

Alguns pensamentos sobre a pandemia de ninguém mais, ninguém menos que Gregory Mankiw, professor e pesquisador de Harvard e autor de alguns dos mais usados livros de Macroeconomia das Universidades do mundo todo (original aqui).

  • Uma recessão é provável e talvez ótima (não no sentido de desejável, mas no sentido de melhor que podemos fazer nessas circunstâncias).
  • Mitigar a crise da saúde é a primeira prioridade. Dê ao Dr. Fauci tudo o que ele pedir.
  • Os formuladores de políticas fiscais devem se concentrar não na demanda agregada, mas no seguro social. Planejadores financeiros dizem às pessoas que têm que ter seis meses de despesas de subsistência em um fundo de emergência. Infelizmente, muitas pessoas não tem. Considerando a dificuldade de identificar os realmente carentes e os problemas inerentes à tentativa de fazê-lo, enviar a todos os americanos um cheque de $1.000 o mais cedo possível seria um bom começo. Um corte de impostos faz pouco sentido nessa circunstância, porque não faz nada para quem não pode trabalhar.
  • Há momentos de se preocupar com a crescente dívida do governo. Este não é um deles.
  • As externalidades são abundantes. Ajudar as pessoas a superar suas dificuldades econômicas atuais pode manter mais pessoas em casa, reduzindo a propagação do vírus.
  • A política monetária deve se concentrar em manter a liquidez. O papel do Fed na fixação das taxas de juros é menos importante do que o papel de credor de último recurso.
  • O presidente Trump deve calar a boca. Ele deve deixar para aqueles que sabem do que estão falando. Infelizmente, é improvável que isso ocorra.

Na UFRJ, a gente não usava Mankiw, mas outro livro didático dos mais usados no mundo que é o de Olivier Blanchard, o economista francês que liderava o FMI. Só que Blanchard parece concordar com Mankiw.

“A recessão não ótima”

No Brasil, a opinião de Alex Schwartsman, ex diretor do Banco Central, se encontra aqui. Apenas um trecho de seu texto:

Há, claro, os custos, inclusive em vidas humanas, da recessão por força das medidas de distanciamento social, mas a este respeito cito trabalho recente de Robert Barro, José Ursua e Joanna Weng sobre a “Gripe Espanhola” de 1918-19 que tenta estimar os efeitos da influenza sobre a atividade, chegando a um impacto ao redor de 6% de queda no PIB per capita (e 8% para o consumo per capita) para mortalidade ao redor de 2%.

Se corretos, tais números sugerem que não combater a infecção por meio da quarentena terá resultados econômicos mais severos e por motivos ainda piores.

Com ou sem confinamento, uma recessão é inevitável. Parece apenas que a recessão criada pelo confinamento, ao achatar a famosa curva, parece ter um efeito mais suave e de caráter temporário. Para a economia, mas sobretudo em vidas humanas.

O tempo é um ativo importante em todos os casos. Tempo para descobrir, confirmar, produzir e distribuir a cura e uma futura vacina.

Horizontal ou Vertical?

No Brasil, isso acabou se tornando uma guerra ideologica entre os politicos. Eh importante nesse caso – em que ainda se sabe tão pouco sobre essa doença – saber ouvir e respeitar os dois lados. So assim, poderemos tomar a decisão mais democratica e acertada que preserve o maximo de vidas e impactos reversos nas vidas dos demais.

Essa Guerra não ajuda a ninguém. Atacar a imprensa livre, menos ainda. Por mais que você discorde do que ela possa divulgar. Faz parte da democracia.

Le confinement

Queria dividir aqui as medidas do lockdown aqui na França.

  • Param bares, restaurantes e outros serviços não essenciais que dificilmente atuariam sem a presença de conglomerados.
  • Trabalha de casa quem pode. Quem não pode, o empregador preenche uma declaração e o funcionário trabalha normalmente contanto que o risco de trabalhar seja controlado/mitigado.
  • Os empregados de serviços não essenciais ou saíram de férias ou entraram no desemprego temporário. A empresa não tem o custo do empregado pelo período e o desempregado recebe em torno de 80% do seu salario liquido como seguro desemprego.
  • Qualquer empresa ou serviço que possa ser oferecido, vai continuar sendo contanto que seja possível aplicar as medidas de segurança como 1m de distância, higiene, etc. Eh o caso das fabricas na minha empresa que continuam funcionando apos um periodo paradas para adaptação.
  • Impostos, contas de luz e gás estão suspensas. Lembrando que empresários não tem custo do empregado no período. Em Paris, trens e Metros continuam funcionando (embora em número reduzido graças a menor demanda).
  • Foi anunciada a extensão do tempo maximo de trabalho de 48h para até 60h por semana, férias e folgas compulsórias decidido pela empresa (entre diversas outras medidas), para preparar a retomada econômica.
  • Nos mercados não falta nada. As prateleiras se esvaziam rapidamente, mas os estoquistas repõe. (Ao menos nós que fui). Mtos Restaurantes funcionam ao modo “to go” e entregando em casa.
  • A ideia é que todos perdem um pouco: os empresários, os trabalhadores e o Governo. A perda é repartida e a intenção é que seja minimizada. Nenhuma atividade deve ser parada se não tiver motivo real para isso.

No Brasil, a Terra dos Extremos

tudo é radicalizado, tudo ganha um tom dramatico. “Recessão” no Brasil vira “vai morrer todo mundo de fome“. Serviços essenciais continuam” vira “enquanto os entregadores do iFood se sacrificam para você ficar no conforto da sua casa“. Ou trabalha todo mundo ou não trabalha ninguém, ou o Governo banca tudo ou qualquer interferência do Governo “é de esquerda”.

Teve até gente postando “Confinamento: Fiquem em casa.” num dia e mudando de opinião no outro pra se alinhar ao politico favorito.

Que mais esperar do pais dos ultra ricos e ultra pobres. No Brasil é assim, ou é branco ou é preto, ou é Dilma ou Bolsonaro. Ou “homens são um mal” ou “lugar de mulher é na cozinha”.

Não ha meio termo. So deixa tudo mais dificil num momento como esse.

O problema matematico

Tem gente que ainda não entendeu a gravidade dessa crise. Para os que comparam com os mortos por outras doenças, eu acho que o problema é a baixa qualidade de ensino de matematica nas escolas.

Para os que dizem que “é soh uma gripe” porque a taxa de mortalidade é baixa, tem dificuldade de enxergar além do proprio umbigo. Como disse, a COVID19 é um problema social muito maior que individual. Para vc pode ser uma gripe, mas para a sociedade não é. Somos todos impactados.

No mais

O meu conselho é manter a melhor energia possivel. Sem desespero, mas também sem fazer pouco caso do problema.

Crie uma rotina. Faça exercicios fisicos, mesmo dentro de casa. Coma bem. Não se envolva em discussões politicas. Acompanhe o que acontece no mundo nessa crise, mas não mais de 15 minutos por dia. Limite seu tempo no whatsapp e nas redes sociais. Expresse sua opinião, mas entenda que é normal que outros discordem.

e leia livros!

Eu to deixando aqui um livro meu disponivel gratuitamente essa semana de 29/03 a 2/04.

Força!

Abraços e até a proxima!

Riko Assumpção

-> Este artigo esta disponivel no meu Podcast
https://anchor.fm/riko-assumpu00e7u00e3o/episodes/Cenrio-do-ms-de-Maro-de-2020-ec27ev