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Estava no parquinho com a Vickie no Domingo, deixando ela se virar bem à la française, fingindo que nem tava ali… mas toda vez que ela tentava subir no escorrega acabava caindo.

Eu então decidi me levantar e ir até onde ela estava e fiquei apenas do lado dela, sem encostar.

Ela me olhou, viu que eu estava ali e isso foi o suficiente para que ela conseguisse subir no brinquedo.

Eu não fiz absolutamente nada, sequer encostei nela, mas ela sabia que se caisse, eu estaria ali para segura-la.

Somos todos assim. A prioridade é a segurança – sempre.

Ninguém quer cair, nunca. Mas saber que alguém estara ali para te segurar caso isso aconteça nos da a segurança que precisamos para arriscar.

Aversão ao risco

Paul Samuelson, um dos maiores economistas do século passado, perguntou a um amigo se ele toparia apostar num cara ou coroa com os seguintes outputs: perder $100 e ganhar $200, cada um com 50% de chances de acontecer.

Apesar da condição favoravel da aposta, seu amigo disse que não jogaria porque o impacto negativo de perder $100 é maior que o impacto positivo de ganhar $200. Mas que se a ideia fosse repetir esta aposta 100 vezes, ai sim ele toparia.

A resposta intrigou Samuelson, para quem acreditava que, se uma aposta é racional, a logica deveria não mudar no caso de 100 apostas.

A resposta de seu amigo se baseia numa maxima: a aversão ao risco. Se repetida 100 vezes, a aposta perde seu fator de risco, ja que o prêmio pelo ganho equivale a 2 vezes a punição pela derrota. No total, o saldo quase certamente sera positivo para quem joga 100 vezes. Para quem joga apenas uma vez, não necessariamente.

Porque todos nos temos essa aversão ao risco e à ideia de perder. Racionalmente, nohs economistas tratamos as ideias de perder e deixar de ganhar como sendo mesma coisa. Racionalmente, sim. Mas psicologicamente, não é assim que percebemos os fatos.

Leia as 2 hipoteses. Você entraria numa aposta:

  • em que você tem 90% de chances de perder R$ 5,00 e 10% de chances de ganhar R$ 95,00 ?
  • e numa, em que você paga R$ 5,00 para jogar e tem 90% de não ganhar nada e 10% de chances de ganhar R$ 100?

O que você faria se tivesse de escolher entre as duas opções?

Primeiro, aguarde até digerir a ideia de que ambas as apostas são equivalentes com o resultado final liquido sendo em ambas R$95 no caso de vitoria e a -R$5 no caso de perda.

Quando colocadas ambas lado a lado, fica mais facil perceber que são iguais, mas analisadas individualmente, a maior parte das pessoas têm uma maior tendência a topar a segunda aposta ao invés da primeira.

Um resultado como este é qualquer coisa menos racional, mas não chega a surpreender: nohs lidamos melhor com a ideia de “custo” do que com a de “perda”.

Tudo depende da forma como é apresentado.

Companhias aéreas no Brasil

Recentemente no Brasil, Companhias Aéreas passaram a poder vender bilhetes aéreos sem bagagens incluidas.

A razão por tras dessa decisão é a de que quanto mais pesado o avião, mais gasolina ele gasta e mais cara sai a viagem para a Companhia aérea (que por sinal sempre cobrou extra por bagagens adicionais).

Uma Companhia aérea deveria fazer de tudo para lotar seus aviões, reduzindo ao maximo o prejuizo de voar com um avião vazio. Mas como a regra antiga a obrigava a aceitar 2 bagagens por passageiro sem nenhum adicional, este custo potencial era repassado diretamente ao cliente, que pagaria por suas bagagens de 23 ou 32 kg quer ele as carregasse ou não.

Com a nova regra, a Cia aérea ganha flexibilidade e visibilidade. Nada muda no custo do passageiro com bagagens e seus custos não devem mudar – e nem o preço das suas passagens mesmo somado adicional de 2 bagagens. Mas o passageiro sem bagagem hoje pode pagar mais barato, pois a Cia. aérea sabe de antemão que seu custo sera mais baixo.

Se confrontados às seguintes opções:

  • Todo passageiro paga o valor de R$ 1 000 com direito a levar 2 bagagens
  • Todo passageiro paga o valor de R$ 800 com adicional de R$ 100 por cada bagagem.

Racionalmente as 2 opções são, no minimo, equivalentes, ao menos no valor mais caro a ser pago.

A segunda opção, no entanto, traz maior flexibilidade e é mais barata para quem viaja sem malas.

Ha dois problemas nesta historia. O primeiro é que nohs não gostamos de pagar adicionais. Ninguém gosta, soa como uma punição ou multa e por isso muita gente gasta rios de dinheiro para ter “ilimitados” ao invés de um Pay Per Use. Por que afinal estaria você disposto a gastar R$ 1 500 ao mês com seu carro (incluindo gasolina, seguro, IPVA, depreciação, estacionamento, etc.) e não gastaria os mesmos R$ 1.500 ao mês com Uber/Taxi? Por que as pessoas tem mais tendência a pagar R$ 100 num rodizio do que comandar tudo o que gostaria de comer pelos mesmo R$ 100 numa churrascaria à la carte?

O segundo é que a forma como as opções nos são apresentadas influencia nossa percepção. Os jornais noticiaram a novidade como “a partir de agora passageiros terão que pagar a mais para levar bagagens”. So que passageiros sempre pagaram por bagagens levando elas ou não porque elas estavam incluidas no bilhete. A percepção – falsa – é de que agora quem leva bagagens pagara mais caro quando, na verdade, o fato real é que “a partir de agora passageiros sem bagagens pagarão mais barato”.

Sem conhecer, arriscamos tomar decisões que prejudicam nossa vida financeira como um todo…

[o assunto continua na semana que vê]

Até a proxima!

Abraços,

Riko

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