Sonho de ter o próprio carro, a comodidade, não aguentar mais o tempo perdido no transporte público, Uber que já não funciona mais como antigamente… são vários motivos – legítimos – pelo qual o brasileiro deseja ter um carro próprio.

Mas até quanto posso pagar sem que a compra do carro atrapalhe minha vida financeira?

Existem algumas regrinhas a considerar para que a compra seja considerada natural e saudável.

  1. O primeiro passo é juntar o dinheiro para comprar o carro à vista.

Pois é, a regra numero 1 já quebra muita gente. Com os preços dos carros atualmente, não é todo mundo que tem dinheiro suficiente parado no banco para comprar um carro à vista. Se esse for o seu caso, ora, do ponto de vista financeiro, a compra do carro não é recomendada para você. Simples assim.

Dois motivos para tal: 1.1) A taxa de juros no Brasil é muito alta e se você fizer a conta direitinho, vai perceber que vai pagar muito caro no final do financiamento do seu carro. Se ao invés de financiar, desejar alugá-lo, idem, pois o aluguel é uma espécie de financiamento que você não d^q entrada mas também o carro não é seu. 1.2) Se endivididar para consumo nunca é saudável financeiramente.

O que deve fazer? Faça o “parcelamento adiantado” ou seja, separe o que pagaria todo mês com despesas do carro (incluindo o financiamento) e invista num CDB até que tenha dinheiro suficiente para pagá-lo à vista. E nesse caso, os juros vão jogar a seu favor ao invés de contra: ganho duplo!

Não tem dinheiro para fazer isso? Ué, como você teria para pagar o financiamento então?

Existem naturalmente exceções a esta e demais regras: se você precisar do carro para o trabalho e não tiver outra opção, ou se onde mora não houver transporte público nem aplicativos como Uber.

2. Você deve ter espaço no seu Orçamento Mensal para despesas com o carro.

Poder ter um carro vai muito além de ter o dinheiro para comprá-lo. Você deve sustentá-lo todos os meses e são muitas despesas que vem com a compra de um: IPVA, seguro, combustível, estacionamento, manutenção, reparos, vistorias… Faça a conta de o quanto isso vai te sair por mês. Por exemplo, se o seguro custar R$ 3,600 ao ano, você deve guardar R$ 300 ao mês. Se o IPVA for de R$ 2,400, tenha um espaço para guardar R$ 200 ao mês.

Além disso, é importante lembrar que carros quebram, pneus precisam ser trocados de tempos em tempos assim como o óleo. As vezes o carro quebra e precisa ser reparado – você precisa admitir essa verdade a si mesmo, acontece com todos. Possivelmente você vai receber algum tipo de multa. Coloque todos esses gastos no papel e orce-os. Se não tiver como bancar eles, a resposta aqui é bem direta: não compre o carro!

3. Você tem como trocar de carro no futuro?

O nosso padrão de vida nos vicia. No momento em que você comprar um carro, vai se tornar de alguma maneira dependente emocionalmente dele. Em outras palavras, a dor de não ter um carro é maior para quem está acostumado com um.

E comprar um carro não significa que ele durará por toda a sua vida. Um dia vai querer trocar por um mais novo, mas você terá condições de trocar por um do mesmo nível? Para que este seja o caso e que você possa manter sempre um carro no mesmo patamar, o ideal é que você possa investir todo mês o equivalente ao valor que o carro perde naquele mês – o que a gente chama de depreciação.

Você tem como repor essa depreciação?

A depreciação varia de carro para carro mas um carro novo perde em torno de 15% do seu valor assim que sai da concessionária. A partir daí perde outros 15% por ano em média. Você tem como guardar todo mês em torno de 1.2% do valor do seu carro?

4. Recomendação é que o carro não custe mais que 5% do seu patrimônio líquido total ou 10% da sua renda anual líquida.

Você tem dinheiro para comprar o carro a vista, renda mensal para bancar as despesas de uso e manutenção do carro e além disso, consegue repor a depreciação do carro. Até aqui está tudo certo. A última casa é uma regrinha para indicar qual o valor ideal do carro que não comprometa sua saúde financeira. E é que não custe mais que 5% do seu patrimônio líquido total (todos os seus ativos menos as suas dívidas) ou 10% da sua renda anual líquida e aí tem finalmente um pequeno alívio: o que for maior entre os dois. Ufa! Pelo menos isso.

Exemplo: se seu patrimônio líquido for de duzentos mil reais e a renda líquida anual da familia for de R$ 180 mil, o mais indicado é que você tenha um carro avaliado em no maximo R$18 mil. (5% de R$ 200 mil é R$ 10 mil, mas 10% de R$ 180 mil é R$ 18 mil e, portanto maior). Ou seja, não parece um valor muito alto para a classe média brasileira, considerando que R$180 mil seja uma boa renda líquida anual para grande parte dos brasileiros e com os preços dos carros atualmente R$ 18 mil não dá para grandes coisas.

Conclusão

A escolha de comprar um carro é muito pessoal e depende de outros fatores como qualidade e disponibilidade do transporte público e aplicativos de corrida onde você mora. Depende se você tem uma familia com crianças pequenas, idosos, ou alguém com condições físicas em que andar muito não seja indicado. Pode ser que não seja nem nada disso e simplesmente você ame ter carros e que esteja disposto a pagar o preço para ter um…

Não há regras sobre as suas escolhas na vida, mas é bom saber que tudo tem um custo. O que quero mostrar aqui é simplesmente o ponto de vista financeiro.

A todos um grande abraço!

Riko Assumpcao

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