A maior parte das pessoas acha que Finanças é a coisa mais chata que existe no mundo. É monótono, careta e sem nenhum interesse prático.

A visão que grande parte das pessoas é a figura de um contador com um grande livro de normas contábeis classificando segundo as regras onde cada entrada deve ser registrada no balanço patrimonial.

Do mercado financeiro, a figura é um pouco diferente, mas na essência nem tanto: imaginam um terminal Bloomberg com 6 telas cheias de gráficos que mostram exatamente onde o preço de uma ação vai parar.

E as perguntas para os financistas são sempre:

  • “Qual é o melhor investimento?”
  • “Onde devo colocar meu dinheiro?”
  • “Você acha que o dólar vai subir ainda mais? Compro agora ou espero cair?”
  • “Quanto rende em média o investimento em ações?”
  • “Quanto da minha renda eu devo investir por mês?”

E por aí vai…

Não surpreende que muita gente ache que os economistas erram muito.

Pouca gente entende o papel da Economia e das Finanças na Sociedade. Muitos as consideram como matérias exatas. E claro, neste aspecto, se você não souber onde o dólar estará no fim do ano seria o equivalente a um Engenheiro construir uma ponte que quebrará com a primeira carroça que passar.

Pois eu lhes digo que Finanças não são uma ciência exata. Um bom financista é um contador de histórias. Nas finanças corporativas ele deve ser capaz de entender a história que os números estão contando. Em seus relatórios e apresentações ele deve analisar todas as áreas da empresa pelos seus resultados: se a receita vai mal é por que a nova estratégia de Marketing e Vendas não deu certo? Se os custos de produção aumentaram é porque a Operação não está sendo eficiente ? Ou um problema de Qualidade? E o aspecto humano: a produtividade baixou? Estamos perdendo nossos talentos porque os sálarios estão baixos? Ou porque estão desmotivados?

Um bom financista é capaz de entender que as finanças são uma linguagem – um código para resumir o mundo real, de identificar o que vai bem e o que não vai.

Peter Drucker dizia: não se gerencia o que não se mede.

Finanças são esta medida.

No Mercado Financeiro, os que trabalham com gráficos, acreditem, são os que mais se afastam das finanças como ciência exata. Eles operam buscando captar nos preços das ações o fator psicólogico dos investidores: tentam avaliar o quanto o mercado está refletindo “medo” e “euforia” dentro destas tendências.

Nas Finanças Pessoais idem. Eu mesmo levei tempo a entender no início, como parece ser o padrão para quem começa a estudar Finanças. Por algum motivo especial, parece que as pessoas se interessam por começar a estudar pelo fim.

Você começa querendo entender como funciona o mercado de ações,

Então quer entender outras modalidades de investimentos,

Depois você percebe que um investidor precisa de algo básico para investir: superávit nas suas contas. E que para isso precisa ter suas finanças pessoais organizadas.

Começa a buscar entender melhor suas Finanças: como fazer um orçamento, como fazer escolhas que maximizem o bem estar da família sem comprometer seus planos de longo prazo.

Então finalmente percebe a grandeza de todo esse processo: ao buscar definir suas prioridades financeiras, você está definindo as prioridades da sua vida.

E é exatamente por isso que em algum momento você verá financistas como este aqui falando sobre coisas como “o poder da gratidão”, “a importancia da auto-estima”, “sobre tomar as rédeas da sua vida”. Eu entendo que vocês esperem que a gente resuma nosso trabalho a: “Veja o que é mais valioso para você: o PGBL ou VGBL?” e discutindo durante 10 anos sobre qual o melhor título do Tesouro Direto e qual o interesse do tratamento tributário do “come-cotas”. …

Sinceramente, é importante conhecer a parte técnica do mundo financeiro. São boas ferramentas, mas se o operário não souber o que fazer com esta ferramenta, do que serve?

As pessoas querem que eu diga qual o % de suas rendas elas devem alocar no aluguel, por exemplo. Como é que eu vou saber? Como poderia uma única resposta caber a todos? Como poderia ser a mesma resposta para alguém que vive e trabalha em Manhattan e outro que mora em Ribeirão Preto? Um que mora 1:30h do trabalho e outro que vai a pé? Um que passa a maior parte do tempo em casa e que curte receber os amigos de outro que vive viajando e prefere sempre sair?

Entender sobre finanças requer entender sobre a sua própria vida, sua personalidade, seus planos, seus pontos fracos, os pontos fortes, seus planos para o futuro, suas prioridades, a sua disciplina. Assim como no Mercado Financeiro e nas Finanças Corporativas, nas Finanças Pessoais o objetivo é enxergar a história da sua vida pelos números. É te ajudar a refletir por que diabos você diz que viajar é uma prioridade quando gasta todo seu dinheiro no supermercado. É organizar suas ideias.

O porteiro do prédio em Ipanema onde moravam meus pais, fazia bico lavando carros na rua em sua folga e como morava no trabalho, tinha dinheiro para investir e comprou diversos imóveis.

História parecida teve o nosso porteiro em Paris, descendente de português, ao se aposentar com a boa aposentadoria francesa, aos seus 60 e poucos anos, decidiu ir viver em Portugal, um país com custo de vida mais baixo e onde já tinha quitado um imóvel no tempo em que se aposentou.

Ao mesmo tempo você tem inúmeras histórias de mestres do mercado financeiro que perderam tudo ou quase tudo em escolhas erradas, vivendo de aparências afundados no ego e cobiça.

Em que outra matéria você poderia ver pessoas sem nenhum título acadêmico e nenhuma experiência formal performando melhor que renomados MBAs do mercado? Você conseguiria imaginar o porteiro do prédio dos meus pais fazendo um transplante de coração melhor que um médico formado na USP ou desenhando um prédio arranha-céu melhor que um arquiteto treinado?

Finanças Pessoais não são uma ciência exata, é soft. Depende, como gosto de falar, 80% de atitude e aptidões comportamentais e apenas 20% de conhecimento técnico – se mesmo isso tudo.

Custa entender, eu sei, mas é uma ciência humana e interligada a diversas outras. Por isso às vezes, vai ver assuntos sobre desenvolvimento pessoal, sobre mindset… porque na maior parte das vezes a solução tem mais a ver com psicologia.

Este é o básico e se entender isso vai estar a frente da maior parte das pessoas: seus investimentos só podem fazer algum sentido se estiverem em consonância com uma visão maior de sua vida. Definir os seus gastos, idem.

O Planejamento Financeiro é definir e construir sua própria história.

A todos, um grande abraço,

Riko Assumpção

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