Toda vez que falo desse topico aqui, sinto que quem esta lendo vai pensar

“putz, la vem ele com esse assunto de auto-ajuda-exoterico de novo”

Talvez possa soar como isso, mas é um pouco mais técnico.

Eh que a gratidão desempenha um papel fundamental na busca pela produtividade.

A gente tende a superestimar habilidades natas, que nos faz acreditar que certo tipo de pessoas tem a auto-estima elevada porque nasceram com algum tipo de super-poder natural que as faz se sentir seguras de si proprias.

Mas acontece que auto-estima não é nada nata.

Você pode até ter a impressão que para algumas pessoas esse seja o caso porque independente da posição onde estejam, essas pessoas sempre aparentam ter uma visão de si proprias muito superior do que o resto do mundo tem delas.

Mas isso não é necessariamente auto-estima. As vezes é até o contrario, as vezes pode ser apenas o resultado de uma enorme insegurança que elas tem em si. As vezes é apenas uma ma interpretação do mundo.

Auto-estima de verdade é diferente, esta ligada à segurança, a um casamento entre percepção e realidade. E é um casamento como qualquer outro: com momentos de união e paz e outros de brigas e desentendimentos.

Ha momentos em que nossa auto-estima esta elevada, outros em que não. Ela se abala a cada vez em que a gente se sente derrotado. E entre diversos motivos, é por isso que a auto-estima tem um papel central na discussão sobre produtividade. Porque o receio de perdê-la nos faz recuar. Nosso cérebro nos diz “se você tentar e não der certo, a imagem que você tem de si mesmo vai se denegrir brabamente. Tem certeza que você quer mesmo fazer isso?”

E é por isso que sua auto-imagem deve estar mais relacionada à de uma pessoa corajosa do que a de um não-perdedor. A verdadeira vitoria é participar da luta. Eh aparecer e dar as caras mesmo quando o seu coração aperta e você não tem o minimo controle sobre o que vai acontecer.

Eh que a opinião dos outros sobre a gente nos atinge bastante, mas a nossa sobre a gente mesmo nos atinge ainda mais. E curiosamente, quanto menos nos acreditamos em nos, menos confiança a gente passa para o mundo externo. E pior serão os nossos resultados finais.

A auto-estima é capaz de gerar um ciclo poderoso. Tudo começa com a crença na sua capacidade – é quando seu cérebro pressiona um botão dizendo para você parar e você não para. Então, você sente que esta no controle e que não sera facil te parar.

Eh aquela corrida que você sente a necessidade de parar, mas não para. Então você descobre que aguenta correr muito mais do que imaginava.

Eh aquele dia ruim no trabalho que você sente que não deveria estar ali, mas você se mantém e vence suas frustações para entregar.

Ou quando seu negocio não vai bem, mas você o mantém, apenas para depois de um tempo, olhar para tras e ver o caminho trilhado.

Quando a vontade de consumir mais do que pode é freada com seu compromisso de investir.

Quando seu corpo te pede para não levantar do cobertor quentinho, mas você levanta – mesmo que o sol ainda não tenha nascido – para malhar.

Ou quando você esta cansado e soh quer abrir o Instagram para se distrair, mas ao invés disso abre o app do Kindle para ler um livro.

Os exemplos podem nem terminar… mas o ponto é que existem diversos momentos no nosso dia – e que a gente mal percebe – que quem esta no controle do nosso cérebro é o Macaco da Gratificação Instantânea e se você não reagir, sua auto-estima vai desaparecer.

O ciclo virtuoso é quando você resolve dizer não ao Macaco. Começa com o seu cérebro te indicando fazer o que você sabe que não deve fazer. Dizer não vai te fazer crescer e o ciclo se cria.

Quanto mais você produzir, maior vai ser sua auto-estima. Quanto maior sua auto-estima, mais produtivo você vai se tornar. Esse é o ciclo.

Eh que acontece que a gente tende a acreditar que a maior parte das decisões que a gente toma na vida são fruto de uma avaliação racional dos pros e contras de cada opção.

Não é verdade. Não na maior parte dos casos.

A gente toma milhares de decisões num unico dia. Levantar da cama é uma decisão e arrumar a cama é outra. Andar até a cozinha -> Opa, é mais uma! O que comer? Outra.

E essas decisões que a gente toma sem nem perceber estão muito mais ligadas à nossa percepção de nos mesmos do que a uma avaliação logica e racional do que deve ser feito no momento.

Para tomar essas decisões de uma maneira rapida, a pergunta que o nosso cérebro se faz é “o que alguém como ele faria numa situação como essa?” E a resposta é quase instantânea – você nem sente.

Se a imagem que você tem de si proprio é a de um procrastinador, então a resposta do seu cérebro sera sempre a de escolher o aplicativo do Instagram no tempo livre. Ele não vai nem se lembrar que o do Kindle existe. E isso soh vai aumentar a sua percepção de si proprio como procrastinador. O ciclo se torna vicioso.

Quebra-lo é possivel, mas não é facil. Você tem que trabalhar para mudar a imagem que você tem de você mesmo. Isso requer energia, principalmente no inicio em que 2 partes distintas do seu cérebro vão te indicar coisas diferentes e quando o despertador tocar as 5h da manhã, você tem que levantar por mais dificil que isso possa ser no inicio, até que a imagem que você tem de si, mude. E então tudo entrara mais no automatico e o ciclo virtuoso se cria.

Uma parte do seu cérebro continuara dizendo não, mas você tem na mémoria as vezes em que ele te disse para parar e que você seguiu mesmo assim. “Ele não vai me parar”, é assim que eu sou.

Essa imagem que a gente tem da gente mesmo é o que eu chamo de auto-estima e que é responsavel pelas milhares de decisões diarias que a gente toma sem nem pensar.

E o que a gratidão tem a ver com isso tudo, afinal?

Eh que a nossa auto-imagem tem uma relação direta com a satisfação que a gente tem na nossa vida.

E ai eu acho que vale dizer que eu separo isso que eu chamo de satisfação em dois blocos: Uma é a micro, que são tipo pequenas coisas, momentos especificos e as vezes inesperados no seu dia em que você se sente desproporcionalmente realizado com pequenos acontecimentos. Coisas como você ver seu filho falando alguma coisa engraçada, ou quando seu cachoro vem correndo até você quando você chega em casa do trabalho.

E então, há uma macro satisfação que é aquela relacionada a estrutura da sua vida, quando você ama o que você faz, você se sente feliz no seu casamento, você tem uma série de coisas na sua vida que você aprecia e se orgulha.

E o mais importante para acertar, pelo menos no começo, é o macro. Eu acho que se sua macro felicidade não estiver lá, você vai se sentir frustrado e esses momentos de micro satisfação correm o risco de passar sem que você lhes dê o devido valor. Você vai ter uma nuvem sobre você.

Então a gente tem que trabalhar essa satisfação macro.

Mas a armadilha clássica, que é o que eu sempre digo, é que você está em um lugar muito melhor do que há 10 anos, mas você está infeliz porque no final você se encontra numa espécie de esteira mental em que quanto mais você anda, você sente que não saiu do lugar.

Até mesmo os pequenos exemplos. Você compra algo novo e acorda de manhã com a ultima versão do iPhone ou o que quer que seja, e fica todo feliz.

E todos os dias, a sua satisfação relacionada a isso diminui. E seis dias depois, é apenas um outro celular de novo.

Mas usamos isso em um sentido macro.

Você consegue o novo emprego, aquele que você queria e que sentia que mudaria sua vida. Você finalmente recebe o salario que sonhava ganhar.

Ai, você finalmente consegue um relacionamento realmente bom.

Iem um amigo ou pai doente, e então eles ficam saudáveis.

Wow!

Mas passados alguns dias, e tudo acabou de novo. A esteira continua rolando e por mais que você ande, você continua sentindo que você não saiu do lugar.

Eh como se você estivesse subindo uma montanha. E olhando para cima, você vai ficar realmente infeliz. A montanha continua crescendo abaixo de você, mas você nem mesmo está olhando para ela. Você está apenas olhando para cima o tempo todo. E ai parece que tudo está sempre uma merda. Ta sempre faltando tanta coisa na nossa vida.

E isso acaba com sua auto-estima, consome a sua energia e drena sua motivação. Como sente que por mais que ande nunca vai chegar ao cume, você desiste e parar de andar. Vai na cozinha pegar um Cheetos, liga o Netflix e nem assiste o programa direito porque ao mesmo tempo você também quer mexer no Instragram e assistir todas aquelas pessoas com coisas legais para mostrar.

Agora, se você está olhando para baixo, é como olhar para esta montanha. É incrível. “Olha todas as coisas que tenho”. Você vai sentir a recompensa de ter caminhado o tanto. E isso vai te motivar a continuar subindo a montanha.

Então, a gratidão é realmente poderosa.

Eh uma questão que para mim é evidente, empirica. Eh a melhor maneira de sair dessa esteira.

Então todos os dias de manhã, assim que chego no trabalho eu abro meu caderno e escrevo 3 coisas pelas quais sou grato.

Eu realmente penso em diversas, mas tento me limitar a apenas 2 ou 3 novas cada dia. E o que é engraçado disso tudo é que limitar a 3 me faz pensar em muito mais do que eu pensaria caso não tivesse limite. Nos faz ver tbm a quantidade de coisas boas que a gente pode encontrar em eventos comuns e a priori tão sem importância. O otimismo nutre!

Essa é a melhor maneira que eu pessoalmente encontrei de encarar a montanha. Primeiro eu olho para baixo, e vejo o quão longe a gente pode chegar caminhando. E então, com a auto-estima mais do que em dia, eu olho para o alto – certo de que eu sou o tipo de pessoa que é capaz de chegar ao cume.

A todos um grande abraço!

Riko Assumpção

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