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É provável que a pergunta feita com mais frequência para quem tem um blog de finanças seja “qual é o melhor investimento?”.

Apesar da objetividade da pergunta, a resposta não pode ser outra senão “depende”. Mas fique tranquilo que o título deste artigo não é uma pegadinha, não. Eu vou acabar dizendo qual o meu investimento favorito, apenas com uma ressalva: para cada objetivo pelo qual invisto, tenho um produto favorito diferente. E é assim que faço (e sugiro) a alocação dos investimentos: por objetivos.

Alguns economistas indicam a alocação levando em consideração apenas o “perfil do investidor”, reduzindo a questão a se você se considera um investidor agressivo, moderado ou conservador. Outros indicam uma conta cuja única variável é a sua idade. Enfim, existem diversos meios de definir a alocação de capital. Mas hoje o espaço é meu, e, como disse, minha recomendação é que se faça esta alocação baseada em objetivos.

 

Quais são os seus planos ao investir?

Essa é a primeira pergunta que você deve se fazer. Responda a ela por escrito, num papel ou no excel, enfim… isso ajuda, pois ao registrar você organiza melhor suas ideias. Liste seus planos que dependem do dinheiro que você pretende juntar. É importante, porque a maior parte das pessoas não sabe nem para que está juntando dinheiro. Primeiro, diz que é para a aposentadoria, depois sai de férias e gasta o dinheiro todo numa viagem. Por isso é muito importante se organizar. Separar bem as coisas.

Aqui vai alguns exemplos de planos que provavelmente você tem: a) viajar, b) comprar roupas, c) investir em educação (como numa pós), d) comprar equipamentos eletrônicos, e) morar um tempo fora do país, f) comprar um imóvel, g) fazer uma festa de casamento, h) comprar um carro, i) formar uma reserva de segurança para imprevistos, j) aposentadoria, k) juntar um patrimônio capaz de te enriquecer.

Cada objetivo listado acima tem uma característica particular e um ou mais investimentos mais adequados. Para descobrir o melhor investimento, cabe avaliar o que o objetivo requer de um produto em termos de i) Prazo/liquidez (curto, médio ou longo prazo), ii) Risco e iii) Potencial de retorno.

 

Objetivos de curto prazo: CDB de liquidez diária

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Viajar, comprar roupas, presentes, eletrônicos, artigos de casa, seguro e IPVA do carro… todos são objetivos de curto prazo. Em geral, não acontecem todo mês, mas em prazos de no máximo um ano. Por isso, requerem um investimento que tenha liquidez alta e baixo risco (afinal, já pensou não ter dinheiro para pagar o IPVA porque perdeu dinheiro num investimento arriscado?).

O CDB de liquidez diária é prático já que você aplica/regata no seu próprio banco, tem risco baixo e costuma render mais do que a poupança. Por isso, é o meu investimento favorito para objetivos de prazo mais curto.

Para saber mais sobre CDBs de liquidez diária leia o artigo: O Melhor Investimento para o Curto Prazo: CDB.

Outros produtos interessantes para estes objetivos de curto prazo são: Tesouro Selic (antiga LFT), Fundos DI e Caderneta de Poupança. Todos apresentam baixo risco e liquidez diária mas ou não são tão práticos como o CBD (caso da LFT em que é preciso uma corretora) ou apresentam rendimento menor (caso da Poupança).

 

 

Objetivos de Médio Prazo: LCI/LCA

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Metas como juntar dinheiro para comprar um imóvel, trocar de carro ou casar  tem recorrência menor e exigem um tempo maior para se preparar e planejar. Por isso, o produto não precisa ter liquidez imediata mas ainda assim o risco deve ser baixo.

As LCIs/LCAs tem o risco baixo, equivalente ao da poupança ou do CDB (todos tem garantia do FGC), mas não tem liquidez diária, e com isso, costumam apresentar rendimento bem mais alto que a dos outros dois produtos.

Para saber mais sobre LCI/LCA leia: O que é LCI?

Outras opções para estes objetivos seriam: CDBs com liquidez apenas no vencimento ou Tesouro Selic (antiga LFT). Os CDBs com liquidez apenas no vencimento pagam juros maiores que os de liquidez diária mas tanto ele, quanto a LFT, apresentam cobrança de impostos como IR, o que a LCI e a LCA não apresentam, uma grande vantagem que faz eles renderem mais.

 

Morar fora do país: Fundo cambial

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Apesar de ser um objetivo de médio prazo, na minha opinião, este, em particular, requer um investimento diferente. Como o plano impõe uma exposição por um tempo a uma moeda que não o real, o ideal é você se proteger às variações daquela moeda.

Imagina que problema você teria na hipótese de estar estudando por exemplo nos EUA e recebendo dinheiro do Brasil. De repente, no meio do seu curso, uma crise faz o dólar dobrar de valor. Isso significa que, se você não estiver protegido contra essa variação, no final, o dinheiro que guardou aqui vai valer apenas metade do que tinha programado. É loucura.

Fundos cambiais buscam replicar as variações das moedas em que estão indexados. Desta forma, se o dólar dobrar de valor, o investimento de seu fundo cambial seguirá esta variação num nível próximo, ou seja, você estará protegido contra esta variação. Vá investindo aos poucos, diluindo o risco de entrar no fundo num momento de alta da moeda estrangeira.

Apesar dos fundos cambiais serem considerados investimentos de risco alto para quem está no Brasil, para quem pretende passar um bom tempo fora, o arriscado é não investir neles.

Se o desejo for morar na Zona do Euro, recomendo buscar um Fundo em Euro. Se for nos EUA, fundo em dólar por motivos óbvios.

Agora, se o objetivo for morar em outro lugar que não a Zona do Euro e nem os EUA (como Inglaterra, Australia, Canadá, Argentina etc), ainda assim recomendo investir, se não tudo, ao menos uma parte das despesas orçadas num fundo em dólar (ou em um fundo multi moedas, se encontrar). Assim, embora continue parcialmente desprotegido contra a variação da moeda de onde irá morar, ao menos estará protegido contra uma variação do real frente às outras moedas. Por que não recomendo fundos em libras ou pesos? Porque você provavelmente não irá encontrá-los em lugar nenhum.

Outras opções para quem pretende morar fora são: comprar papel-moeda do país aos poucos, fazendo preço médio (o risco é guardar um volume muito alto de dinheiro em casa e até viajar com tanto dinheiro em papel), Cartões pré pagos como VTM (é mais seguro que o papel moeda, o problema é a cobrança do IOF adicional de 6%) e abrir uma conta num banco lá fora assim que chegar (isso é bom e barato, mas o risco é da oscilação da moeda no intervalo entre o momento em que você decidiu morar fora e o momento em que conseguiu abrir a conta no banco lá).

 

Formar uma Reserva de Segurança: Tesouro Selic (antiga LFT)

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É importante ter uma reserva para situações de emergência como ser demitido do emprego, por exemplo. Recomendo que busquem ter o equivalente a 6 meses de gastos médio mensais seus em um investimento seguro e com liquidez diária.

Os títulos do Tesouro Nacional são considerados os investimentos mais seguros do Brasil. Isso porque é o próprio tesouro que garante seu pagamento. Antigamente tinham liquidez apenas 1 vez por semana, mas desde 2015, a liquidez é diária. Ainda assim, o inconveniente é ter que abrir uma conta numa corretora para poder aplicar neles. Mas, vale muito a pena, afinal, é um investimento seguro e com rentabilidade altíssima. E como o nome já diz, a Reserva de Segurança tem que estar em algo seguro.

Para saber mais sobre as LFTs, leia: Tudo sobre o Tesouro Direto

Outras opções para manter sua reserva de segurança: caderneta de poupança (apesar do rendimento não ser as mil maravilhas, é seguro e a vantagem é ter liquidez imediata, maior mesmo até do que a da LFT ou do CDB) ou CDBs de liquidez diária (mas é importante que seja de um banco grande).

 

Investimentos para a aposentadoria: Tesouro IPCA + juros semestrais (antiga NTN-B)

Neste caso, o risco deve ser baixo mas o prazo pode (e deve ser) longo e, preferencialmente, com proteção contra a inflação no período. Pronto, acabei de descrever uma NTN-B. Para quem não conhece, são títulos do tesouro, portanto considerados seguros, rendem uma taxa fixa (acordada no momento da compra) acima da inflação medida pelo IPCA. Os vencimentos, hoje, chegam a até 2050. Se precisar do dinheiro antes, a liquidez também é diária, mas não são recomendados para investimentos de curto prazo pois suas cotações variam diariamente.

Para conhecer mais, leia: Planeje sua aposentadoria – NTN-B: O melhor investimento

Outros investimentos recomendados para a aposentadoria: a previdência privada (VGBL ou PGBL). Muitos criticam a previdência privada e, em geral, realmente não valem tanto a pena quanto a NTN-B. Mas geralmente, os planos oferecidos pelas empresas (em que elas, empresas, também contribuem com uma parte) costumam ser até melhores que a NTN-B. Se for este o seu caso, go for it!

O melhor investimento para te tornar rico: Ações

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As ações são investimentos arriscados, podem te dar o mundo ou te tirar o que muitos meses de trabalho te trouxeram. São meus investimentos favoritos para te enriquecer porque, afinal, é o que pode te tornar realmente rico e num prazo muito menor do que os demais.

E pensa bem, se você já está investindo em produtos seguros para viajar, trocar de carro, fazer um MBA, já está comprando sua casa própria, já tem uma reserva de segurança para 6 meses e está investindo para aposentadoria, por que não arriscar?

A bem da verdade, para montar um patrimônio não existe um único tipo de investimento indicado. Pode ser qualquer coisa, independente de risco ou liquidez… é a caça ao maior retorno! As ações são em geral as minhas favoritas, mas não são as minhas favoritas sempre! Por exemplo, no momento atual, com as altas taxas de juros no país e o ambiente recessivo, prefiro as LCIs. Mas é uma “paixão momentânea”. Já foram imóveis, fundos imobiliários, cambiais. Há quem faça uso de derivativos…

Enfim, como disse, esse é o seu espaço para arriscar. Mas, mais risco requer mais estudo e conhecimento do que está fazendo. Esta é minha maior recomendação.

Outros investimentos interessantes: qualquer um, contanto que julgue ser a previsão para o melhor retorno.

Conclusão

Bem, queria deixar claro aqui que abri para vocês os meus investimentos favoritos (como prometido no título – só que no plural hehe), mas que isso não significa recomendação. Ninguém sabe ao certo o que vai acontecer amanhã. É para reflexão de vocês, são argumentos para refletirem se faz ou não sentido.

Vale lembrar que, para todos os casos em que citei acima, é muito importante a diversificação. Não é porque um produto parece ser o melhor, que devo colocar todo o meu dinheiro nele.

Outra coisa: vocês notaram a quantidade de objetivos que existem para se investir? São muitos né… pois é, mesmo que não dê para estabelecer todos de uma só vez, trace uma lista de prioridades, comece com alguns que julgar mais importante mas mantenha os demais a vista.

Por fim, queria dizer que entre o curto, o médio e o longo prazo, ainda prefiro o hoje. Esse é o dia mais importante das nossas vidas. Para aproveitá-lo ao máximo não necessariamente é preciso gastar todo o seu dinheiro.

O desejável mesmo é ter uma situação financeira sustentável, com um padrão de vida equilibrado, que não comprometa a qualidade de vida futura. É viver bem hoje, sem que isso atrapalhe a busca por um futuro ainda melhor.

A todos, um grande abraço!

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