Ho Chi Mihn, capital econômica do Vietnã

Se perguntar a qualquer um se política é uma ciência exata, a resposta será indubitavelmente que não, que se trata se uma ciência humana, ideológica, qualitativa, complexa e portanto, inexata.

No entanto, nas redes sociais, grupos de whatsapp e almoços de família, não é o que se vê. No radicalismo de hoje, é como se houvesse uma resposta certa (e apenas uma) para as questões econômicas e sociais e quem discorda não apenas está errado como é também responsável pelo fracasso, seja como for que se julga fracasso.

O que mais me deixa perplexo nesse crescente radicalismo 2 que ele acontece em paralelo a outro fenômeno: há cada vez menos diferença entre as 2 correntes antagônicas. E eu não falo da forma de agir porque ao meu ver, o radicalismo é realmente igual, mas falo da parte ideológica mesmo.

Em 1848, quando Marx escreveu o Manifesto Comunista, ele propunha que uma revolução seria uma solução inevitável para um problema crescente gerado pelo capitalismo, ainda fresco na Europa da época.

Só que de lá para cá o mundo mudou.

Há 2 meses, estive com minha filha mais nova no Vietnã, turistando e conhecendo os diversos cafés repletos de nômades digitais que escolheram o país para trabalhar a distância, muitos ganhando rios de dinheiro em negócios online – o puro capitalismo moderno.

E no meio dos arranha-céus modernos e espelhados de Ho-Chi mihn quanto pelas ruas em volta de Trang Tien, no chique bairro francês de Hanoi com lojas das marcas mais finas e caras do mundo, e carros importados caríssimos andando em avenidas com asfalto impecável, é fácil esquecer um detalhe: que se trata de um país comunista.

A economia do Vietnã cresce entre 7% e 8% ao ano, algo muito próximo da sua vizinha, China. A verdade que os que tratam a esquerda como geradores do fracasso econômico não quer ouvir é que nas últimas décadas, o país que mais contribuiu para o crescimento econômico mundial é comunista.

“Mas a China não é comunista de verdade”

Realmente, não é. Assim como o Vietnã, são políticamente comunistas com economia de mercado. Só que para uma visão mais clássica, os países capitalistas de hoje também não são tão capitalistas assim. A interferência do Governo na Política Monetária, as ajudas sociais, ensino público gratuito, etc. não tem nada a ver com o mundo onde mulheres e crianças trabalhavam nas fábricas inglesas 16 horas por dia em situação precária.

Entre os EUA e a Europa, a quantidade de ajudas sociais e proteção ao trabalhador, férias, seguro desemprego, jornada de trabalho regulamentada… Isso não tem mais nada a ver com o capitalismo que Marx e Smith conheceram.

Hoje não há nada mais socialista que um Estado Liberal Capitalista e nada mais capitalista que um Governo Comunista de Mercado. Ambos sistemas visando defender suas sobrevivências evoluíram e incorporaram características da ideologia rival ao ponto que hoje se tornaram muito parecidos.

Em 2014, às vesperas da eleição no Brasil, eu postei aqui nesse Blog um artigo que viralizou na época com milhares de compartilhamentos em questão de horas. Ele falava sobre o Bolsa Família, um tema delicado e que gerava muita discussões acaloradas na época: bolsa-esmola, bolsa-voto, bolsa-vagabundo, por aí vai. Lá se foram 8 anos, um Governo de Direita e o que fez? Ampliou o programa.

A esquerda, que quando discursa fala da culpa dos empresários, bilionários, banqueiros nos problemas sociais é o mesmo partido em cujo Governo houve o recorde da Bolsa de Valores, que banqueiros e empresários ganharam mais dinheiro do que em qualquer outro momento da nossa história recente.

A realidade não justifica o discurso polarizado. A razão pela qual nos referimos à esquerda e direita hoje como “extremos” tem menos a ver com seus programas e planos de Governo. Radicalismo é ser “anti” o outro. O radical é quem não aceita que o que discorda possa ter razão – por menor que possa ser essa discordância.

E curiosamente, assim parece ser o ser humano: quanto mais parecidos nos tormamos pelos mais diversos ângulos, mais valor nós atribuímos às nossas pequenas diferenças.

A todos, um grande abraço!

Riko Assumpção

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