Palavra do Estrategista

Em Agosto de 2014, antes da reeleição da Dilma, eu dei voz aqui a um Relatório da Empiricus entitulado “O Fim do Brasil”.

Na época, o apocalipse apresentado por Felipe Miranda, estrategista-chefe da Empiricus, parecia exagerado para muitos. O Brasil ainda vivia em um ambiente de desemprego baixo e renda em alta, mas dava claros sinais de que o rumo que o país estava tomando traria consequências graves.

Alguns meses depois, a crise ficou mais evidente, mas como as consequências ainda não eram tangiveis para o povo, muitos questionavam “que crise?”.

É possivel fazer um paralelo com a Crise do COVID-19: “mas a gripe mata mais que isso” diziam mais recentemente.

Aprenda, economista não olha o presente pelo presente. O presente é dado, e pouco nele pode mudar. O que mais interessa a nós, economistas, é o futuro. Nesse sim, temos o poder de construr de formas diferentes.

Não é a crise que existe que nos atrai (tarde demais para evitá-la). Eh a crise que pode existir.

Não são as mortes que o Coronavirus causou, mas as que ainda pode causar.

O futuro é incerto, eu sei, mas é exatamente por isso que nos interessa. Cheio de riscos e oportunidades. Eh por isso que hoje eu compartilho aqui com vocês mais uma vez, mais de 5 anos depois, as palavras de Felipe Miranda.

Um giro de 180 graus na política e na economia brasileira: no final, Bolsonaro e Lula/Dilma eram tão diferentes, que se tornaram iguais.

Caro brasileiro,

O governo acabou.

O ideal de um mandato escorado na sustentação ética e moral, no combate à corrupção e em uma agenda liberal… chegou completamente ao fim.

Assim como não existe mais qualquer expectativa de cumprimento de uma agenda de reformas estruturais, de ajuste fiscal, de concessões, de privatizações…

Não há mais qualquer um desses elementos na pauta.

A velha política, com o seu presidencialismo de coalizão envolvendo negociações com as raposas de sempre e o capitalismo de compadrio, mais uma vez prevaleceu.

O governo tornou-se um grande balcão de negócios, onde cargos são distribuídos em troca de sobrevida.

Ao abrir as portas do Executivo para figuras como Roberto Jefferson, Valdemar Costa, Ciro Nogueira e nomes de igual “envergadura moral”, abrem-se também as portas das contrapartidas típicas. O Executivo está nas mãos do Centrão, e por ele passará a ser chantageado.

Estamos diante de um dilema, em que resta sabermos se teremos um fim terrível (impeachment em meio a uma recessão e uma pandemia) ou um terror sem fim (um governo que se arrasta, com doses homeopáticas de sofrimento).

Inicia-se agora uma nova era para o governo Bolsonaro, uma espécie de segundo mandato: de orientação desenvolvimentista, dos “PACs”, dos “campeões nacionais”, com a economia conduzida pela Casa Civil, com maior orientação estatal e que tem o Centrão como o fiel da balança.

Um Presidente que se fecha com seus subservientes, que passam a preencher ministérios e secretarias, abandonando a ideia inicial de um governo de notáveis e de nomeações técnicas.

É um roteiro de filme de terror, aparentemente inevitável, e cujas consequências são amplamente conhecidas…

Se você pensou no Segundo PND, de Geisel, ou na “Nova Matriz Econômica”, de Dilma/Arno/Mantega, encontrou um bom paralelo. Repetir um experimento esperando um resultado diferente é uma das definições de loucura.

Essa, inclusive, poderia ser uma descrição precisa do segundo mandato Dilma, que culminou no maior escândalo de corrupção que se tem notícia até hoje, na maior recessão da história republicana brasileira e no impeachment da presidente…

Mas é a definição do segundo mandato do governo Bolsonaro, que começa a partir de agora.

E, desta vez, é ainda pior.

Enfrentaremos uma nova crise política e institucional ao mesmo tempo que teremos de lidar com:

  • O pico de contágio do coronavírus

  • O maior tombo já registrado no PIB brasileiro na história em 2020 (isso já era realidade antes da crise política)
  • Uma crise cambial, com o dólar já em seu maior valor nominal contra o Real desde sempre

  • Uma economia internacional altamente combalida, sustentada por artificiais estímulos monetários e fiscais, cujas consequências podem ser enorme endividamento, baixa capacidade estrutural de crescimento e bolhas de ativos
  • Preços de commodities em níveis baixos, o que é sempre muito ruim para mercados emergentes — exemplo maior no petróleo, cujos preços chegaram a ficar negativos há pouco tempo.

A combinação desses fatores, infelizmente, leva a crise atual para outro patamar, sem qualquer paralelo histórico e com um potencial devastador.

Mercados serão frontalmente impactados. Empregos serão destruídos. A sua renda e o patrimônio da sua família poderão ser (ainda mais) impactados.

Não subestime o risco de as coisas ficarem muito piores. Porque elas, realmente, podem ficar muito piores.

Estamos lidando com curvas potencialmente exponenciais — e isso desafia nossas mentes, tradicionalmente treinadas para pensar de forma linear.

Você lembra da sua rotina 10 anos atrás?

Os instrumentos financeiros que tinha à disposição em 2010, as tecnologias que utilizava, qual era o seu nível de renda uma década atrás?

A economia brasileira voltou 10 anos no tempo e marcará, em 2020, a maior queda no PIB de toda a sua história.

Mas isso já é fato consumado.

O que realmente preocupa, agora, é o segundo estágio da contaminação econômica:

Oito das Principais Agências de Inteligência do Mundo alertam para um COLAPSO IMINENTE em nível global.

E a economia brasileira, fragilizada e em meio a uma crise política e institucional, está na rota de colisão.

Corremos o risco de estar diante da maior bolha da história do sistema financeiro mundial, com a reação de Bancos Centrais e de Tesouros Nacionais à crise do coronavírus superando em muito qualquer precedente histórico.

É uma experiência totalmente nova, sem sabermos quais suas consequências. Poderemos mesmo emitir moeda de forma definitiva e endividar governos e empresas sem nenhum impacto futuro?

Será que não estamos condenando gerações posteriores a um baixo crescimento, quando teremos de lidar com essa herança de superendividamento?

Se estivermos mesmo inflando uma bolha desse tamanho, seu estouro poderia levar ao limite as consequências daquilo que já está estabelecido como o maior tombo da história da economia brasileira.

Somente com o impacto que as paralisações provocaram até agora, já temos uma projeção de retração de 5% no PIB brasileiro em 2020. São dados do FMI, que por si só configurariam a maior queda já registrada em nosso PIB em toda história.

Isso quer dizer que voltamos 10 anos no tempo. Ao tamanho que a nossa economia tinha em 2010.

Fonte: Empiricus (dados FMI)

Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, a população brasileira está empobrecendo em um ritmo ainda pior… que não acontece há 100 anos.

Fonte: Valor Econômico

E isso, eu reforço, apenas com o retrato ATUAL, sem colocar na conta eventuais complicações adicionais geradas pelo fim do período de isolamento social, pelo pico da pandemia ou pelos desdobramentos da crise política.

Assim como a saída do ministro Sérgio Moro representou simbolicamente a queda de dois dos principais pilares que elegeram Jair Bolsonaro, notadamente o da segurança pública e do combate à corrupção… o plano Pró-Brasil marca a ruptura com o que seria o terceiro pilar de sua eleição: a agenda de reformas e a pauta liberal.

No final do dia, temos atingidas duas sustentações importantes da base bolsonarista: o lavajatismo, com a saída do ministro Moro, e o antipetismo, pois agora se perdeu o antagonismo clássico entre as partes — nele se apoiavam a bandeira do combate à corrupção, a rigidez na segurança pública, as críticas à “velha política”, a insatisfação com o Governo perdulário, a defesa de “Mais Brasil, Menos Brasília”; tudo acabou agora.

E isso torna-se uma ameaça ainda maior diante do que você vai ver agora…

O que poderia ser pior do que uma pandemia, uma crise política, o resgate da política-econômica de esquerda e uma recessão econômica?

Imagine tudo isso, junto, em meio a uma situação muito crítica das economias e dos mercados internacionais…

Fonte: O Globo
Fonte: Reuters

Fonte: Reuters

A crise já tinha uma dimensão global, sendo superior à Grande Crise Financeira de 2008, e com similaridades à Grande Depressão de 1929, com desdobramentos sobre toda a década de 30. Isso já não é mais uma hipótese. É algo que já está dado. Fato consumado.

E não sou apenas eu quem está dizendo isso…

No exato instante em que eu escrevo esta tese, tenho em minha mesa comunicados de OITO das mais importantes agências de inteligência financeira do mundo.

Todos alertam para a mesma coisa. Algo estarrecedor.

A maior de todas as crises está formada.

Uma recessão generalizada, que encontra paralelos apenas na Grande Depressão de 1929.

Para você ter ideia, a Grande Depressão de 1929 encontrou a sua recuperação econômica somente a partir de 1939 – ou seja, 10 anos depois.


Fonte: Folha de S.Paulo

Fonte: Bloomberg


Fonte: Fitch Ratings


Fonte: DailyMotion; Al Jazeera


Fonte: Bloomberg

Fonte: Bloomberg


Fonte: CNN Brasil

Isso sem contar as mensagens do círculo de alguns dos maiores investidores do mundo. Nomes como Ray Dalio, Carl Icahn, Mark Mobius e Mohamed El-Erian endossam a lista de grandes investidores e autoridades que têm alertado para o tamanho do que está por vir.

Fonte: O Globo

Fonte: Financial News – London

Fonte: Forbes

Fonte: Bloomberg

Tenho em mãos alertas críticos partindo de oito das agências de inteligência financeira mais importantes do mundo.

O excesso de intervencionismo dos Bancos Centrais e dos governos em geral, sem qualquer precedente histórico, embora necessário, nos levou a uma grande armadilha.

Basicamente, a sociedade transferiu aos Bancos Centrais a responsabilidade para as economias não pararem completamente durante o período de paralisações.

As autoridades monetárias assumiram para si as mazelas da população e adicionaram trilhões de dólares ao sistema financeiro, em quantidades jamais feitas na história da humanidade.

Dinheiro que, em muitos casos, como o do Banco Central brasileiro, é insuficiente.

E, pior: além de ser insuficiente, é um dinheiro que sequer eles têm!
Fonte: UOL


Fonte: Folha de S.Paulo

Mas tem um problema insustentável aqui.

Os Bancos Centrais não podem ser considerados “bodes expiatórios”.

Desde a crise de 2008, os Bancos Centrais têm assumido para si a figura de Messias, como se pudessem salvar indivíduos e empresas pelos excessos associados ao crédito, à tomada de riscos e à alavancagem.

Mas os Bancos Centrais não podem ser sacrificados. Eles não morrerão levando consigo todos os pecados da humanidade.

A sociedade não pode transferir seus problemas aos Bancos Centrais e admitir que eles simplesmente desaparecerão.

Como vimos, todas as mazelas continuam lá, carregadas nos balanços das autoridades monetárias. Cedo ou tarde, voltarão à própria sociedade, em versão piorada.

Temendo as consequências, os Bancos Centrais já vinham hesitando em acabar com a farra de liquidez, o que acabou tornando-a cada vez maior.

Se a crise de 2008 representava até então a maior intervenção monetária da história, a crise atual tomou-lhe o posto com larga vantagem.

Até quando poderemos sustentar economias e mercados com artificialismos dessa natureza? A verdade é que ninguém sabe, mas, cedo ou tarde, a conta precisará ser paga.

O total de ativos no balanço do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA, por exemplo, atingiu um nível sem qualquer precedente histórico, de mais de 6 trilhões de dólares.

Fonte: Reuters

Esse é o efeito acumulado de estímulo em cima de estímulo, que vai inflando o balanço do Banco Central americano desde a crise de 2008.

Temos o mesmo fantasma da crise de 2008 ressuscitado, acrescido de uma enorme quantia de dinheiro emitida nos programas de impressão de moeda adotados não só nos EUA, mas na Europa, Japão, China… Brasil.

Desta vez, porém, o mecanismo de socorro está completamente contaminado.

Como lidaremos com o estouro de uma nova crise sem poder contar com a ajuda dos Bancos Centrais, uma vez que eles mesmos são parte relevante do problema?

E quais serão as consequências de um ambiente de liquidez totalmente artificial, que levou o balanço dos Bancos Centrais a um nível de inflagem sem qualquer precedente histórico?

As evidências de que talvez estejamos diante da maior de todas as bolhas da história do sistema financeiro mundial são importantes.

As implicações disso seriam bastante contundentes.

A armadilha: a ilusão de um mercado artificialmente em alta

Há uma falsa sensação, alimentada por juros zerados (ou até mesmo negativos) e liquidez sem precedentes, de que a mera transferência dos “pecados” aos Bancos Centrais representa sua extinção, quando, na verdade, não pode haver o sacrifício desse messias.

Matar os Bancos Centrais representaria a falência de todo o sistema monetário.

Ainda que pareça provável a ideia de que BCs e as moedas fiduciárias sairão da crise enfraquecidos, será a própria sociedade quem pagará pelos seus deslizes.

Reforço: de quem é o dinheiro de Governos, Tesouros e Bancos Centrais, que não o seu dinheiro?

Da mesma forma, de quem é a DÍVIDA de Governos, Tesouros Nacionais e Bancos Centrais, que não a sua dívida?

Os Bancos Centrais não podem ser simplesmente abandonados no deserto e, com isso, arrastar para longe os pecados da humanidade.

Os mercados estão sendo alimentados diariamente pela ração dos Bancos Centrais.

Injeção de dinheiro fácil e barato, a taxas de juros excepcionalmente baixas por um longo período de tempo.

Portanto, a inflagem dos preços está na raíz do problema.

Veja o caso brasileiro, por exemplo…

O Ibovespa, principal índice de ações da nossa Bolsa, registrou pregões de alta consecutivos recentemente mesmo diante de um processo de esfacelamento do valor do Real e de uma tendência considerável de aumento do indicador de risco-País (CDS).

Fonte: InfoMoney

Fonte: BBC

O Posicionamento Oficial da Empiricus, empresa que fundei em 2009 e que, há mais de 10 anos, administro com paixão e obstinação, vai no sentido CONTRÁRIO à opinião de diversos financistas e grandes gestores brasileiros.

Mas é necessário.

No fim do dia, a única coisa que importa é cuidar do patrimônio dos nossos 350 mil assinantes.

Portanto, vamos aos fatos:

O mundo está sofrendo e ainda vai sofrer uma recessão brutal.

Da mesma forma, ainda tem que lidar com a pandemia do Covid-19.

O tempo que isso deve durar, ninguém sabe.

Em resposta, os Bancos Centrais fizeram uma injeção de dinheiro sem precedentes nas economias… e, agora, estão com seus balanços inflados a um nível nunca antes visto.

Por aqui, adentramos uma crise política e institucional que adiciona ainda mais incerteza (e riscos) a esse cenário. O dólar está em um patamar nunca antes visto na comparação com o Real, o risco-Brasil disparou…

Essa é a verdade. Fatos irrefutáveis.

Não há espaço aqui para chutes, elucubrações ou achismos.

Mais de 50 países já fecharam totalmente suas fronteiras…

Fonte: Estadão

Segundo levantamento do Sebrae, 9 milhões de funcionários foram demitidos e mais de 600 mil empresas fecham as portas no Brasil apenas até o início de abril…

Fonte: CNN Brasil

Nos Estados Unidos, foram 26 milhões de pedidos por auxílio-desemprego em apenas cinco semanas.

É isso mesmo. Não existe nenhum paralelo histórico que chegue sequer perto desses dados.

O gráfico com a evolução dos pedidos por auxílio-desemprego nos EUA é simplesmente estarrecedor.


Fonte: Departamento de Trabalho dos EUA (U.S. Department of Labor); Reprodução: O Observador – Portugal

São milhões de fábricas fechadas pelo mundo…

Fonte: Auto Esporte

Fonte: Valor Investe

Com a queda na demanda, o petróleo chegou a ser negociado por valor negativo no mercado internacional.

Isso mesmo: NEGATIVO. Isso também nunca havia acontecido na história.

Fonte: Bloomberg | Reprodução: MoneyTimes

O novo patamar de preços da commodity tende a gerar uma onda de falências e pedidos de recuperação judicial por empresas do setor.

Com o petróleo a 20 dólares, que é o patamar atual, a projeção é de que mais de 500 empresas do setor deixem de existir até o final do ano que vem..

Fonte: CNN

Estima-se prejuízo de bilhões de dólares para diversos setores e mercados ao redor do mundo…

Fonte: G1

Fonte: Exame

Apenas 2% dos voos mundiais estão operando normalmente…

Fonte: O Globo

Nesse ponto, acho que eu não preciso mais gastar o seu e o meu tempo reiterando o tamanho do problema que está à nossa frente.

O ponto nevrálgico é que a maioria das pessoas está realmente enxergando tudo que está acontecendo como uma grande oportunidade de ganhar dinheiro no mercado, comprando ações.

O que, na minha opinião, é uma completa falta de responsabilidade.

É uma completa falta de humildade também.

Eu só tenho uma coisa a dizer: CUIDADO.

Há um movimento intenso entre influencers de finanças, gestores principalmente de ações, grupos de investidores em redes sociais e parte da “nata de engravatados da Faria Lima ao Leblon”, de que toda a crise não passa de uma excelente oportunidade de compra de ações.

Mais que isso, existe inclusive uma zombaria em cima dos desesperados, insinuando que a preocupação com a proteção é característica do investidor imaturo, novo, não calejado.

Tem muita gente por aí subestimando o mercado…

Supostos experts falando em oportunidades…

Alguns dos principais youtubers de finanças do país mandando seus seguidores irem às compras…

E investidores gananciosos achando que são mais espertos do que a maioria…

Aí você pode me perguntar..

“Mas, Felipe, historicamente as Bolsas mundiais recuperam suas quedas em questão de alguns anos. Ou seja, é só ter paciência e pensamento a Longo Prazo, não?”

Corretíssimo.

Paciência. Pensamento a Longo Prazo.

Duas virtudes que eu sempre defendi.

Mas em relação à recuperação das Bolsas, há uma questão que pouquíssimos enxergam.

E que muda absolutamente tudo.

Deixa eu te mostrar uma imagem:

Em verde escuro, estão as grandes quedas da nossa Bolsa de Valores desde a sua criação.

Aí em cinza vem o resultado da Bolsa depois de 1 ano.

E em amarelo depois de 2 anos.

Obviamente, em 2020, temos a última queda que estamos vivendo, por conta do coronavírus e, claro, não temos as colunas seguintes porque a história ainda está no futuro.

É ainda pior que isso, pois não sabemos ainda como vai ficar a coluna da queda, pode ser muito maior.

Agora, pense bem…

Sabendo que nos últimos 5 bear markets, que é como chamamos os momentos de queda brusca como o que vivemos agora, a Bolsa praticamente dobrou em questão de um ano.

E, depois de 2 anos, todas elas mais que dobraram de valor, algumas até quadruplicando, como no caso de 1995…

Essa imagem te passa uma ideia positiva, no sentido de que, quem tem dinheiro em Bolsa vai certamente recuperar o prejuízo em questão de 1 ou 2 anos?

Se você respondeu sim, talvez você precise olhar essa questão por outro ângulo.

Vamos pegar 2008, somente como exemplo:

Vamos supor que você tinha 100 mil reais em Bolsa.

A bolsa caiu 60%.

Você foi pra R$ 40 mil de patrimônio.

Um ano depois, a Bolsa se valorizou 115%.

Sabe o que aconteceu com o seu dinheiro?

Cresceu de R$ 40 mil pra R$ 86 mil.

Você não teria recuperado o que perdeu, mesmo com a Bolsa mais do que dobrando no período.

É uma questão meramente matemática.

Quando você perde 60%, você precisa de uma valorização de 150% para voltar ao patamar atual.

Ou seja, no caso de 2008, nem em 2 anos, com uma multiplicação de 140% do Ibovespa, você teria recuperado seus R$ 100 mil originais.

Parece estranho, mas é só fazer as contas.

Quanto mais você perde, maior a valorização necessária somente pra voltar ao patamar anterior:

Fonte: Empiricus

Veja, se a queda for de 90%, você precisará multiplicar o seu dinheiro por 10 vezes para recuperá-lo.

É por isso que minimizar a sua perda é de extrema importância.

É por isso que, ao contrário do que os especialistas andam pregando por aí, o quanto a Bolsa ainda pode cair importa sim – e muito.

Em 100% dos bear markets históricos, os fundos anteriores são testados ou ultrapassados novamente, ao menos uma vez.

Veja novamente o gráfico de um Bear Market clássico, de 1929:

Observe que temos 3 fases.

A primeira é o rápido declínio. A queda aguda.

A segunda é um repique… uma leve recuperação, ou o que também podemos chamar de “Bull Trap” ou “Bear Market Rally”. Ou seja, uma alta meio enganosa, como uma armadilha aos otimistas.

É nesse momento que muitos iludidos pensam estar vivendo a recuperação estrutural.

Então, vem a terceira fase, em que se testa ou até supera a mínima anterior, despencando novamente.

Em 100% dos bear markets anteriores isso aconteceu.

A pergunta que qualquer investidor deve se fazer é:

Será que agora vai ser diferente dos últimos 14 bear markets que tivemos em mais de 100 anos?

O momento não é de sair comprando qualquer coisa na Bolsa.

Assim como instruímos para não tentar pegar a faca caindo, não tente adivinhar até onde a Bolsa pode subir, temos uma pandemia lá fora, uma recessão, uma crise política em curso… e ninguém sabe ainda o tamanho do estrago que tudo isso irá causar.

Por mais incrível que possa parecer, o preço da bolsa americana, quando considerado o cenário e os lucros corporativos, é muito mais caro hoje do que estava antes.

O pacote de estímulos americano é abrangente, mas será suficiente?

Possivelmente não.

A desorganização do setor produtivo vai ser histórica no mundo.

Esta deve ser a primeira parte de todo o plano agora: se proteger, sobreviver.

Felipe Miranda – Empiricus

Fonte: https://sl.empiricus.com.br/p/pe131-bode/?xpromo=XE-MI-EMP-PE131-SUBER-20200427-EMAIL-X-X&utm_source=empiricus&utm_medium=email&utm_campaign=promo-20200427-vd-pe131&email=YmxvZy5oZW5yaXF1ZWNlckBnbWFpbC5jb20=

A todos, um grande abraço!

Riko Assumpção

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Henriquecer: Podcast do Riko Assumpção 

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