Homem leva tiro brincadeira de "roleta-russa" em Cuiabá - PHD News

No início de 2020, o Brasil teve uma chance de ouro de evitar um desastre. Quando o novo Coronavírus chegou à Europa e os EUA, o Brasil estava numa situação “privilegiada” para impedir que o vírus chegasse.

Como uma região muito menos conectada ao resto do mundo, era mais fácil frear a entrada de pessoas. Além disso, o Brasil tem um clima mais quente e um inverno mais ameno que estes países, o que reduziria o impacto do vírus. Por último, mas nem por isso menos importante, o vírus já mostrava do que era capaz de estragar.

Quando a vantagem joga contra

Assim que a Covid-19 foi declarada uma pandemia global e os países no mundo começaram a fechar , o Brasil implementou suas restrições.

Logo após, a antecipação das medidas contra o Covid-19 começaram a sofrer ataques.

“Por que fechamos um Estado inteiro se apenas 5 pessoas morreram de Covid-19? Mais pessoas morrem todos os anos de gripe e ninguém nunca fechou nada”

O resultado vocês sabem: mais de 600 mil mortos, a Covid-19 passou a ser a maior causa de mortes de brasileiros em 2021 (mais de 500% acima da segunda maior causa) e tivemos a primeira redução de expectativa de vida média em décadas.

A dificuldade de se evitar uma crise provável

O exemplo do impacto da Covid é simbólico e nos demonstra o quão complexo é a análise de riscos.

A armadilha geral é que o sucesso no combate a um problema sério – ao evitá-lo em antecipação – dá a falsa impressão de que os esforços foram feitos em vão, sem um motivo real que os justificassem.

Digamos que se tivermos sucesso na redução de emissão de gases nocivos, um caos gerado pelo aquecimento global possa ser evitado. Mas uma vez evitado, o céticos terão argumentos suficientes para questionar os esforços para combater uma crise que, segundo eles, teria seria forjada.

E o mesmo é verdadeiro em qualquer área: é muito difícil defender os esforços realizados para que uma crise seja evitada.

Sem a crise, perde-se a justificativa paupável para os esforços.

Os que tem dificuldade de lidar com qualquer abstração – e que parecem ser a maioria – não conseguem imaginar cenários possíveis, o que leva a acreditarem que só se deve agir quando já é tarde demais – quando então, os custos desse combate serão muito mais altos e o estrago da crise sera inevitável.

A única exceção parece ser quando existe alguma lembrança de crises passadas com a qual as pessoas possam fazer um paralelo. Como também não tivemos nenhuma pandemia global desse nível nas últimas décadas, nem nunca sofremos com uma forte mudança climática em nosso tempo, é dificil engatilhar as consequências do que estas crises podem causar.

Finanças Pessoais

Nas Finanças Pessoais, a armadilha é a mesma. Como convencer seu parceiro sobre a importância de se preparar para alguns riscos como uma demissão, por exemplo?

As consequências de uma demissão em determinadas condições podem ser trágicas para uma família. No entanto, agir como se nunca fosse bater à sua porta é ingenuidade. Está na regra do jogo – e em letras suficientemente grandes. Tão facil quanto é para um empregado mudar de empregador, é para o empregador mudar de empregado.

“Ser dono do próprio nariz”: alguns acreditam que o empresário não sofre por não poder ser demitido, mas seus riscos são outros. Provavelmente até maiores. Autônomos, idem. Vide os efeitos da pandemia.

Não é viver com medo, mas viver consciente dos riscos e oportunidades, para buscar meios de reduzir os impactos dos primeiros e buscar tirar o maior proveito dos últimos.

Investimentos

No mundo dos investimentos quer queira, quer não, o interesse pela gestão de riscos se mostra muito menos sexy do que o foco no retorno. Todos admitem uma relação entre os dois, mas na prática a teoria é outra.

O grande destaque entre os investidores é o retorno, independente do risco que se incorreu. Altos retornos são confundidos com acertos, uma espécie de carimbo da vitória, quando na verdade são apenas um lado da moeda. Sem uma boa gestão de riscos, uma hora a sorte vira e o encanto acaba se tornando um pesadelo…

Tivemos um exemplo bem recente num dos fundos mais badalados do Brasil, mas parece que a queda te tira das luzes porque o foco é sempre no retorno.

Gosto do exemplo da aposta numa roleta russa.

Imagina que te digam que você possa ganhar digamos uns R$ 20 mil reais se sobreviver à brincadeira, com 1/6 de chances de perder a vida.

Quem diria que se trata de uma aposta racional? Acho que ninguém em sã consciência e um mínimo de amor à vida. O risco é muito elevado.

A questão é que uma pessoa que foca apenas no retorno, ignorando os riscos, pode decidir por jogar. O que é pior: ele tem 5 chances em 6 de sair vitoriosa e ao ganhar, tipicamente nos dias atuais, irá logo correr para mostrar que estava certa e que errados estavam os que criticaram a decisão de ir ao jogo.

Outros podem acreditar que o argumento da vitória é suficientemente convincente e decidem por jogar. Mesmo os que já ganharam decidem por continuar jogando até que a força da estatística entra em jogo… e mais cedo ou mais tarde acabam todos mortos.

Não é muito longe do que fazem muitos no mundo dos investimentos, sedentos pelos retornos e ignorando os riscos com justificativas convincentes o suficiente para parecerem reais.

Nas Finanças Pessoais, nas questões sociais atuais, idem.

Muito do problema vem da dificuldade em diferenciar “possibilidade” de “probabilidade”. Ambas devem ser entendidas e levadas em conta. Na roleta russa a vitória é mais provavel, mas a morte é uma possibilidade alta o suficiente para categorizar o jogo como ruim.

“- Mas você acha que você vai ser demitido?Acho que não, mas entendo que existe uma pequena possibilidade de que isso aconteça, e por isso devo me preparar minimamente para minimizar seus impactos“.

A armadilha é o abstrato. Tem gente que tem dificuldades sérias de entender riscos teóricos.

Mas nos dias de hoje, o que não faltam são exemplos: nada mais concreto que riscos teóricos…

Até a próxima!

Riko Assumpcao

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