Utilidade Marginal é um nome pomposo para explicar um conceito bem básico, mas fundamental na Economia Doméstica.

A “utilidade” de um bem significa o quanto de bem estar seu consumo traz.

Ora, o bem estar é um conceito subjetivo, mas imagine que você pudesse atribuir um valor ao grau de satisfação de cada bem ou serviço consumido. Tipo, ter um carro vale 8,3 pontos de utilidade enquanto um pão com manteiga, 2.7 pontos.

É como se nossa mente fizesse involuntariamente esse cálculo na hora de escolher o que consumimos. O conceito de utilidade é o que está por trás de um outro conceito econômico chamado preço de reserva. Este último indica qual o valor máximo que você estaria disposto a pagar por um determinado bem. E se o preço de mercado do bem/serviço for igual ou menor que o seu preço de reserva, bingo! Você vai comprá-lo!

Cada um de nós tem um valor de utilidade para bens e serviços que é unico. Ele reflete nossos valores e preferências. Para amantes de automobilismo, a utilidade de um carro é maior do que a de quem não liga e por aí vai.

Além disso, não apenas a utilidade varia de pessoa para pessoa como ela varia instantaneamente mesmo numa única pessoa.

Imagina que você adore pizza e que a utilidade de uma pizza para você seja alta. Se você estiver com fome, o primeiro pedaço de pizza vai te trazer um bem estar muito grande. Normalmente, o segundo pedaço também, mas numa escala um pouco menor porque agora sua fome já esta diminuindo.

O quinto pedaço de pizza te traz muito pouco bem estar, tanto que você ainda hesitou se comeria ou não. Você já está cheio e para. Um sexto pedaço te faria passar mal, e é quando em economia nos referimos a utilidade marginal negativa, que é quando o consumo adicional de um bem de traz mal estar.

O primeiro pedaço de pizza e o 6° eram iguais, feitos no mesmo restaurante pelo mesmo chef, com os mesmos ingredientes… e você ainda é a mesma pessoa, e continua um amante de pizza. Então, por que diabos um pedaço de pizza idêntico ao outro pode ter menos valor?

Porque em geral, a utilidade marginal é decrescente – ou seja, quanto mais consumimos de um bem, menos o consumo de um valor adicional nos é valioso.

Voltando ao exemplo do carro. Ter um carro pode ter utilidade de 8.7 pontos. O segundo carro tem um valor de bem estar bem menor, digamos 4 pontos. Ainda é melhor ter 2 carros do que um afinal 12.7 pontos (8.7 + 4) é maior que 8.7 pontos, mas apesar do seu bem estar aumentar com a adição de novos bens, ele vai crescendo cada vez mais lentamente, em doses cada vez menores até que em alguma hora uma unidade a mais lhe vai ser negativa.

Então o valor da “cesta de utilidade” depende do que você possui (em economês, da dotação). Quanto mais você possui de um bem, menos utilidade uma unidade adicional lhe trará.

Um outro ponto é a circunstância. Numa travessia no deserto, com sede, um copo d’água pode ter uma utilidade maior que um diamante.

E para finalizar, o último aspecto que vale citar aqui é o temporal. O consumo presente tem um valor maior que o futuro. Uma viagem surpresa para as Maldivas nesse fim de semana tem um valor de bem estar bem hoje maior do que ganhar a mesma viagem mas para usar só daqui a 5 anos.

Este aspecto final é a base da economia que a gente vive: a gente prefere consumir hoje do que amanhã e é por isso que a economia gira com juros. O tempo tem valor e você só aceita trocar seu consumo de hoje se for por um maior no futuro !

Embora possa parecer uma pergunta imoral para um cidadão comum, o valor que tem a vida é um tema de pesquisa econômica (é, economistas não são tão comuns assim).

No próximo artigo eu vou falar exatamente sobre isso.

A todos, um grande abraço

Riko Assumpção.

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